Com 15 meses de atraso


Pedro Correia,

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Azeredo Lopes viu-se enfim forçado a cessar funções como ministro da Defesa. Marcha com imenso atraso depois de se ter coberto de ridículo em todas as intervenções públicas a propósito do inenarrável folhetim de Tancos, que pôs em causa a autoridade do Estado e manchou a instituição militar. Incapaz de retirar as consequências políticas que se impunham no momento exacto, o inapresentável ministro foi-se arrastando no posto sem perceber que já ninguém o levava a sério. Sai empurrado pela pressão dos editorialistas de turno e obviamente por intervenção do Palácio de Belém, que já tinha sido decisivo para fazer eclipsar de cena outra figura inapresentável, a ex-ministra da Administração Interna.

 

Permitam-me a autocitação, que surge a propósito. A 11 de Julho de 2017, escrevi estas linhas no DELITO: «Constança de Sousa e Azeredo Lopes, detentores de pastas ministeriais ligadas à soberania e representação do Estado, estão a mais no Executivo. Ela desde o dia 18 de Junho, ele desde o dia 30. O facto de se manterem em funções constitui uma prova viva da existência de um inaceitável padrão de duplicidade ética neste Executivo.»

Ela agarrou-se ainda mais três meses ao umbral da porta, ele manteve-se à deriva durante 15 meses, incapaz de reconhecer que não reunia condições mínimas para permanecer em cena, dada a sua manifesta fragilidade institucional. Como se não tivesse havido incúria do Estado nos dramáticos incêndios florestais de Junho, como se a honra e a dignidade das Forças Armadas fossem questões menores.

 

Cada vez aprecio mais João Soares, o único ministro deste Governo que saiu pelo seu pé, sem ser empurrado. Pelo simples motivo de ter prometido duas bofetadas a um par de comentadores no Facebook.

Podem acusá-lo de muita coisa, mas jamais de duplicidade ética. Disse o que disse, arrumou as gavetas do seu gabinete e foi-se.

24 comentários em “Com 15 meses de atraso”

  1. Boa noite Pedro Correia.
    Formalmente, foi ele que apresentou a demissão.
    Vamos aguardar, mas desde Belém a muitos outros lugares, está quase tudo em modo de contenção de estragos, quase em modo de emergência. A nossa sociedade está muito doente, e sabem que se abanarem muito as árvores a fruta cai quase toda, está muito podre.
    O doa a quem doer é conversa. Houve um sargento e uns taratas, agora o ministro, mas acredite que estão a tentar que a coisa passe o melhor possível. A esta hora o actual SEDNacional já deve estar convencido que tem de se chegar á frente.
    António Cabral

    1. Meu caro: formalmente, são sempre eles quem pede a demissão. Em certos casos combinam até uma entrevistinha com um jornal amigo aproveitada para “confessar” que já tinham vontade de sair do governo há imenso tempo.

  2. Concordando, acrescentaria que quem apouca, sobretudo, a honra e a dignidade das Forças Armadas são as chefias militares pardas que por lá ainda espreitam….afinal , dizem-nos, a responsabilidade política dos ministros da defesa é menor que em outras pastas ministeriais. A tropa não aprecia civis armados ao pingarelho….ou seja não grama quem lhes paga os jogos de guerra e os apartamentos postos a alugar.

    Ministério confirma que major Brazão subarrendava apartamento das Forças Armadas.

    Quem lá está a mais é o Buda do Chiado…..Governo indica deputado do PS para a administração da ERSE

          1. Tem toda a razão – se bem que nos últimos meses o tenha sido sem ser, não nos vamos agora prender com tempos verbais…

      1. Gravata, graveto, não engravatado… para eng(r)avetado espero que não haja motivo, ou o caso será um golpe ainda mais profundo no ethos das forças militares.

