Maria José Nogueira Pinto disse ontem, à SIC, que a inclusão de António Preto na lista de Lisboa não punha em causa a necessidade de o próximo governo reabilitar a ética, “uma vez que está a concorrer ao Parlamento e não ao governo”.
Curiosa esta posição da ex-líder centrista. Quando um partido defende a ética, apenas a aplica a membros do governo. Os deputados podem ser corruptos, fugir aos impostos, traficar droga e, se calhar, até ser pedófilos, porque não põem em causa a seriedade do governo, formado pelo partido que indicou essa gente para o Parlamento e obteve a maioria.
Esta desvalorização das listas de deputados e a tentativa de branquear a decisão de MFL, insistindo que nada têm a ver com a formação de um futuro governo, tem vindo a ser veiculada, com alguma insistência, por alguns apoiantes de MFL.
Para além de hipócrita – todos sabemos que os governos são maioritariamente formados a partir das listas de deputados – esta posição é perigosa para a democracia. Ao desvalorizar o papel da AR, transmite-se a ideia de que o acto eleitoral tem afinal pouca importância e que a eleição não é para escolher deputados, mas sim um líder. Pervertem-se as regras da democracia, mitigando-as com práticas do Estado Novo, onde o papel dos deputados se resumia a marionetas sempre prontas a virar a cabeça para o lado que o chefe mandasse.
Não me admira que MJNP e MFL apreciem o género mas, ao dizê-lo de forma tão explícita, estão a dar um sinal claro ao eleitorado: se o PSD vencer as eleições, a democracia passará a ser uma mera figura decorativa. Com MJNP a desempenhar um cargo ministerial, obviamente.
Para Portugal ser um circo, apenas faltam os palhaços… mas candidatos ao lugar não faltam. Como a Brites, por exemplo…

Nem mais.