
Há petiscos que só consumo no local próprio. Espetada à madeirense, claro, na Madeira – em Câmara de Lobos comi uma inesquecível. Ensopado de borrego e pezinhos de porco de coentrada, apenas no Alentejo – recordarei sempre um manjar com estas iguarias no Luar de Janeiro, em Évora. Cataplanas é no Algarve. Leitão, só na Bairrada – nada de sucedâneos menores.
A melhor cabidela de pica-no-chão continua a ser a do pantagruélico Camelo, às portas de Viana. Para o arroz de polvo, com ou sem filetes do dito, vou ao Porto. Para o ensopado de enguias, opto pela Costa Nova. Se quero raia alhada, vou ao Carrossel, junto à praia da Cova Gala (Figueira da Foz). E nada bate o bacalhau à minhota do Chico, em Caminha. Nem o arroz de carqueja do meu Fundão.
Lisboa possui a sua comida típica, ao contrário do que alguns supõem. As ervilhas com ovos, as pataniscas, o bacalhau à Brás, os peixinhos da horta, as iscas na frigideira. E não esqueçamos aqueles pratos que podem orgulhar-se de ter alcançado amplitude nacional, com ligeiras variantes regionais. Não esquecerei um magnífico arroz de pato no Cortiço, em Viseu, ou uma caldeirada à pescador em Peniche – almoço que se prolongou tarde adiante, amenizando um dia de chuva primaveril.

Por vezes a nostalgia de determinado acepipe vai apertando. Acontece-me mal chegamos a Janeiro, quando inicio a contagem decrescente para a época da lampreia, já com o roteiro traçado.
Confesso: às vezes estou anos sem matar saudades. Acontece-me com a chanfana: só consigo comê-la em Coimbra. E sei exactamente onde quero ir para o efeito.
Venho de lá agora. Desde Agosto de 2019 que não pernoitava na cidade do Mondego: a pandemia baralhou-me vários planos, até no campo gastronómico. Nem sabia que o Zé Manel dos Ossos, durante anos um dos emblemas da restauração na baixa coimbrã, tinha fechado de vez.
Mas apontei para o Cantinho dos Reis, ali bem perto, no Terreiro da Erva. O que eu queria era a chanfana, três anos depois. E em boa hora lá voltei: continua a recomendar-se.

O afável proprietário, agora com 78 anos, fez as honras da casa. Lá dentro, pois o espaço exterior estava invadido pela turba estudantil em dia de celebração académica. Disse-lhe ao que vinha, o que lhe iluminou a face num sorriso: «Haja alguém capaz de apreciar o que é bom. Hoje aparece cada vez menos gente a pedir chanfana. Preferem uma estrangeirice qualquer.»
O cozinheiro é de Poiares e confecciona o bicho da forma clássica. Vem macio e suculento e bem apaladado. Percebe-se que recebeu tratamento condigno na cozinha. Servido em dose generosa, com batatinhas e couves cozidas e apresentadas à parte. Como manda a sabedoria antiga.
Pede mastigação prolongada: só assim saboreamos devidamente.

Regalei-me, como diria o Eça. O simpático anfitrião até me fez o favor de ligar a televisão para ver a bola, mas nessa noite eu estava mais virado para a arte gastronómica do que para a devoção futebolística. E lá me pus à conversa com ele sobre as tradições que se vão perdendo à mesa nacional.
«O senhor nem imagina, agora só querem picanha…»
Eis que chega uma família: pai, mãe, dois filhos. Mal olham para a ementa: é isso mesmo que encomendam. Picanha.
Eles não sabem nem sonham como é bom comer chanfana.
Até já, Cantinho dos Reis. Não tenciono estar mais três anos sem aí voltar.

Para ser honesta, apenas comi chanfana uma vez e não fiquei fã, principalmente porque a carne era seca e rija. Mas sou fã de Coimbra! Um destes dias , se a minha vida correr bem, dou mais uma chance a ambas.
