Chamar os monstros pelos nomes verdadeiros


Rui Rocha,

O nome é um bem intrínseco de todos os seres humanos. Constitui um suporte de identidade social e subjectiva, um instrumento de afirmação de individualidade e um referencial  do amor próprio de cada um. Mas, deve ser também um elemento central da responsabilização pelos actos que merecem censura. Isto é, todos temos direito a ter um nome. E à protecção jurídica do bom nome. Mas, importa ainda que se concretize um direito (ou um dever, se quisermos) do e ao mau nome. Uma das características das personalidades transtornadas é o comportamento fantasioso. E, muitas vezes, a fantasia organiza-se a partir do nome. Um borra-botas tresloucado chamado Francisco Leitão não passa disso mesmo. O mesmo borra-botas sob o nome de fantasia de Rei Ghob tem o potencial de destruição de um monstro. Por isso, parece-me completamente deslocado que, no tratamento mediático dos crimes imputados a Francisco Leitão, se faça invariavelmente referência ao nome de fantasia – Rei Ghob – e não ao nome verdadeiro. Não me parece que os meios de comunicação devam fazer eco da fantasia destruidora congeminda pelo monstro, até para não estimular a vertigem da desgraça de outros que andam por aí prontos para cerregar no gatilho. Se, como tudo indica, Francisco Leitão cometeu os crimes de que é acusado, é simultaneamente um dever e um direito imputar a culpa que lhe couber ao seu (mau) nome verdadeiro. E se, por acaso, for inocente, é ainda ao seu (bom) nome verdadeiro, e só a esse, que é devida protecção.

10 comentários em “Chamar os monstros pelos nomes verdadeiros”

  1. Totalmente de acordo…aliás no mesmo sentido há muito venh propondo ao ministério da Educação que nos compendios de história, se faça refª a José do Telhado pelo seu verdadeir nome: José Manuel de Castro Pinto ( da familia dos Pintos).

    Posso referir mais?

      1. É fantasia…
        Alcunha que me foi “doada” na prisão de Alcoentre .
        pelos meus companheiros de cela…. diziam ( agora vejo com razão) que tinha a mania de ser intelectual…. Mania mesmo…. desfeita depois de vos ler … e aos calssicos ,sinto que sou mesmo semi… alcunha que passei a usar …

        Meu nome de baptismo e crisma: é Artur Mendes
        um criado às suas ordens.

          1. ‘Tá vendo sr Rocha… sou mesmo semi…quasi total… escrever “calssicos ” em vez de classicos…

            Com tanta vergonha vou matricular-me nas Novas Oportunidades e tirar o diploma da 4ª …
            Juro Sr Rocha. Daqui a uns tempos VExcª vai admirar meus comentários …

            Mas mal lhe pergunte: devemos coninuar a chamar meu colega de Zé do Telhado?

  2. A minha pergunta é simples: considera que devia ter sido aplicado o mesmo critério a Isabel Alçada o conhecido pseudónimo da Ex-Ministra da Educação? Nenhum jornal a tratou pelo seu nome de baptismo

    Nuno Rocha

    1. O post destinava-se a actos de criminosos ou tresloucados. Isabel Alçada terá feito muitas asneiras mas, claramente, não está naquele grupo. Em todo o caso, não vejo nenhuma razão atendível para um Ministro ser referido pelo pseudónimo.

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