[Motivos passageiros descontinuaram estas memórias, que agora voltam]
MAUSER
O 7 de Setembro (1974) foi uma data traumática para Moçambique. Mas para mim também.
Aborrecidos com os acordos de Lusaca, grupos de naturais brancos, incluindo soldados, quiseram travar o processo de independência e instaurar uma solução rodesiana, ocupando instalações importantes, por exemplo as emissoras.
Soares e Machel tinham apertado a mão. Crespo estava a caminho de Lourenço Marques para integrar o Governo de Transição. Para o engenheiro Jardim e outros descontentes o tempo esgotava-se.
Confusão. Revoltosos e grupos da Frelimo desataram as tiros uns nos outros, opositores da independência tomaram de assalto o Rádio Clube de Moçambique. Daniel Roxo, o Diabo Branco, líder das milícias do Niassa, chamou a sua gente.
Em Nampula, fazendeiros e familiares cercaram, num anel, o emissor da estação, mulheres e crianças à frente. Tensão ao minuto.
Os quartéis fecharam os portões. A ordem foi que nos armássemos para manter as unidades e neutralizar a revolta.
Foi o que fiz também, claro. O problema é que a arma que me puseram nas mãos, uma velha Mauser, estava emperrada. Que nervos!
Valeu-me – valeu-nos a todos! – um expedito oficial que, mandado reocupar o emissor da RCM, não longe dali, subiu a um poste, cortou a corrente aos microfones e o sonho rodesiano morreu por ali.
(Notinhas de uma guerra engolida)

Repor a História.. mesmo em estórias ficcionadas:
O episódio (s) do 7 de Setembro foi um dos mais dramáticos da história da descolonização portuguesa em África.
Passo por cima da “mauser”…em 1974????
O Radio Clube jamais deixou de transmitir, muito menos devido ao feito heroico do ” oficial james bond”
Sim, am, tínhamos muitas Mauser. Não eram usadas nas operações comuns mas mantinham a sua altíssima precisão. Fale com quem fez então a tropa. Sobre o Rádio Clube, o retransmissor de Nampula teve um curto corte na sua emissão, sim senhor.
E os diamantes, meu Deus! E os diamantes?
🙂
… no meu caso foram rubis, mas dentro de um relógio que tive de vender.
“Os Diamantes”.
Não sei a que diamantes se refere.
OURO sim… pela calanada da noite aviões da TAP/FA carregaram toneladas… ( ouro pago pela Africa Sul aos “escravos das minas”)e descarregaram-no no Banco de Portugal!
Meu Caro ex-combatente
Começo a atender os seus posts… e a censura aos meus comentários:( e certamente a mais)
V Excia pertencia ao C.da R. / ( parte comuna) e em vez da tal mauser…( em 1974!!!!) deram-lhe uma “moca “azul ….
Eles conheciam-se à légua!
Isto não é para publicar… tenho nojo em o acompanhar
É o que sente habitualmente, quem foge de se confrontar com factos que ressuscitam fantasmas dentro de si – nojo. Não é de esquerda nem de direita. É apenas triste. E lamentável.
Caro amigo,
Apesar de tudo, a melhor arma que tens é a caneta, ou o teclado. Fica-te melhor 🙂
Que bom que tenha voltado.
Rosa Maria
Obrigado, Rosa Maria. Espreite mais à frente – na Comissão de Serviço XXIV.
Obrigado, Fernando, pela sugestão de leitura, e, à boleia da mesma, não resisto: – Para quando o livro ?
Rosa Maria
Sobre o quê, Rosa Maria? Sobre esta modesta colecção de memórias? Não sei. Esta guerra nunca existiu. Pergunte na rua se alguém se lembra dela…