Dulce, a chanfana bem confeccionada não é seca nem rija. Daí a importância de escolhermos o local para esse efeito.
Quanto a Coimbra, contrariando o lugar-comum, garanto que é uma cidade onde se come cada vez melhor. E com uma vantagem acrescida relativamente a Lisboa: é incomparavelmente mais barata.
Tenho planos para lá ir e ficar naquele hotel junto à Universidade de cujo rooftop se vê a cidade e o rio. Assim possa eu, que retomarei os meus planos rapidamente. E aproveito a sugestão da chanfana.
Se gosta de açorda de marisco (nada a ver com chanfana) não deixe de experimentar a do Açude, na outra margem do Mondego. Divinal.
Anotado!
O hotel de que fala deve ser o Tryp. Também já lá estive e gostei, embora prefira alojar-me na baixa.
Foi no Sapientia. É muito central, é pequeno e muito engraçado. À noite, a vista do telhado é fabulosa.
Ah, esse ainda não conheço. Coimbra é, naturalmente, uma cidade com abundante oferta hoteleira – e gastronómica.
Coincidência! O meu sobrinho trabalha lá, às vezes.
Na recepção? Na próxima vez pergunto se é familiar do Prof. Baltasar
É empregado de mesa. Mas nesse sítio deve haver uma designação mais sofisticada. Chama-se Rui Mariano.
Talvez nos tenhamos cruzado ao pequeno almoço, quem sabe?
Você está como eu, também já cheguei aquela idade em que a comida tem de ser certificada.
É o Caneira para o leitão, em Negrais, é o César para o marisco, na Ericeira, é o Ninho Verde para o cozido, no Algueirão, é a Dona Azeitona para as pizzas, no Magoito, e todos aqui pertinho que é para não me cansar muito.
Vá partilhando. Eu agradeço. E aposto que muitos leitores também.
O Caneira, em Negrais? Leitão cozido e depois vai ao orno eléctrico?
Há por lá melhor.
Gostos não se discutem, mas se você conhece os melhores, diga quais são e porquê, para sabermos o que você entende por qualidade.
Por falar em leitão, para mim o melhor Leitão na Mealhada é no Pic-Nic (Pic-Nic dos Leitões). Esqueçam os restaurantes mais famosos e mais confusos (e mais caros). Este é pequeno mas top quality.
Já frequentei e concordo.
Bom em dois momentos. Quando se almoça o leitão, devidamente cozinhado, com a pele estaladiça, lá no restaurante. E depois, na modalidade sande de leitão que veio embrulhada (e bem fornecida), para aconchegar o estômago ao jantar.
Saboreei uma bela chanfana em Miranda do Corvo, na Real Confraria da Cabra Velha, há um par de anos. Talvez tenha sido antes da Pandemia. Fiquei deliciado também com o Dão tinto que a empurrou gentil mas firmemente.
Mais tarde tentei fazer uma coisa parecida, mas com carneiro. O bicho era grande, a era carne compacta e com o “fartunço” do gado velho. Ficou ensopada em vinho tinto de véspera, a apurar, e esteve mais de duas horas no forno. A carne escureceu a toque dos taninos tintos, mas ficou incrivelmente macia.
Quando puder dispensar um macho, que tenha 100kg ou perto disso, irei repetir o feito. Talvez só daqui a um ano.
Eheheh. Isso será uma odisseia, Paulo.
Gosto muito de cozinhar mas tenho a noção dos meus limites e nunca me atreveria a confeccionar chanfana. Daí talvez o apreço acrescido que tenho por este prato, tão português.
Arroz de pato, faço razoável – mas nada a ver com o requinte daquele que comi no Cortiço – e de que gostei tanto que no dia seguinte lá voltei para repetir a dose.
Já fiz um frango de cabidela que me soube muito bem – mas que está a grande distância da obra-prima culinária que consta da ementa fixa do Camelo, em Viana.
