Começar a casa pelo telhado


Sérgio de Almeida Correia,

A leitura do Despacho normativo n.º 11-A/2011, de 27 de Julho, do senhor ministro das Finanças, sem prejuízo das diversas considerações que tece, apresenta, fundamentalmente, uma única justificação para o aumento do preço dos transportes: “os níveis tarifários praticados encontram-se em níveis muito abaixo do custo efectivamente incorrido na prestação do respectivo serviço público, resultando em avultados défices operacionais crónicos, os quais serão suportados, inevitavelmente, e em última instância, por todos os contribuintes portugueses“.

 

Admito que seja verdade e que aquilo que hoje se paga seja pouco em atenção aos custos operacionais, o que desde logo pode justificar alguma coisa. Só que o que em meu entender faria sentido seria primeiro apresentar um programa de redução dos custos operacionais e de promoção da eficiência, para se saber onde se pode melhorar, e só depois ajustar os preços.

 

Sem se saber por onde se escoa o dinheiro e onde se podem obter ganhos de eficiência, fazer o reajustamento dos preços “a olho”, com base em pressupostos que em última instância podem radicar na pura e simples má gestão, parece-me o mesmo que estar a colocar, para pôr isto numa linguagem simples e por todos perceptível, “a carroça à frente dos bois”.

 

Todos sabemos como são as coisas: os preços depois de aumentarem nunca mais descem, ainda que amanhã se reduzam os custos operacionais do serviço.

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