  3. PONTO E NÓ
    A pergunta deve ser renovada, e em vez de se procurar quem sabe ou soube, questionar quem é que de nada sabia principalmente lá no topo e intermédios das hierarquias.
    Se Costa não sair também e já, segue daqui um elogio ao retrato do seu descaramento, mas a culpa não é dele.
    Antes de novo depoimento na próxima terça-feira do Major Vasco Brazão ninguém é capaz de perguntar ao chefe do governo cara a cara se foi informado e sabia da coisa fosse qual fosse a via e a forma?
    Não me falta muito para suspeitar que Marcelo também não estava tanto assim a leste da prancheta do desenho.

      1. Respeitável opinião. Contudo, tenha a certeza que pelo menos o nosso “Delito” nunca assistiria impávido e sereno a uma tal varredela. Um valioso crédito sem favores.

  4. Tenho muita fé que a Ministra Ana Gomes ( a Justiceira) estátuada no Largo do Rato
    irá recuperar o abalado prestigio do Exercito.

    Aos Submarinos!

    Ou será o Cesar dos Açores?

    Amendes

    3ª classe IP

  5. Se se abana muito a árvore ” a fruta cai quase toda” . Assim foi, caro anónimo de 12/10, (23,53). Ou é vidente ou está muito bem colocado. Hoje caíu muita fruta. Quando é que cai a árvore juntamente com o resto?

  6. Quando comprei o meu primeiro automóvel a prestação consumia-me os últimos resquícios do rendimento mensal.
    Poucos meses depois o azar bateu-me à porta e após uma travagem mal calculada amassei o para-choques na trazeira de uma carrinha de caixa aberta. Fiquei triste ao ver o meu património naquele estado e pedi um orçamento de bate-chapa. O melhor preço que encontrei de 35 contos, valor que tornou o restauro impossível antes de receber o subsídio de natal.
    Como ainda faltavam uns meses ainda tive tempo para mais, acreditem…, duas batidas no mesmo painel.
    Quando finalmente os planetas se alinharam e conseguir os fundos necessários para a reparação avancei satisfeito para o bate-chapa. Com a demora já tinha poupado 70 contos. Nada mal.
    A demissão do Sr. Azar(edo) fez-me lembrar desta história. Durante os últimos 15 meses António Costa também foi acumulando amolgadelas no prestigio das Forças Armadas, mas com tanta panada acabou por poupar duas ou três demissões do Ministro da Defesa. Nada mal.

  7. No dia 28 de abril de 1974 estava na Escola Militar de Paço D`Arcos. Recebi instruções de que iria sair da Unidade com uma missão ” caça ao PIDE”.
    Achei graça à missão que me foi incumbida.
    Mas levantei o armamento e preparado para o que acontecesse.
    Nada aconteceu porque a missão foi abortada.
    Regresso ao armeiro para a devolução do armamento. Para meu espanto recebo informação do militar que estava na receção que faltava um carregador e respectivas munições. Disse-lhe que era mentira e que tudo o que levantara, entregara e fui à minha vida.
    Passada uma semana sou chamado ao Comandante da Unidade que diz: Tem 24 horas para entregar o material que falta ou vai para trás das grades.
    Questionei: PQP onde vou encontrar esta porra. Vou para a feira-da-ladra e qual seria a imagem de um militar perante as feirantes que logo queriam saber o que se passava. Contei a minha “estória” e esta em 5 minutos arranjaram-me 100$00, quando o meu problema não estava no dinheiro.
    5 passos à frente, no cimo do casão militar, um café, um carregador de G3 na parede, entro e pergunto: O que está aquilo ali a fazer? Atrapalhado, o sr. do café…oh homem quer vender-me aquilo, qual o preço? 50$00. De carregador na mão, feliz da vida, volto a cruzar-me com as feirantes que sentiram a minha felicidade, vou para a EMEL, entro na secção e digo: FDP transmite ao Comandante que esta porra estava detrás de um armário e quanto às munições o meu irmão regressa da Guiné e carrega um kilo delas para te entregar. Nunca mais fui incomodado, mas está-me na garganta.
    Moral da “estória”
    A arma de serviço que levantei era uma FBP e o carregador que comprei na feira-da-ladra era de G3.

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