Como se a morte não existisse


Pedro Correia,

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Eufemismos da linguagem corrente contaminam em força o jornalismo. Agora não se morre: parte-se. Como quem vai de férias para qualquer lado.

É cada vez mais patente a nossa dificuldade em lidar com a morte. Ao ponto de eliminarmos a palavra do vocabulário de todos os dias. Como se a morte não fizesse parte da vida. Como se ela jamais chegasse pelo simples facto de a banirmos do nosso convívio. Como se fôssemos eternos personagens de um filme fofinho dos estúdios Walt Disney, fatalmente condenados a um final feliz.

42 comentários em “Como se a morte não existisse”

  1. Só agora é que descobriu que um termo utilizado correntemente como “já partiu”, que até se compreende para suavizar o dramatismo da morte entre os mais chegados ao defunto?

  2. Deixou de estar entre nós.

    Ou como se dizia em outros tempos, foi-se.

    O que há depois da morte? A Terra continua a girar, e a vida continua para os que cá ficam. Provado cientificamente.

  3. É cada vez mais patente a nossa dificuldade em lidar com a morte.

    Pois. Exatamente. Essa é uma grande explicação para a histeria covideira. Em vez de se aceitar que as pessoas têm que morrer, e muito em especial que os idosos têm que morrer, e que é normal que morram, e que é benéfico que morram, recusa-se terminantemente essa ideia, e faz-se um esforço enorme e insustentável para que ninguém morra. Como se tal fosse possível. Como se tal fosse desejável.

    Só havendo morte é possível que a vida prossiga e se renove. Um mundo sem morte seria um mundo trágico.

  4. Ao ponto de eliminarmos a palavra do vocabulário de todos os dias.

    Pelo contrário: atualmente todos os dias sem cessar a palavra morte aparece nos noticiários. Todos os dias nos dizem quantas pessoas morreram “de covid”. (A imensa maioria não morreu, é claro, de covid, mas tão-somente contaminadas com um vírus que nenhum mal lhes fez.)

    1. Não há mortes: há óbitos.
      Ou “fatalidades”, eufemismo mais corrente, tradução literal e atamancada do “amaricano”. Como se fosse fatal alguém morrer do coronavírus.

  5. E também não se pode dizer que um preto é preto, nem que um chinês tem os olhos em bico (mesmo que de facto tenha) nem que um ocidental tem os olhos redondos e o nariz comprido.
    Tenho ideia de ter lido algures que uma companhia de aviação japonesa, na sua publicidade, pôs uma caricatura com essas características de um passageiro ocidental. Teve de retirar tudo e pedir desculpa aos ocidentais que se podiam sentir ofendidos (eu incluido, suponho!).
    Mais, deixou de haver deficientes, agora só se admitem portadores de deficiência.
    Engraçado, suponho que se pode dizer que um branco é branco (apesar de a nossa pele não ser branca).
    Desconfio que desta maneira acabamos por ter de deixar de falar: as gaffes espreitam…..

    1. Um anão não é anão.
      Um cego não é cego.
      Um coxo não é coxo.
      Um gordo não é gordo.
      Um benfiquista não é lampião.

      Agora passamos o tempo a policiar a linguagem.

  6. MORTE E VIDA SEVERINA
    O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI
    — O meu nome é Severino,
    não tenho outro de pia.

    A las cinco de la tarde.
    Eran las cinco en punto de la tarde.
    Un niño trajo la blanca sábana
    a las cinco de la tarde.
    Una espuerta de cal ya prevenida
    a las cinco de la tarde.
    Lo demás era muerte y sólo muerte
    a las cinco de la tarde.
    (Extracto del poema “Llanto por Ignacio Sánchez Mejías”, de Federico García Lorca

  7. Estar morto é o contrário de estar vivo mas em tempo de pandemia só se morre de covid. Os outros ; ou partem, ou desvivem, ou finam-se, ou fenecem, mas no fim, no fim, vamos todos bater as botas.

