Cheguei a Coimbra a hora já tardia para o almoço, cheio de apetite. Ia com vontade de matar saudades do Zé Manel dos Ossos, mas deparei com a porta fechada: está encerrado para férias.
Virei logo ali, à Rua da Sota. Eram quase 15 horas, entrei num restaurante ainda operacional que me pareceu com bom aspecto.
– O que há? – pergunto.
– Agora já só temos o menu do dia: sopa e frango.
– Venha isso.
E veio, sem demora. Comidinha caseira, como gosto. Sopa de legumes, frango na púcara (muito bem servido). Talhada de melão à sobremesa. Um jarrinho de vinho. Mais pão (que não comi) e café (que não bebi).
Tudo incluído: sete euros e meio.
Isto na baixa de Coimbra, onde por estes dias circulam muitos turistas estrangeiros. Comprovando que, a norte de Lisboa, os preços nos restaurantes caem – por vezes vertiginosamente. Enquanto a qualidade tantas vezes aumenta.
Dois países dentro do País.

Acima do Douro idem aspas
Mais ainda.
Easy, ou, não tarda, estarão também na corrida para a “aquisição” da Gronelândia.


Eheheh. Essa tem mesmo de ser ‘fake news’. Não dá para acreditar.
(Saudações coimbrãs aqui do Terreiro da Erva.)
🙂
já pescaste (ou tinhas pescado) as espinhas da antiga igreja?
Já pesquei. Segui a tua dica.
wann’another dica?
(observa os azulejos da Sé Velha e os de Santa Clara-a-Velha… 🙂
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there are strong reasons to
E, ah!, Pedro, por detrás do Paço das Escolas existe um vestígio Visigodo 🙂
Grazia tanta, Alessandra!
Tirada ontem
https://vorph.blogs.sapo.pt/230133.h tml
Que maravilha. Mas não deve ter sido fácil, essa subida.
Obrigado, Pedro
. Fácil não foi. Mas fantásticas são também as noites, dormidas sob as estrelas.
Logo vi que andavas atrás da pinguça de Foz Coa
Tenho sido muito regrado. Não ando muito bem do estômago desde que comi uns peixes do rio

Ah, as melhoras então… Como não encontrei chá e torradas, toma lá uma coxa

Obrigado. Estou todo picado. Só de calções, no meio do mato. Vamos lá a ver se não apanhei nada de muito f….
Fiquei a saber que o Padre da terra lixou a Santa Casa em 2 milhões de euros. Todos sabem. Hoje foi a sua última missa, a abarrotar de fiéis. Um excelente homem, dizem, que nunca fez mal a ninguém. Bolsei, ligeiramente. Merda de gente. São bons apenas por não terem a coragem para serem piores. Cobardes.
Se há coisa onde o Marques de Pombal tinha razão era no seu ódiozinho de estimação à padralhada. O resto já não sei mas essa evidência nunca lhe escapou.
V. só pode gostar de Coimbra. Que ergueu estátua ao Mata-Frades no largo que lhe serve de frontaria.
Os locais mais virados para o turismo subiram os preços. Deve ser das tretas da Coruja e yelps e tal.
No périplo por Coimbra não pode falhar aquele magnífico empreendimento em frente ao Parque da Cidade. Aí não há Coutinhos para mandar abaixo. É tirar fotos.
Come-se bem na Rua dos Gatos.
Come-se bem, sim: bom e barato.
O que mais estranho é o divórcio entre a cidade e o rio. Ontem, passeando ao longo do Mondego, não vi um só barco – num dia quente de Verão. Eis uma potencialidade turística totalmente desaproveitada. Tal como a frente ribeirinha: o parque Manuel Braga, mal a noite cai, mergulha na solidão. Pensei que houvesse por ali animação, bares, música ao vivo: não vi nada.
Só mais duas estátuas desde a minha anterior visita: a de António Arnaut (inaugurada com ele ainda vivo) e a de Manuel Alegre.
tu e as estátuas…

