Os enviados das mesmas televisões que preenchem o tempo a perorar sobre os presos de consciência em Angola desembarcam em Cuba e desdobram-se em salamaleques perante o “líder histórico” que ali instaurou uma das mais ferozes e persistentes ditaduras do planeta, denunciada em todos os relatórios de organizações como a Amnistia Internacional e os Repórteres Sem Fronteiras. Nem um aludiu à existência de dezenas de presos políticos na ilha-prisão, governada há quase 58 anos por dois irmãos que controlam com mão de ferro o aparelho do Estado, submetendo ao seu ditame todas as instituições políticas, a magistratura e as forças armadas. Nem um fez o mais remoto reparo à inexistência de partidos políticos, de uma imprensa livre, de manifestações contra o Governo e de qualquer outro direito cívico e político – começando pelo épico direito à greve tão idolatrado pelos émulos castristas cá do burgo.
A palavra ditadura foi banida do discurso jornalístico dominante. Ou só é utilizada quando dá jeito, com uma chocante duplicidade lexical em função de indignações muito selectivas. Quando tanto se fala em crise de jornalismo, eis mais um factor que a justifica: a persistente incapacidade dos jornalistas de chamar as coisas pelos seus nomes.
Imaginam um repórter estrangeiro a visitar Portugal nos anos 60, embargado de emoção, a chamar “líder histórico” a Salazar? Pois. É precisamente isso.

![14585471917856[1].jpg 14585471917856[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2016/20008776_HDwOF.jpeg)
O Pedro tem que ter em conta o contexto.
Os jornalistas são (têm que ser, por motivos profissionais) subservientes ao poder político. Os jornalistas estão a acompanhar uma viagem presidencial a um país estrangeiro. Não é precisamente nesse contexto que os jornalistas vão “dar uma facada nas costas” ao presidente, pondo-se a criticar esse país estrangeiro. Se o fizessem, certamente que o presidente sofreria alguns embaraços na sua visita de Estado.
Os mídia portugueses criticam não raras vezes o regime cubano, mas é normal que não o façam enquanto estão a reportar sobre uma visita presidencial a Cuba.
Camarada Lavoura
O camarada não vive neste planeta….
Leu as criticas ferozes dos Jornais/TVs Norte Americanas reportadas por alguns jornalistas que acompanharam Obama a Cuba?
Porquê non te calas… Quer o camarada dizer : – Se o nosso Maior fosse à Venezuela ,os jornalistas teriam de “não comerem” , porque não há lá papel para limpar o c*!
Não li as críticas dos jornais norte-americanos porque não leio esses jornais (nem os portugueses leio, quanto mais os norte-americanos!). Mas não me surpreende que jornais norte-americanos critiquem a visita de um presidente europeu a Cuba…
Mas os jornalistas portugueses regem-se pelos parâmetros portugueses e não pelos norte-americanos.
E se o presidente um dia fôr à Venezuela (e é possível que vá, dada o enorme número de portugueses que lá vive), também convirá que os jornalistas portugueses não se ponham precisamente nesse momento a dizer mal de Maduro… sob risco de causarem grave embaraço ao presidente e de não serem convidados por Marcelo aquando da próxima viagem.
Camarada Lavoura
Então não lhes chame Jornalistas ( c/J grande), diga que são antes como” el perro”:His Master Voice!
…
Fico ansioso para ler as reportagens dos ditos cujos, quando o nosso Maior for visitar a Coreia do Norte!
Diz Lavoura em resposta a “am”:
“Mas não me surpreende que jornais norte-americanos critiquem a visita de um presidente europeu a Cuba…”
Escreveu “am”:
“Leu as criticas ferozes dos Jornais/TVs Norte Americanas reportadas por alguns jornalistas que acompanharam Obama a Cuba?”
Haja pachorra…
Vai sendo tempo de o referido comentador reunir enfim as suas (dele) obras completas, constituídas pelas apreciações que vai fazendo aqui e ali em inúmeras caixas de comentários.
Pode até publicá-las em forma de pensamentos. Hoje em dia edita-se de tudo um pouco.
Sigo o Luís Lavoura há uns anos por essas caixas de comentários todas (“sigo” é óbviamente uma força de expressão pois acho que ele é que me segue ou, melhor dizendo, persegue…).
Faz-me espécie que uma pessoa que eu sei que não é parva acabe a fazer por sistema determinadas figuras tristes (sei que não é parvo porque tenho “ligações mais ou menos directas” ao local de trabalho do dito).
