«Com cinco gravidezes e cinco partos naturais, nunca me senti diminuída nem antes, nem durante, nem depois. Amamentei todos os meus filhos ao peito, a última dos cinco até bem tarde (nem vou dizer até quando porque provavelmente iriam cair carmos e trindades) e nem por isso deixei de trabalhar e muito. As considerações sobre as incumbências da mãe esquecem quase sempre as incumbências do pai. Assim como as considerações sobre os períodos de gravidez e pós-parto esquecem a protecção que todos, como sociedade, deveríamos dar à família. Não é um luxo, é apenas bom senso: o futuro reside nessa possibilidade de criar um filho com condições para o fazer. Mas em países como o nosso, em que a educação é o que é, as mulheres alombam com as fatias grossas: a maternidade é para muitas mais um peso e não pequeno na vida. Que é como quem diz, a grande diferença entre os homens e as mulheres é que elas é que vão ter os filhos. Se assim não fosse outro galo, em muitos muitos poleiros, cantaria…»
Da nossa leitora Marta. A propósito deste texto da Ana Margarida Craveiro.
«Nunca entendi a necessidade de um acordo ortográfico internacional quando ainda nem sequer se fez um acordo nacional que corrija as assimetrias que existem de Norte a Sul como por exemplo, aquela coisa da troca dos bês pelos vês. Faz mais sentido a fêmea do boi ser a baca do que o cidadão do Egito ser o egípcio, pois se a regra é mandar tirar o que não se pronuncia (que neste caso até se pronuncia) não se entende porque é que não se manda escrever o que se pronuncia e não se acaba com a ditadura dos vês imposta há séculos ao povo do Norte em directa contradição com o que falam.
Perante as decisões e indecisões dos outros e a enorme resistência que existe cá ao Acordês, dever-se-ia inverter o status quo rapidamente pois é mais que evidente que nos enfiaram um grande barrete.»
Da nossa leitora Teresa Castelo. A propósito deste meu post.

Corrigir as assimetrias regionais da língua??? AHAHAH Não lhes dêem ideias, porque eles aproveitam todas as ideias mais… como dizer… estravagantes.
Tem razão Vasco. É melhor meter a biola no saco
Boa noite, Pedro. Aproveito para deixar aqui os meus agradecimentos pelo seu comentário em resposta ao meu e mais uma vez me maravilhar com a qualidade deste esplêndido blogue. A diversidade de assuntos sempre actuais e interessantes, como importantíssimos. Também a faculdade de se poder expressar as nossas ideias ao comentar interagir e haver esta sã “discussão” de todos, e entre todos, de qualquer assunto, com a devida resposta dada simpática , tolerante e também pertinente. Muitos anos de vida aos autores e ao blog, em si. Obrigado pela leitura que nos (me), proporcionam ! Boa semana a todos
Obrigado eu, Fátima. Em nome de todos os ‘delituosos’.
🙂 Uma boa noite, a todos. Muito obrigado!
Faz mais sentido a fêmea do boi ser a baca do que o cidadão do Egito ser o egípcio
Não. O que se passa é que no Norte a letra v lê-se b, e como tal deve ser (e é) lá ensinado. O que acontece é que há duas letras que, na pronúncia do Norte, se lêem da mesma forma – o que não justifica que uma delas seja eliminada. Da mesma forma que em castelhano ou em catalão essas duas letras se lêem da mesma forma – mas permanecem letras diferentes. Da mesma forma que em alemão f e v se lêem da mesma forma, ou ch e g (em certas palavras), mas permanecem distintos.
Ninguém pediu a eliminação do “v” que também existe no Norte (excepto no Mirandês) e está bem de saúde, obrigada. Fiz uma comparação tomando o betacismo como exemplo pelo que o seu comentário não tem nada a ver.
Ninguém pediu a eliminação do “v”
Foi Você quem escreveu que Faz […] sentido a fêmea do boi ser a baca… Implicitamente, isso está a dizer que faria sentido eliminar o “v”…
nem por isso deixei de trabalhar e muito
Não entendo o que pretende a Marta defender: que as mulheres deixem de ter direito a férias de parto?
O facto de a Marta ter, eventualmente, conseguido trabalhar muito durante o período da amamentação (pergunto-me a mim mesmo se levava a bebé para o escritório ou fábrica onde trabalhava…) não força as outras mulheres a conseguirem também fazê-lo.
“o futuro reside nessa possibilidade de criar um filho com condições para o fazer.”
Isso não tem nada que ver com as mulheres ficarem ou não diminuídas na gravidez. Ficam. Umas mais que outras. E não tem problema nenhum, é natural. Seria estranho é que não afectasse.