Só na caldeirada me atrevo a pedir meças – mas nunca para tentar equiparar-me àquela que certa vez comi em Peniche em dia de visita ao Baleal. Ou às que saboreava na minha infância no pinhal de Camarido, em Caminha, no saudoso Pirata.
Olhando pare esse excelente repertório, falta aí uma cataplana na Taberna da Adélia na Nazaré, que com tanta procura já se estrangeirou nos preços. Em alternativa, qualquer coisa na Maria do Mar ou na Tasquinha. Eu alinho no Arroz de Marisco ou na Açorda.
Reparei agora. Será só em português que um prato merece as honras de nome próprio, com direito a maiúscula e tudo?
Coincidência, Paulo.
Ainda há minutos pensava numa das melhores açordas de marisco que já comi. Foi no Açude, em Coimbra.
Inesquecível.
É bom trocarmos estes cromos. Aumenta a nossa cultura geral e a nossa vontade de conhecer outros poisos gastronómicos.
Verdade, Pedro.
Mas eu fico é a lembrar-me de um certo jantar de grupo, que com o passar do tempo já tinham sido vários.
Quando é que isso sai?
Tens toda a razão. Passado o pesadelo pandémico, temos de retomar tão saudável prática. Ainda este mês, de preferência, pois Dezembro é impraticável.
Vou tratar disso
Podia ter vindo ao robalo com algas na Mariana em Afife, que o Jorge Amado até lá disse ‘este faz parte do rol que levo pro céu’.
nunca me atreveria a confeccionar chanfana
É muito demorado. Confecionava-se em casa dos meus pais e avós em dias de festa.
Bem bom. Vagares antigos, impossíveis de cultivar nos dias que correm – sobretudo nas grandes cidades.
Até porque a chanfana tem que ser cozinhada numa coisa que a maior parte das pessoas não tem: uma caçoila de barro preto.
É verdade.
Nunca, ou por enquanto, saberemos, se o simpático anfitrião disse ‘O senhor nem imagina, agora só querem picanha…’ e se teria acrescentado ‘a propósito de picanha, o que é que o senhor me diz sobre o que se está a passar no Brasil?’
Como o Pedro Correia só diz o que muito bem entende, calhando respondeu ‘quando se come não se fala’
E prontus, ainda não foi desta.
Se o ódio visceral matasse, você já tinha caído redondo no chão.
Sorte a sua: vai-se conservando em vinagre cada vez mais azedo.
Deve dar péssimas digestões, como demonstra duas vezes por dia, incansavelmente, neste blogue.
Ainda bem que isso não se pega.
Bem podia ter mandado para caixote dos azulados, mas preferiu responder com sarrafadas de arruaceiro bolsonarista.
Bem respondido! E com piada. Gostei.
Pode ser que o home refreie o azedume…
Não é possível. Teria que renegar a natureza.
Cada um é para o que nasce, dizia a minha saudosa avó. Cada vez percebo melhor essa frase.
É extraordinário.
Uma simples constatação/convite da falta de um poste sobre o que se está a passar no Brasil
dar azo incomodo.
Incómodo é ver o que se passa no Brasil, com centenas de pessoas de braço estendido fazendo saudação nazi e exigindo a intervenção militar para alterar o resultado de eleições, que bem merecia um poste de Pedro Correia que é jornalista e costuma ser rápido a escrever sobre estes assuntos.
Anda tão obcecado com o Brasil que até parece militante da picanha.
Lamento, mas não é a minha praia.
Muito interessante.
Queria apenas referir que o Carrossel já não está na Gala, mas sim na Praça Velha na própria Figueira da Foz. A qualidade continua a mesma, excelente.
Gostei de saber. A pandemia trocou-me as voltas num regresso há muito planeado à Figueira, bela terra natal da minha mãe.
Há-de acontecer muito em breve.
Se o Pedro Correia provasse a chanfana da minha mãe (já falecida) era de comer e chorar por mais. Dizia ela que a chanfana tinha que levar dez temperos. Em vez de couves, aqui na zona da bairrada é acompanhada, além da batata cozida, com grelos.
