«Nós já fomos assim.
Nos países islâmicos, vive-se com a mentalidade que tínhamos até há 150/200 anos. É essa a única diferença. Que acarreta consequências graves, sem dúvida.
A maior parte do povo islamita não sabe o que é a liberdade de expressão, por isso, não a entende. Os grandes culpados por esta situação são os líderes religiosos islâmicos (que tinham obrigação de estar melhor informados e acalmar a população) e os ditadores, a quem interessa manter o povo ignorante. Também isso já aconteceu connosco.
Resta-nos dar uma prova de maturidade e ter paciência com estes excessos. Claro que quando a nossa própria segurança é posta em causa, não nos podemos limitar a olhar. Mas evitar provocar era já uma melhoria.»
Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto do José Navarro de Andrade.


Excelente comentário. Estou 100% de acordo com a Cristina.
NSFW
http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-g allery-femen-opens-foreign-office-in-par is-fotostrecke-87582-2.html
Acreditando na boa-fé de quem escreveu esse texto, sou obrigado a não concordar com aquilo que está subentendido.
Quem souber um pouco de história, sabe que nunca fomos assim, ou seja e penso que a autora se refere ao cristianismo e ou cultura ocidental, nunca nos portamos assim, nem nas cruzadas e aí era guerra declarada, nem mesmo nos descobrimentos. Então dizer que fomos iguais à 150 anos de uma ideologia violenta do século VI, é ser ligeiro e mostrar desconhecimento da realidade.
Pior só quando no final do texto diz que se deve evitar provocar, estará a autora a pedir-nos auto censura?
Concordo. Essa mania de que já fomos iguais a islamitas tira qualquer criatura séria do sério.
A polìticamente correcta , òbviamente pacifista , e , sem qualquer dúvida, bem – intencionada senhora, já terá ouvido falar no conceito “relação de forças”?…
Deveria enviar o angelical texto ao czar actualmente em exercício na Santa Rússia , para escarmento, esclarecimento e iluminação do espírito da criatura…
Sou pacifista, mas recuso o epíteto de “politicamente correta”, que me cheira sempre a hipocrisia e eu não sou hipócrita.
E tenho dúvidas, sim. Por exemplo, qual será a atitude correta neste caso. Apesar de ser a favor da tolerância e do diálogo, admito que é uma situação difícil e não gostaria de ver a minha segurança ameaçada. O que até pode acontecer, pois vivo num país em que há milhões de muçulmanos (a Alemanha). Apenas rejeito juízos de valor, do estilo: nós somos bons e eles maus. A nossa sociedade ocidental está cheia de defeitos e injustiças, Portugal é, neste momento, um dos melhores exemplos.
Quanto ao “czar actualmente em exercício na Santa Rússia”, estou plenamente de acordo consigo.
As acções dos homens, muitas vezes, não são lineares. Nas sequelas do 25 de Abril de 1974 -não foi assim há tanto tempo- a hierarquia religiosa do Norte, deste País, repetidamente mobilizou populações com álibis religiosos. Os hereges eram os “mouros” e os comunistas …. Felizmente tudo acabou na “luta” política, por muito tortinha que esteja.
Entretanto a “luta” do Charlie Hebdo não é contra nenhum Maomé ou contra nenhum Islão.
Não é uma questão religiosa.
Curiosamente é uma “luta”, também, pelos direitos de aqueles povos.
(1) Não há muitos anos (creio que uns 20), a Igreja Católica em Portugal tentou que fosse eliminado um cartaz de propaganda do Centro Comercial das Amoreiras no qual se exibia uma imagem de uma senhora com um bebé ao colo. Igualmente nãoi há muito tempo, um filme “Je vous salue Marie” foi objeto de violenta censura por parte da Igreja Católica. Muitos outros exemplos poderiam ser dados.
(2) No século 16, a captura do imperador inca pelas tropas de Pizarro foi feita após uma tentativa de conversão que correu mal. Mal o imperador atirou com uma bíblia para o chão, Pizarro deu ordem para avançar com as tropas. Ou seja, mal o imperador se portou mal para com o objeto sagrado do cristianismo, foi cruelmente castigado por esse facto. Mais uma vez, múltiplos outros exemplos similares poderiam ser dados.
fait-divers não fazem teoria cultural.
O fanatismo e o extremismo cristãos existiram durante séculos e ainda existem (nos Estados Unidos, por exemplo).
As cruzadas eram guerra declarada, mas foram os cristãos que começaram. Bem, é verdade que, antes disso, os muçulmanos, partindo da Arábia, conquistaram todo o norte de África, subiram à Península Ibérica e só pararam em Poitiers. Mas as cruzadas não foram uma resposta a essa ofensiva, começaram quase trezentos anos mais tarde, supostamente, para libertar a Terra Santa das mãos dos infiéis e tornar os caminhos mais seguros para os peregrinos. Na verdade, incluía-se, nesse processo, um braço de ferro entre o papa e o patriarca do Império Bizantino (questões entre cristãos, portanto).
Claro que há 150 anos o mundo era muito diferente do existente no século VI, mas, até quase ao início do século XX, em muitas regiões da nossa civilização se viveu em condições medievais (não só materiais, como espirituais).