Ainda muito recentemente produziu algures por aí na blogosfera determinadas considerações de uma insensibilidade tal que só conseguiu ser ultrapassada pelo profundo desconhecimento das histórias de vida que lhes estão subjacentes.
Admito por vezes que em determinadas circunstâncias haja quem defenda o indefensável na expectativa de caír nas graças dos poderes do momento.
Mas isso é uma visão curta pois para lá dos “poderes do momento” estão habitualmente os “poderes de todos os momentos”…
Um grande abraço
Um abraço, meu caro.
Dada a constante e há muito insistente desconstrução do discurso, piruetas, contradições, ânsia de ser do contra, discordar de tudo e todos de rompante e sem o mínimo de coerência, seria bom que o Luís Lavoura um dia destes esclarecesse a blogocoisa lusa sobre a sua actividade profissional (sob pena de julgarmos que é mais um abrantino, mas quiçá sem avença, dada a miséria do discurso).
Espere sentado, André Miguel.
Comece o André Miguel por nos dizer o seu nome completo e por postar um fac-símile do seu cartão de cidadão e da sua folha de vencimentos. Também todos nós que o lemos temos o direito de saber quemn exatamente é você. Não temos nada, que diacho, de andar a debater as suas ideias sem sabermos quem as defende, não é?
Mídia? Que raio são os mídia?
Mídia é paleio de iliterados militantes.
Alguns dos quais acumulam. São também militantes iletrados.
Prostitutos/as, eis tudo.
Trabalhadores sexuais é o que quer dizer?
Convém usarmos palavras politicamente correctas antes que apareçam aí as patrulhas ideológicas. Trabalhadoras/es sexuais parece-me bem. Apesar de em Cuba, como toda a gente sabe, não haver nada disso.
Aproveito a oportunidade para ir mais fundo na questão.
E a questão é:
– Será que o regime que rege o mundo ocidental é uma verdadeira democracia? Será que um regime que agrava as desigualdades, que há muito canibaliza o terceiro mundo, que manipula, invade, destrói países inteiros terá moral para criticar outros regimes?
Temos de ser lúcidos e corajosos para derrubar este e outros mitos e construir uma outra via que, essa sim, possa condenar e combater todos estes regimes desumanos.
João de Brito
Será que um regime que atira um grafiteiro para a prisão durante um ano por ter escrito as palavras Fidel e Raúl no lombo de dois porcos é uma “verdadeira democracia”? ews/2015/10/cuba-release-of-graffiti-art ist-must-herald-new-approach-to-dissent/
https://www.amnesty.org/es/latest/n
Será a Europa onde vigora a liberdade de expressão uma ditadura?
um regime que atira um grafiteiro para a prisão durante um ano por ter escrito as palavras Fidel e Raúl no lombo de dois porcos é uma “verdadeira democracia”?
Não é, claro. Porém, devo dizer que coisas desse jaez também são punidas em muitos outros países que às vezes são considerados “verdadeiras democracias”. Por exemplo, em muitíssimas monarquias, se você desenhar o rei de formas desrespeitosas pode meter-se em sarilhos. Lembro-me de um caso aqui ao lado, onde um cartoonista desenhou o rei a cobrir a rainha por detrás e o caso acabou (salvo erro) com a publicação apreendida.
Meter a democracia espanhola e a ditadura cubana no mesmo saco. Uma verdadeira bimby ideológica.
Ditadura monetária é (porque os governos eleitos pelo povo deixaram).
Não sei o que é uma ditadura monetária. Sei o que é uma ditadura. Ponto, sem adjectivos.
“Temos de ser lúcidos e corajosos para derrubar este e outros mitos e construir”
E que tal começar pelo seu comentário? Eu sei que é o mais puro acto “troll”, mas como muita gente nos lê e acredita nas barbaridades que aqui se escrevem, vou ceder à tentação.
Julgo que vxa deverá calcular que as suas duvidas sobre a democracia só as pode colocar aqui porque talvez seja o único regime do mundo actual que o deixa fazer. Já pensou nisso?
Quanto às desigualdades, não existe um único indicador que confirme que se têm agravado desigualdades, pelo contrário, milhões de pessoas saem todos os anos da pobreza a que estavam entregues. Se não quiser acreditar nesses números e na prosperidade que hoje se vive face à que se vivia há 100 anos, bom, então afinal temos vida extraterrestre entre nós.