Acredito. E acredite que bastou o seu comentário, que agradeço, para sentir ainda mais vontade de regressar sem demora à Bairrada – Agueda, Sangalhos, Anadia, Mealhada.
Também região do melhor leitão e de bom vinho, incluindo espumante.
Como refiro no texto, nem consigo comer leitão noutro lado.
O Bacalhau à Gomes de Sá é um prato típico da Cidade do Porto, e não de Lisboa.
Foi criado por José Luís Gomes de Sá Júnior, Portuense, natural da Freguesia de São Nicolau.
Tem toda a razão, leitor Figueiredo. Agradeço-lhe o reparo, já corrigido.
Escrevi Gomes de Sá (que prefiro, de longe) quando queria escrever à Brás.
Conheço bem o CdR, costumava ir lá muitas vezes. Às vezes um sarilho p entrar à hora de almoço.
Outra alternativa é o Telheiro, mas aí é mesmo preciso reservar ou então esperar uma hora ou assim.
Fui lá pela primeira vez ao almoço, há cerca de década e meia, levado por um colega coimbrão. Gostei da atmosfera caseira e despretensiosa. E dos preços muito acessíveis.
No ano anterior à pandemia, andava eu a redescobrir Coimbra com todo o vagar, “acampei” por lá à hora do jantar, sempre cá fora, debaixo da parreira. Era Verão, eu não almoçava e optava por jantar cedo. Fiz isso vários dias, sempre a comer chanfana sem enjoar. Gostei muito de regressar agora..Os preços continuam imbatíveis.
Chanfana é no Nariz do Mundo!
Acredito. Não conheço, mas agradeço muito a indicação.
Boa noite Pedro Correia
Para quem como eu começou a cozinhar aos quase 16 anos, a culinária diz-me muito, particularmente em casa onde sou um competidor “feroz” da minha mulher. Mas como para viver, embora seja um bom apreciador!
Sem querer maçar:
– também se comia excelente leitão em Angeja, Casa dos Leitões,
– comer bem (não barato) Castas e Pratos na Régua,
– comia-se bem na Colmeia em Ponta Delgada,
– comer bem e mais barato que em Lisboa? por ex em Coimbra, em Braga, no Porto, etc.,
– comer bem, no Adega Monte Velho, Ourique,
– comer bem, Casa do Rio, Estombar,
– comer bem, no Mário, entre Fundão e Covilhã,
– comer bem, Os Fialhos, Sítio do Pinheiro, Luz de Tavira,
– comer bem, não barato, Valhéculas, em Valhelhas,
– restaurantes que vão fechando, muitos; um dos que mais saudades de deixou foi um no Moledo de que me esqueci o nome, fechou há anos, peixe fantástico, era caro mas muito bom.
Bom Domingo. Saúde
António Cabral
Ora viva, caro António Cabral. Venho agradecer-lhe essa lista tão extensa e variada. Conheço alguns dos restaurantes que menciona. Um deles é A Colmeia, o meu preferido em Ponta Delgada.
Outro, há muitos anos, é O Mário, em Alcaria. Onde vou sempre ao arroz de carqueja, monumento da nossa gastronomia tradicional.
Recomendo, claro.
Excelente princípio, o seu: comer para viver, não viver para comer.
Subscrevo.
Saúde!
Em Coimbra come-se bem e barato, sim.
Esta dose de chanfana no Cantinho dos Reis custa 9 euros. Faltou-me acrescentar este pormenor, que é relevante.
Que não me arrependa de meter pés por aqui.
Já não vou a restaurantes por divinal que seja a comida. Não vou porque todos têm televisão e como gosto de comer e cavaquear, não arrisco. Outro acrescento para não frequentar restaurantes, referem os telemóveis. Estou como a Patti Smith: «Não tenho telemóvel, nem quero ter, custa-me ver que o mundo está todo ao telemóvel » e incomodam-me ouvir as conversetas de telemóvel das mesas ao lado, a quererem saber onde estão, a mandar fotos do que têm no prato, também para lembrar aquela historieta do Jorge Listopad: «À mesa de uma esplanada, vejo chegar um casal, jovem ainda. Sentam-se, encomendam a bebida, e logo, no mesmo tempo, como em simultâneo, puxam dos respectivos telemóveis e põem-se a conversar. Cada um para seu lado, animadamente.»
