Muito do jornalismo que temos de gramar é de um simplismo e de uma ignorância marcantes. Por exemplo, e para ficarmos por um tema não polémico, há dias, num telejornal (já não posso precisar em que canal aberto), passou uma reportagem sobre a moda das tapas em Lisboa e aquilo era de uma indigência aflitiva. Atiravam-se as culpas para a crise, como se andar a tapear não saísse caro, ou na vizinha Espanha não houvesse esse hábito entranhado e independente da crise e, além disso, a coisa era apresentada como uma descoberta, ignorando-se que, em inúmeros estabelecimentos, e de há imenso tempo, se servem entradas ou petiscos que em nada diferem das tapas, locais esses onde muita gente se fica por esses pratinhos (por exemplo, e para ir do Algarve ao Minho, no algarvio Paixanito, no minhoto Panorama, em Melgaço, ou no eborense Fialho, ultimamente falado por razões tristes), ou que já se realizou até, em Marvão, um concurso de pinchos e tapas medievais…
Há qualquer coisa de profundamente errado com a informação. As componentes entretenimento e espectáculo ganharam dimensão, ao passo que o rigor, a independência e a investigação, que dão mais trabalho e compensam menos, vão sendo descartados. A consequência deste estúpido caminho é a inexorável descredibilização dos media, que já está ao nível da dos políticos em geral e dos governantes em particular. É por isso que as pessoas confiam cada vez mais nas suas próprias pesquisas na internet, na sua busca permanente de informação credível, em detrimento desta espécie de «informação» que lhes é dada por instituições «de referência»…
Mas ainda há pessoas a ver os telejornais e a ler os jornais diários? Pensei que ainda não tinham reparado na autêntica intoxicação diária de lixo informativo que assola este país. Desde as (ex) maminhas da Angelina Jolie ás unhas encarnadas da Princesa, passando pelo aviso de greve nº49850 das centrais sindicais. Admiro-me como é que se continua a formar jornalistas num país onde o jornalismo deixou de existir….
Não há democracia sem jornalismo. A decadência do jornalismo acompanha – ou precede – a decadência do jornalismo. Mas não é como diz: há bom jornalismo em Portugal. Escrito e falado. Há é necessidade de separar o trigo do joio.
E temos ainda as traduções . No restaurante onde hoje almocei tive que gramar um telejornal , algo que em casa nunca me aconteceria .
A certa altura falava-se de um assassínio algures num país de língua inglesa e da prisão do assassino , que já tinha confessado . E a peça terminava comunicando-nos que o sujeito “será eventualmente julgado” .
Não sabem inglês e não pensam , portanto nem a noção do ridículo podem ter quando traduzem .
Nota – como informação complementar , para quem necessitar , “eventually” quer dizer que acontecerá de certeza num momento do futuro .
E era o daquele da UGT que foi para o lugar do Proença?
Não se confirma que seja esse. Nem o Chalana.
A pilosa já me incomoda os tímpanos e põe-me vesgo.
A mim incomoda-me a pituitária.
Deixa lá. Há dias o DN online tinha em destaque a mudança de verniz da princesa das Astúrias…
Essa também merece destaque. Dos folhetins do Eça ao verniz da Letizia: todo um percurso centenário do DN.
O Toni tem sempre boa imprensa. Os jornalistas são quase todos uns gandas benfas. Calma, calma, eu disse quase 😉
Muito do jornalismo que temos de gramar é de um simplismo e de uma ignorância marcantes. Por exemplo, e para ficarmos por um tema não polémico, há dias, num telejornal (já não posso precisar em que canal aberto), passou uma reportagem sobre a moda das tapas em Lisboa e aquilo era de uma indigência aflitiva. Atiravam-se as culpas para a crise, como se andar a tapear não saísse caro, ou na vizinha Espanha não houvesse esse hábito entranhado e independente da crise e, além disso, a coisa era apresentada como uma descoberta, ignorando-se que, em inúmeros estabelecimentos, e de há imenso tempo, se servem entradas ou petiscos que em nada diferem das tapas, locais esses onde muita gente se fica por esses pratinhos (por exemplo, e para ir do Algarve ao Minho, no algarvio Paixanito, no minhoto Panorama, em Melgaço, ou no eborense Fialho, ultimamente falado por razões tristes), ou que já se realizou até, em Marvão, um concurso de pinchos e tapas medievais…
Também vi essa das tapas. Digna de antologia, a vários títulos.
e então? era mesmo grande?
Fiquei sem saber porque mudei de canal.
Há qualquer coisa de profundamente errado com a informação. As componentes entretenimento e espectáculo ganharam dimensão, ao passo que o rigor, a independência e a investigação, que dão mais trabalho e compensam menos, vão sendo descartados.
A consequência deste estúpido caminho é a inexorável descredibilização dos media, que já está ao nível da dos políticos em geral e dos governantes em particular.
É por isso que as pessoas confiam cada vez mais nas suas próprias pesquisas na internet, na sua busca permanente de informação credível, em detrimento desta espécie de «informação» que lhes é dada por instituições «de referência»…
Não serei eu a desmenti-lo.
Mas ainda há pessoas a ver os telejornais e a ler os jornais diários? Pensei que ainda não tinham reparado na autêntica intoxicação diária de lixo informativo que assola este país. Desde as (ex) maminhas da Angelina Jolie ás unhas encarnadas da Princesa, passando pelo aviso de greve nº49850 das centrais sindicais. Admiro-me como é que se continua a formar jornalistas num país onde o jornalismo deixou de existir….
Não há democracia sem jornalismo. A decadência do jornalismo acompanha – ou precede – a decadência do jornalismo. Mas não é como diz: há bom jornalismo em Portugal. Escrito e falado. Há é necessidade de separar o trigo do joio.
E temos ainda as traduções .
No restaurante onde hoje almocei tive que gramar um telejornal , algo que em casa nunca me aconteceria .
A certa altura falava-se de um assassínio algures num país de língua inglesa e da prisão do assassino , que já tinha confessado .
E a peça terminava comunicando-nos que o sujeito “será eventualmente julgado” .
Não sabem inglês e não pensam , portanto nem a noção do ridículo podem ter quando traduzem .
Nota – como informação complementar , para quem necessitar , “eventually” quer dizer que acontecerá de certeza num momento do futuro .
Casos como esse, todos somados, davam uma série interminável aqui no DELITO.
Digo sempre isto: os nossos telejornais mereciam uma análise sociológica!
É verdade, meu caro. Cada vez mais.