
Milhares de portugueses estão a ser prejudicados pela greve nos comboios mas, olhando para os meios de comunicação, o assunto nem sequer existe. O pequeno período de férias foi perturbado e, no fim-de-semana da Páscoa, os turistas que se aventuraram para Sintra ou Cascais viajaram em condições dignas de uma república das bananas. Horários suprimidos, o caos nas estações, os passageiros sem informação, as raras composições tão repletas como comboios indianos. O fenómeno é nacional. As greves estendem-se por semanas, o prejuízo é incalculável, a sabotagem económica evidente: os sindicatos ligados ao PCP sabem que não terão os aumentos que exigem, o governo sabe que não vai tomar nenhuma decisão que atinja os grevistas, a oposição finge que não vê. Os cidadãos afectados são aqueles que não têm carro e precisam do comboio, os turistas que desistem de fazer turismo, os comerciantes que perdem negócio, enfim, são também aqueles que, pagando os seus impostos, deixam de ter os serviços que pagaram. Existe direito à greve, mas esta luta não é mais do que chantagem. Veremos os efeitos políticos no eleitorado dos bairros suburbanos a desviar-se da esquerda directamente para a extrema-direita. A vida dos habitantes destas zonas tornou-se um inferno quotidiano e a bolha político-mediática está-se nas tintas.
imagem: Night Café

”O Comboio Apitou Três Vezes” dvd
São curiosas as críticas expressas neste post, e noutras opiniões emitidas por pessoas conotadas com a direita política, contra as greves nos transportes coletivos. Quando se tratou da greve dos enfermeiros, há uns anos, ou quando se trata da greve dos professores, atualmente, as pessoas conotadas com a direita não criticam tanto – ou, frequentemente, até apoiam deliberadamente e claramente as greves.
Que mal fizeram os trabalhadores dos transportes, relativamente aos professores e aos enfermeiros, para assim merecerem o desfavor da direita política?
Será que os trabalhadores dos transportes, tal como outros trabalhadores, não têm o direito de lutar contra a degradação do seu poder de compra que lhes está a ser imposta pela atual inflação?
Existe direito à greve, mas esta luta não é mais do que chantagem.
Porque é chantagem?
Os trabalhadores nem sequer estão a fazer greve: eles apenas se estão a recusar a trabalhar horas extraordinárias. Qualquer trabalhador tem direito a tal.
Muito piores e muito menos honestas têm sido as greves dos professores e dos oficiais de justiça, que também têm prejudicado milhares de pessoas e que também têm sido pouco faladas.
“…..a sabotagem económica evidente: os sindicatos ligados ao PCP sabem que não terão os aumentos que exigem…..” ???
E os outros sindicatos não ligados ao PCP?
Luís Naves leia o artigo de Opinião, de João Miguel Tavares, ‘O Comboio de Sindicatos que paralisa a CP’, de 2 de Março, no “Público”, e aponte quais são os sindicatos ligados ao PCP e os que não são por poderem ficar zangados consigo quanto à sabotagem económica.
E continua a mesma cena do ‘ligados ao PCP’.
José da Silva
Vejo que alguns leitores não costumam viajar de comboio
Se se refere a mim, está errado: eu costumo viajar de comboio (embora não para ir diariamente para o trabalho) e sou e tenho sido prejudicado por estas greves.
E conheço pessoas que viajam diariamente de comboio, as quais são ainda mais prejudicadas que eu.
Mas o facto de ser prejudicado não me impede de fazer esta pergunta simples: por que raio tanta raiva contra os trabalhadores dos comboios que, com toda a legitimidade, se recusam a trabalhar horas extraordinárias, a pontos de se os acusar de estarem a fazer “chantagem”, e tanta benevolência para com os professores e os oficiais de justiça que realizam greves self-service de legitimidade altamente questionável?
E mais questiono: não deveria a CP fazer novos horários, com menos comboios, que abarcassem somente comboios que possam ser realizados sem recurso a horas extraordinárias, em vez de estar a anunciar a realização de comboios que depois acabam por ser suprimidos ao deus-dará? Não seria melhor a CP adaptar-se às condições que a recusa de horas extraordinárias impõe, em vez de estar a fazer de conta que todos os comboios se realizarão?
Eu preferia ter menos comboios, mas saber que eles se efetuarão, do que ter mais comboios, mas estar sujeito à sua supressão sem aviso prévio!
Da minha parte está enganado: foram 35 anos nos comboios da linha de Sintra.
Nos comboios antigos que até dava para andar pendurado nos estribo por irem cheios e com uma greve dos maquinistas de 15 dias seguidos (1985) sem serviços mínimos com uns autocarros alternativos que só funcionavam para levar, mesmo atrasados, para o trabalho, e no regresso a casa ficavam reduzidos a meia dúzia. E nunca se soube quem fomentou aquela greve dos maquinistas de um sindicato independente, que até constou estarem a ser subsidiados pela cia.