Mas por aqui meti os pés para dizer que o melhor leitão assado que comi foi no Restaurante Mugasa que fica no Largo da Feira na aldeia da Fogueira, junto a Sangalhos. Mas já me disseram que fizeram obras de «embelezamento» e a qualidade do reco foi à vida.
Como o melhor pica no chão aconteceu numa taberna na Maia. O Magalhães telefonou para o Costa, o dono do tasco: «Somos nove!», a mulher do Costa foi ao quintal, nas traseiras, e filou o galo de pé descalço.
Mas isto foi há uns 20 anos e a mulher do Costa já deve estar a cozinhar para os anjos.
Voltarei a comer uma vitela no forno como naquela tarde de Verão na Adega do Matias na Lousada, tão perto-assim-como-quem-diz das Caves Murganheira?
Talvez não, talvez sim,porque os dias são mesmo assim: o da cozinheira naquela hora, o meu naquela visita.
Coisas que muito se desejam mas sabemos, de sabedoria certa, que talvez ainda se obtenham, mas nos deixam perdidos.
Grato pela saborosa partilha de algumas das suas experiências gastronómicas. Eu hoje frequento muito pouco restaurantes pelo simples motivo de que passei a cozinhar cada vez mais e, como já relatei aqui noutro texto, prefiro em grau crescente aquilo que eu próprio cozinho (e sei os ingredientes que meto no tacho, na frigideira ou na panela) do que o que vou comendo aqui ou acolá fora de portas.
Mas há petiscos que nem me atrevo a cozinhar – e o leitão assado é um deles. Ou a chanfana. Ou a lampreia.
Quanto às memórias que nos vão acompanhando de excelsos momentos passados em tascas ou restaurantes, acompanho-o também quando anota: «Os dias são mesmo assim: o da cozinheira naquela hora, o meu naquela visita.»
É bem verdade: espécie de feliz conjunção astral. Daí esses momentos serem ainda mais preciosos. Por serem irrepetíveis.
Não consigo compreender esse conceito de viagem gastronómica. Apesar de gostar muito de comida, não vou a uma determinada localidade com o intuito de comer. Mas, se por algum acaso for a uma destas locais já fico com uma lista de restaurantes a experimentar. 😉
PS- Espero que tenha ido a Coimbra de autocarro expresso e tenha evitado entregar o imposto do combustível à dupla desprezível.
Em relação ao seu PS: sim, fui e vim assim. Aliás faço-o com frequência para diferentes parcelas do País. É fácil, é cómodo, é barato.
Muito mais barato do que ir de comboio, na verdade – o que diz muito sobre as prioridades nacionais em matéria ambiental. Aliás continuamos a ter quatro sedes de distrito sem acesso total ou parcial à via férrea.
Muito bem! 👍🏻 Aprecio deveras que não seja como o frei Tomás.
Os expressos, de facto, prestam um óptimo serviço. São limpos, confortáveis e, mais importante de tudo, são pontuais. De e para as grandes cidades são uma óptima alternativa para individuos sozinhos ou casais. Para famílias, o automóvel particular compensa largamente (não existem bilhetes de grupo aos fds, como noutros países).
Tem razão, o comboio funciona pessimamente em Portugal. Apesar disso tento sempre que possível, para ficar sempre decepcionada. É o único meio de transporte no qual viajo com prazer.
Este país que passou anos e anos iludido com a “alta velocidade” continua a ter quatro capitais de distrito sem serviço efectivo de ferrovia (Bragança, Vila Real, Viseu e Beja), praticamente não tem ligação com Madrid por via férrea e mantém a sua maior zona turística, o Algarve, servida quase em exclusivo por automotoras dos anos 60.