Elas é que proliferam como cogumelos. Coimbra parece ter especial tendência para erguer estátuas e bustos já não só a mortos mas também a vivos.
Nenhuma ensombra, no entanto, a do Mata-Frades, no Largo da Portagem. Cheia de pombos, que lá vão cumprindo a sua função.
ok, elas proliferam como cogumelos mas eu sei que tu andas de óculos especiais, daqueles very SciFi, e que as catas a todas, todinhas…
aliás, desconfio que fazes férias para descobrir mais para a colecção! Esta, ou outra,
Estas quase tropeçaram em mim ontem à noite. Num parque da cidade quase deserto em noite de Verão – a dois passos do centro, à beira do curso do Mondego, mas com uma espécie de taipais de obras a separá-lo do rio. Acentuando o divórcio entre a cidade e o Mondego. Isto em pleno Verão, caramba.
E se até fará sentido o busto a Arnaut, que era natural de Penela, concelho pertencente ao mesmo distrito, já não me parece tão natural a estátua de corpo inteiro a Alegre, natural de Águeda (portanto, do distrito de Aveiro).
Por ter vivido e estudado em Coimbra? Tantos poetas aqui viveram – a começar por Camões. E Sá de Miranda, Garrett, Castilho, João de Deus, Antero, Junqueiro, Pessanha, Nobre, Pascoaes, Régio, Nemésio, Torga, Ruy Belo e Assis Pacheco, entre muitos outros.
Pedro,
Sabes tão bem quanto eu a resposta: o Arnaut criou, com uma equipa (ainda persiste aquela ideia do super-herói, que das equipas não reza a História), o SNS, e era maçon. Tratar-se de um busto talvez tenha maior relevância que uma estátua de corpo inteiro (simbolicamente, revelará até mais força, por se aproximar com maior verosimilhança do indivíduo que representa…). O corpo, também simbolicamente, estará sempre mais associado às “fraquezas” (…).
Another dica: existe um livrinho com o percurso maçónico à Coimbra (assez intéressant!): basicamente, todas as ruas levam a/à (_________________ / _________________ )*
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(preencher de acordo com o pensamento mais imediato 🙂
by the way, esse divórcio cidade-rio sempre existiu, até para a separação das margens, a cidade imponente de um lado e os ‘arrabaldes de segunda’ do outro, ainda hoje com resquícios de uma separação que coloca o rio ao nível de um oceano, as margens, a milhas transatlânticas (trust me!)
o rio é, basicamente, lugar líquido para a fruição dos desportos d’augas, durante o resto do ano (adeptos da canoagem, do remo, as voltinhas até Penacova, o Basófias – a barca, i mean – para turismo; acredita que consegue andar cheio, mas no Verão esta malta pira-se para outras bandas, daí o aparente “esvaziamento” a que estás a assistir 🙂
na incrivelmente estúpida época da Queima também atiram com carrinhos de supermercado lá para dentro – diz que se tornou desporto quase olímpico! – isto, quando não estão ainda em coma alcoólico e se atiram eles/elas.
foi sempre assim…
A zona de bares e restauração está fechada há anos. Cheias, má construção, seguros, essas coisas. Enquanto esteve aberta estendeu a vida nocturna àquele local.
Pessoal no rio é na margem esquerda, caiaques, padle(?), vela, malta a banhos.
E rotundas pá? Tantas, de diversas formas. Ex-libris.
Mas em rotundas Viseu ganha o campeonato. A última vez que lá estive teimei em conta-las. Mas desisti por cansaço à rotunda 57.
O Manuel Alegre tem uma estátua? E há foto?
Só tiro fotos a reis.
Ainda não inaugurei a série de estátuas dos poetas.
“Ainda não inaugurei a série de estátuas dos poetas.”
Alguma objecção?
Da minha parte? Não, de todo, antes pelo contrário, a ansiedade para que lhe dês início – à série de estátuas dos poetas – é de tal ordem imensa que não sei como aguardar sentada de modo elegante: cruzando as pernas, colocando-as de lado, como as altezas, seguindo o protocolo. Estou nesta fadiga de indecisões, Pedro, mas talvez opte por pular e saltar de alegria, até que a série chegue
Vê-se logo que não és pomba, com tamanha aversão a estátuas.
Sim, se há terra que se perdeu no tempo foi Coimbra (pronto, carreguem em cima do Robinson) 🙂
Os preços descem, a qualidade sobe… Fica uma questão: e porque não aumentar um pouco os valores e oferecer melhores condições (a qualidade já lá está) a produtores, fornecedores e colaboradores? 😉
Boas férias,
P.S.: por acaso em Coimbra nem sou grande adepto da restauração, mas de Poiares para cima…
Há três restaurantes de que gosto muito em Coimbra. Mas, de facto, não se compara com a gastronomia de outras cidades – desde logo Braga e Évora, por exemplo.
Há uns tempos que não vinha cá. Acho enfim a cidade mais dinâmica, mais rejuvenescida – mesmo sendo tempo de férias escolares. Pena os grafitos por toda a parte, a sujidade ainda em excesso e a péssima relação com o rio – tanto de dia como de noite.
“e a péssima relação com o rio – tanto de dia como de noite.”
Tantas vezes tive essa discussão, mas para os conimbricenses esse parece um problema que não se coloca.
Braga é Braga mas Guimarães… Guimarães não fica para trás, mesmo em restauração. Aliás, todo o Minho e Trás-os-Montes. Évora tem-me dado boas e más experiências, mais más que boas. Ou me fico por um junto à estação ou vou mesmo até Estremoz e arredores.
Sim, em todo o Minho. Barcelos não fica atrás. Nem Viana.
Em Évora comi a melhor sopa de cação (no Medieval), os melhores pezinhos de coentrada (no Luar de Janeiro) e o melhor javali estufado com castanhas (no Dom Joaquim) que até hoje tive o privilégio de provar.
Em Coimbra, fico-me pelo leitão e pela chanfana – petiscos que sou incapaz de comer em Lisboa ou no Porto. Com incursões à lampreia em Penacova (na época dela) ou às enguias em Montemor.
Sou exigente na perspectiva de Churchill: contento-me simplesmente com o melhor.
P. S. – Verifico que outras pessoas têm a mesma perplexidade que eu quanto ao rio. Os lisboetas reconciliaram-se com o Tejo, os portuenses já acorrem ao Douro. Falta aos coimbrinhas “descobrirem” o Mondego.
Já que vai a Barcelos, não deixe Esponsende para trás: “Foz do Cávado” ou a “Lareira” em Fão.
Viana, nada como a boa comida e animação no “Maria de Perre”. Já se comeu melhor na Pousada.
O “Dom Joaquim” gosto, experimente “A Cadeia” em Estremoz. E olhe que no Convento do Espinheiro também não se come mal… O “Vinho e Noz” também é óptimo e a simpatia acompanha. Pequeno, distante do centro (faz-se a pé) e agradável.
Lampreia só mais para norte e enguias, Ribatejo com elas ou em casa 🙂
Churchill é que a sabia, e pelos vistos o Pedro também…
P.S.: não tenha dúvidas, até porque, está mesmo em cima da cidade. Cidades que falámos aproveitaram o rio como ninguém, Viana, Esposende e até Barcelos.
Obrigado pelas dicas. Já tomei nota.