          1. Se você estivesse com atenção e tivesse lido a notícia, via que o homem estava vacinado. Se ele não tivesse cedido à chantagem se calhar ainda estava vivo.

          2. Quando se vacinou já foi tarde e nem tinha tomado a segunda dose.
            Depois de andar meses a arengar contra as vacinas.

            É como em Portugal: a grande maioria dos que berram contra as vacinas… estão vacinados.
            “Proclamam” uma coisa na vida virtual da Net e praticam outra na vida real.

          3. É verdade, a vacina é tão boa que; as farmacêuticas, os pediatras, os outros médicos, o governo, todos meteram o cu de fora em assumir responsabilidades, mas a cereja no topo do bolo é quando obrigam a pessoa a assinar um papel a dizer que toma a vacina de livre vontade.
            Se a vacina é assim tão boa como eles dizem, será que eu sou assim tão estúpido que não perceba as vantagens?
            Vamos aguardar a autópsia do miúdo com serenidade, pode ser que esclareça alguma coisa.

          4. O corona nas ultimas semanas tem sido cruel para os antivax. Vários bem conhecidos já marcharam com bilhete só de ida.
            Vão festejar a “liberdade” para o outro mundo…

            Daí outros já se terem vacinado embora não o admitam nas redes sociais para não sentirem a reputação manchada. Fazem bem.

          5. Lá está você a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada.
            O que é que tem a ver os antivax com aqueles que recusam tomar esta vacina?
            Será que os que recusam ser cobaias numa vacina experimental nunca tomaram uma vacina na vida?
            Ou continuamos a perpetuar a falácia de chamar negacionistas e anti-vacinas a todos os que questionam esta forma de actuação?
            Felizmente o tempo está a encarregar-se de repôr alguma sensatez.
            É que já me chamaram tudo e mais alguma coisa, mas parece que esta palermia vai passar a ser tratada como uma gripezinha.
            Vamos aguardar serenamente.

          6. Lá está você. Querem ver que os que estão a morrer agora com covid são todos antivax. Ou os que morrem depois de tomar a vacina é porque têm outras comorbidades?
            Não é novidade para ninguém que os atletas perdem rendimento depois de tomar as vacinas, não é novidade para ninguém que as vacinas agravam os problemas de saúde que as pessoas possam ter, não é novidade para ninguém que a maioria das pessoas internadas com covid não foi por causa do covid que foram internadas.
            Como lhe disse, vamos aguardar a autópsia do miúdo com serenidade.

          7. Sabendo que o Durão Barroso é o presidente da aliança global das vacinas, sabendo que as farmacêuticas se recusam a divulgar a composição das vacinas, sabendo que os “especialistas” recebem gratificações das farmacêuticas, sabendo isto tudo você é capaz de afirmar com honestidade que confia nesta vacina experimental?
            É capaz de dizer com honestidade que não teve ou não tem pessoas das suas relações com reacções adversas graves depois de tomar a vacina?
            Se não conhece ninguém é um sortudo, eu não posso dizer o mesmo, lamento.

  8. Já os gorilas continuam a morrer.
    Notícia do Observador, hoje:
    “Morreu Ozzie o gorila macho mais velho do mundo”
    O gorila macho?
    Mas em que escolas de jornalismo é que está gente estudou?
    Eu aprendi na escola primária, o gorila, a gorila e já na altura haviam pastilhas elásticas transsexuais eram, simplesmente: Gorila.

  9. É uma táctica do jornalismo politico de manipulação da linguagem.
    Preciso reservar as palavras mais más para a politica.

    Vai ver que se a direita tiver o poder, a palavra “morte” vai voltar.

    1. Note-se como não tiveram nenhum problema a chamarem “negacionistas” a quem se recusava a tomar uma vacina aprovada sem os testes habituais.

  10. Só os não vacinados é que não partem. Esses morrem com todas as letras. E se forem anti-máscara e anti-restrições ficam mais que mortos.
    E ao contrário dos vacinados, quando morrem não vão para o céu.

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