Infelizmente uma parte substancial das entidades sindicais do país está nas mãos de partidos políticos como o PCP. Como consequência as greves aparecem quase sempre com motivações políticas e não como verdadeiras reivindicações. Por exemplo no caso dos professores, foi preciso o PCP e BE levarem um valente tombo nas últimas eleições para aparecerem em peso, como se naqueles anos da geringonça não existissem nenhuns problemas.
Luis e a greve dos enfermeiros promovida pela bastonária, e a greve dos camionistas de materiais perigosos, e a greve dos estivadores que provocaram o caos na exportação da auto europa.
Então o pcp e o be com tão fraca percentagem de eleitores consegue activar esta grande greve/movimento dos professores?
Está, então, a querer dizer que o pcp e o be vão voltar a ter de regresso os votos que perderam para o ps.
Meu caro toda a gente sabe que a maior central sindical do país é controlada pelo PCP, toda a gente sabe que o sr que está à frente da fenprof é do PCP e que o rapazito do stop foi da JCP, depois do BE e entretanto é dum tal de MAS (um movimento socialista mas que nada tem que ver com o PS). Adicionalmente o congelamento de carreiras que é “só” uma das grandes bandeiras destas manifs já existe desde há muitos anos mas, curiosamente (ou não), foi ignorado durante os anos de romance da extrema-esquerda com o PS tendo todo o barulho eclodido já após o divórcio e a estrondosa derrota dos extremistas face aos socialistas. Tendo em conta tudo isto não acha no mínimo suspeito o timing de tudo o que se está a passar? Enfim acho que, sobre o controlo dos sindicatos estamos conversados.
Sobre o regresso aos votos e a influência ou poder do PCP e BE nas decisões acho que tocou num ponto muito importante. É verdadeiramente inacreditável como é que partidos ridiculamente pequenos na AR conseguem depois influenciar tanto o país mas isso devemos não só a radicalização de muitos dos sindicatos nacionais mas também ao dr Costa que, para salvar a sua pele após ser derrotado em eleições contra o dr Passos, engendrou a geringonça e permitiu este absurdo. Enfim, vivemos numa selva de interesses e xico-espertos, de políticos sem escrúpulos e que se estão completamente a ca**r para o país e é por isso que estamos onde estamos e, infelizmente na direita também há muitos destes tipos, oh se há!
Luís
“Infelizmente uma parte substancial das entidades sindicais do país está nas mãos de partidos políticos como o PCP.”
Infelizmente porquê? Se os sindicatos estivessem noutras mãos não teriam problemas como os que estão, agora, a fazer greve?
O que não falta são sindicatos, vulgo amarelos, para se impor aos do pcp, mas parece como diz o outro ‘falam, falam. mas não os vejo fazer nada’.
Entretanto os jatinhos das viagens secretas andam por todos o lado com Suas Excelências para ir ver a bola.
A meu ver o direito à greve não deve ser absoluto. Se os trabalhadores passam o tempo todo em greves, repetidamente, começam a comprometer as suas responsabilidades contratuais e paricularmente estas empresas que prestam serviços públicos em regime de
monopólio comprometem o contrato social e o seu estatuto de utilidade pública (sem o qual pagariam muitos mais impostos).
E depois há a questão de que estes trabalhadores quando fazem greve não prejudicam os seus patrões (como é suposto a greve fazer): prejudicam os seus clientes que são clientes à força. Mais uma canalhice do bando de facínoras que os comunistas são.
O V. não sabe para que é uma greve.
A greve não é para prejudicar o patrão, quer seja privado ou publico, a greve é para obrigar atender determinadas justas reivindicações que não foram e poderiam ser atendidas.
O V. lembrasse da greve dos enfermeiros, promovida pelo sindicato dos enfermeiros cuja presidente é agora a bastonária? Essa greve foi para quê? Era extensiva ao sector privado da saúde? Parece que não, e os enfermeiros do sector privado até estavam a ganhar menos no privado por fazerem 40 h.
Desculpe lá, mas a lógica da greve é criar uma situação de prejuízo. É uma chantagem. Se não o Nogueira não mandava os profs fazer greve aos exames e as greves passavam a ser feitas durante o fim de semana para não prejudicar o trabalho.
Pensa que eu sou parvo ou quê?
Não creio que os ferroviários precisem do PCP para repararem que ganham mal e não foram aumentados conforme a inflação.
Voltamos ao tempo em que quem não nos era agradável era comunista. Não usa por acaso botas de elástico?
jo, pior que usar botas de elástico é ter havido um bater de palmas quando das últimas eleições ‘agora é que eles acabaram’ e afinal as greves continuam.