Comissão de Serviço IV


modosdever,

FORMIGAS ESMAGADAS

 

Jipes e berliets avançavam sem vontade, romromrom, num túnel de vegetação e serpentes donde espreitavam mil olhos e canos calados…

[…]

Adiantava-me, ausente, à leitura de uma ordem de serviço colada na porta da CCS, a convocar-me para uma coluna de abastecimentos – cartas, comida, água, remédios, balas –, a partir antes do nascer do sol e do braseiro.

Devia apresentar-me uma hora e meia antes para levantar as armas, conhecer os homens, com corações nos bícepes tipo Amor de Mãe, e receber ordens.

O medo – agora, sim – espalhava-se a partir do peito, para a garganta, seca, para o estômago, para as pernas, num corpo sem peso.

Raios, ainda agora tinha chegado!!

O ar cheirava a formigas esmagadas, a óleo rançado.

Passei a tarde entre cervejas e aerogramas, por causa de uma guerra quase no fim, a dias de passar para as cidades, que invadiria de destroços e tensões;  uma tarde a escorrer de lembranças, incluindo muitas de que razoavelmente nem me poderia recordar; uma tarde inútil pois a operação seria cancelada.

 

(Notinhas de uma guerra engolida)

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