A canibalização do “terceiro mundo” é feita e somente feita pelos seus. Claro que não vivem sozinhos, num mundo de contrários todos zelam pelos seus interesses e normalmente não são totalmente convergentes. Dito isto, não conheço maior forma de racismo e menosprezo por um povo quando numa só afirmação se infantiliza uma população inteira, os seus lideres e as suas responsabilidades no mundo pelos males que lhes acontecem. Já chega, os povos do chamado “terceiro mundo” há muito que têm nas suas mãos forma de mudarem os seus destinos, se não mudam não é por falta de oportunidades mas por falta de vontade, e, interesse.
Por último a moral. Na política internacional moral é apenas arma de arremesso político, nada serve, nem nada demonstra e é subjectiva à circunstância e à cultura de quem a profere. O que a nós nos parece imoral, a outros é simplesmente costume. Os Estados servem-se a si próprios e aos seus cidadãos, hoje a moral serve para nós, amanhã não, talvez para a semana funcione para atacar um país que nos diz pouco.
“… construir uma outra via que, essa sim, possa condenar e combater todos estes regimes desumanos.”
João de Brito
Palavras semelhantes saíram de assassinos e de seus defensores ao longo da História.
Da ditadura cubana pode dizer-se hoje, sem fugir à verdade, que é um regime assassino.
O homem!, essa azia verde anda a dar cabo de si e do Delito de Opinião!
Recomendo-lhe aguinha termal. Verá que lhe faz bem.
“Temos de ser lúcidos e corajosos para derrubar este e outros mitos e construir uma outra via que, essa sim, possa condenar e combater todos estes regimes desumanos.”
Creio que foi Bernard Henri Levy que incentivou em tempos a “malta nova” a ajudá-lo a mudar o mundo, terminando com um inesperado “ide!” (e não com o esperado “vamos!”).
As pessoas gostam de dizer “temos que”, muito em especial quando estão à espera que outros o façam (ou mais provávelmente não estão à espera de nada mas acham que devem dizer coisas bonitas e que lhes tragam uma boa consciência antes de ír para a cama).
Mas esta ideia é boa: cada vez que algo não me agrade passo a dizer que está mal e há que procurar uma nova via.
E se alguém me pedir sugestões disfarço o não ter a mais pequena ideia.
Não posso é fazer isto na frente dos netos, ainda me gozavam…
Muito bem, meu amigo. Vou destacar este seu comentário.
Não só diz bem, como mais haveria a dizer de um jornalismo que compete em reproduzir sem chama nem crítica os lugares-comuns do dia.
Limitaram-se a dizer que o dos afectos até riscou parte do que tinha escrito.
Adivinhem como adivinharam tal coisa!
A panelinha das passeatas de Estado.
O lugar-comum é inimigo do jornalismo: aprendi isto com alguns dos melhores jornalistas de sempre.
E no entanto hoje verifico que o jornalismo está transformado numa interminável avenida de lugares-comuns.
Muito bom post, só falta referência à vergonhosa beija-mão de um Presidente da Republica Portuguesa ao Assassino “Líder Histórico” Fidel Castro.
Como os jornalistas Portugueses noticiam Cuba:
– Ditador é chamado de Líder.
– Refugiados são chamados Dissidentes
– Pobreza e Falhanço é chamado Embargo ou Bloqueio
– Violência Política é chamada Segurança
– Atraso Civilizacional é Romantismo dos carros dos anos 50 e edifícios de época
– O povo Cubano em vez de ser Pobre, Oprimido e Explorado pelo Regime é ao invés Orgulhoso.
– Fidel Castro precisa de médicos espanhóis mas a Saúde Cubana está muito desenvolvida.
E nunca se viu uma foto de um dos milhares de Cubanos afogados ao tentarem fugir de tal “Líder Histórico”. E nem de uma criança afogada numa praia.
Não vá estragar a propaganda do Jornalismo Marxista.
As crianças que morrem nas Caraíbas não são notícia. Só as que morrem no Mediterrâneo.
Indignação selectiva.
Cada vez mais chocante, esta duplicidade de critério.
Há ditadores que acumulam com ofício de criminosos, passo a redundância.
Todavia, alguns deles, emocionam e embevecem. São usados com orgulho em tshirts e na mais desvairada panóplia prop-comercial.
Claro que Fidel está vivo.
Depois, se verá.
Mas a prop-comercial e o romantismo de socialistas e comunistas, não deixará de o iconizar. Qual che guevara, outro espelho de misericórdia e compaixão. Dois santos (fuziladores) – pois.
Cada um iconiza o que quer. O jornalismo não deve iconizar ninguém. A partir desse momento torna-se outra coisa, já não jornalismo.
rematando comentário antecedente: eis os mistérios das fezes!