Hoje em dia, um cartoon, ou um filme, viaja quase à velocidade da luz até ao outro extremo do globo. Antigamente, os crentes, tanto de um lado, como do outro, só destruíam símbolos que considerassem ofensivos quando estes se encontrassem ao alcance das suas mãos, o que era raro (a não ser em situações de guerra). E atos desses estavam longe de ter repercussão mundial.
Não há dúvida de que vivemos numa era perigosa, mas acho que não é provocando que vamos lá. Não estou a falar de censura, mas de respeito e cuidado, sobretudo, tendo em conta que as mentalidades são tão diferentes.
“O fanatismo e o extremismo cristãos existiram durante séculos e ainda existem (nos Estados Unidos, por exemplo).”
Demonstre lá isso dos EUA.
“As cruzadas eram guerra declarada, mas foram os cristãos que começaram”
Deve estar a gozar. As Cruzadas e não “supostamente” foram para libertar a Terra Santa.
“Claro que há 150 anos o mundo era muito diferente do existente no século VI, mas, até quase ao início do século XX, em muitas regiões da nossa civilização se viveu em condições medievais (não só materiais, como espirituais).”
Você esqueceu-se certamente da mais mortífera e assassina exportação europeia, foi no Século XX e chama-se Comunismo. E foi muito pior que medievalismo.
“Não há dúvida de que vivemos numa era perigosa, mas acho que não é provocando que vamos lá. Não estou a falar de censura, mas de respeito e cuidado, sobretudo, tendo em conta que as mentalidades são tão diferentes.”
Ou seja para si recompensa as reacções violentas hoje, mas depois tem a lata de condenar as reacções violentas dos cristãos à centenas de anos atrás.
Você só quer autocensura porque há violência.
Nos EUA há fundamentalistas cristãos que CENSURAM certos livros escolares, nomeadamente, aqueles que têm a ver com a teoria da evolução de Darwin. Nos EUA há militantes da extrema-direita (conotadas com o cristianismo extremista) que já levaram a cabo atentados à bomba, numa tentativa de “limpar” o país. Todos esses cristãos extremistas são racistas.
Quanto às cruzadas, se insiste nessa libertação da Terra Santa, estamos conversados.
O Comunismo, como exportação europeia, tem bases numa sociedade cristã!!! (E não me venha dizer que é um sistema contra a religião, que eu já sei; vivo num país, cuja metade viveu sob ditadura comunista durante mais de quarenta anos).
Ao condenar reações violentas dos cristãos de antigamente apenas pretendo demonstrar que, de violências de parte a parte, está ela por ela.
Admito que o mundo ocidental amadureceu, privilegia a paz e dificlmente se deixa levar por provocações; nisso estamos à frente, sim, felizmente!
“Respeito e cuidado”. Cheira a medo. Brincar, caricaturar, ler mais do que um livro, entre outras coisas, faz parte da nossa cultura e da nossa liberdade. Se há alguém que não convive bem com isso, paciência.
Claro que tenho medo. O Vasco não tem?
A única diferença é que eu o admito, enquanto outros o escondem por trás de atitudes violentas.
Exatamente: “paciência”!!!
Causa-me mais medo quem se censura a si próprio para tentar respeitar gente que, se levassem a melhor, não a respeitariam por um segundo que fosse, e muito menos deixariam a Cristina chegar perto de um computador para expressar a sua opinião tolerante e simpática. Lembre-se que no Egipto, que até é um buraco com alguns laivos ocidentais, mulheres repórteres são frequentemente insultadas, humilhadas e mesmo agredidas quando fazem coisas tão simples quanto estar a filmar uma reunião. E sobretudo não vale a pena comparar os defeitos da cultura ocidental com as sociedades dominadas por regimes islâmicos: “aaah, não sei quê nós também temos defeitos e injustiças…”. Ora bolas.
No meu texto (comentário da semana), também censuro os líderes religiosos e os ditadores dos países islâmicos. Não há dúvida de que todos baseiam o seu poder em regimes inenarráveis, sem respeitar qualquer tipo de direito humano, mantendo o povo ignorante e fanático.
Eu não me/nos censuro de nada, só digo que ninguém é perfeito.
Invertamos os papéis: se, no Irão, fosse publicado um vídeo, mostrando cenas pornográficas entre Cristo e Maria Madalena, não acha que nalguns países católicos haveria protestos mais ou menos violentos? Na Europa, talvez não, mas, por exemplo, na América do Sul, onde as pessoas são mais conservadoras nesse aspeto, não sei…
Excelente comentário.
Em empatia me encontro da primeira à ultima frase.
Acho que devem ir viver para o meio deles então, para matar saudades. Não somos compatíveis.
Importam-se de nos situarmos no mais importante? Deve haver ou não auto censura? Para nossa salvação imediata e egoísta, deveremos olhar para o lado e fingir que não é nada connosco? Ou devemos ajudar a salvar a Democracia e os direitos humanos? Não permitindo censura, pois quem se sente ofendido, poderá recorrer ao poder judicial. Atenção que a ideologia islâmica se está a espalhar pelo Mundo e não é por mérito seu, mas pela ocupação silenciosa e pelo terror. Hoje até no Brasil a Justiça de São Paulo, proibiu na google o filme de maomé Isto sim é perigoso.