Portalegre também não tem comboio.
Toda esta conversa sobre comboios é muito bonita, mas o triste facto é que a orografia de Portugal, e a localização das suas cidades (quase todas sobre montes), não se compaginam com comboios, os quais têm muita dificuldade em subir declives acentuados (devido às rodas em metal terem pouca aderência aos carris e escorregarem neles). Comboios são uma coisa muito boa em países planos, como os da Europa do Norte, e países que tenham as cidades localizadas em planícies. Por exemplo, na Alemanha, a estação central de cada cidade localiza-se usualmente mesmo no centro da cidade. Em Portugal tal é quase sempre impossível, dado que o centro da cidade é geralmente no topo de um monte. Viseu ou a Guarda são casos claros disto que digo.
Muitas pessoas não têm noção do facto de que Portugal é um dos países mais montanhosos da Europa. Embora os montes não sejam muito altos, Portugal é um sobe-e-desce constante.
Não diga isso. A Suíça tem uma orografia muito mais complicada que a nossa e é servida por uma impecável linha ferroviária.
Tal como já lhe expliquei, é falso que a Suíça tenha uma orografia especialmente complicada. Entre as montanhas do Jura, a Norte, e os Alpes, no centro e Sul, estende-se o vasto planalto suíço, que é onde se encontram as maiores cidades suíças (Genebra, Lausanne, Berna, Basileia, Zurique, St Gallen). Todas estas cidades têm um ou outro pequeno monte mas, em geral, são cidades planas e rodeadas de planalto.
Mesmo nos Alpes, no Sul, há vales extensos a separar as montanhas. Por exemplo, o Berner Oberland é separado dos Alpes Peninos pelo extenso vale do Ródano, onde se situam mais algumas cidades (Sion). Esse vale é perfeitamente plano.
Nada tem a ver com a orografia de Portugal que, embora não tenha montanhas nem de longe tão altas como as suíças, é sempre aos altos-e-baixos, praticamente sem terra plana.
Sim, toda a gente sabe que Portugal tem uma orografia muito mais acidentada do que a Suíça.
Está assim explicado por que motivo os socialistas, no poder há 20 anos dos últimos 27, foram incapazes de fazer chegar o transporte ferroviário regular a Beja, Bragança, Portalegre, Vila Real e Viseu.
Está explicado por que motivo havia mais ferrovia operacional neste país no tempo da monarquia do que existe agora, com este governo tão “amigo do ambiente”.
O cozinheiro sendo de Vila Nova de Poiares que é considerada a capital da chanfana, está bem entregue. Costuma lá haver anualmente o “Festival da Chanfana”.
Joaquim Moreira (F. Foz)
Não tenho a menor dúvida quanto a isso. Genuína mesmo.
Grato pelo seu comentário e pela dica que aqui deixa. Tentarei ir à próxima edição do festival, onde nunca estive.
Um abraço aí para a Figueira, terra que considero minha também.
Embora, segundo creio, a chanfana seja um prato originário do interior do distrito de Coimbra, também é muito usual em restaurantes na Bairrada, tipo, zona de Águeda. Embora as pessoas tenham a ideia de ir à Bairrada só para comer leitão, também se come por lá excelentes chanfanas.
Bem sei, embora eu seja daqueles que optam pelo leitão quando vou à Bairrada. Mas em Coimbra também se come excelente leitão. No Joaquim dos Leitões.
Boa tarde!
Desculpe questionar, mas o Zé Manel dos Ossos fechou em definitivo? Estive lá há pouco tempo. Obrigada
Garantiram-me que sim. E, de facto, a porta estava fechada e bem fechada.
Mas se eu estiver enganado rectifico, com todo o gosto.
Caramba, tenho que visitar. Só como chanfana uma vez, num dia em que não estava com disposição, ainda por cima…
Excelente, garanto. Preço desta iguaria: 9 euros.