Foi quando andava errante por esse mundo virtual fora à procura de coisa nenhuma em especial que os meus olhos aterraram em pérolas da ortografia nas caixas de comentários das edições online dos jornais portugueses e em páginas de apoio e lamentos no Facebook, rabiscos que quase me provocaram uma apoplexia, uma taquicardia súbita e a hipertensão em flecha ou deverei dizer ‘flexa’? E depois do choque inicial, ou será ‘iniçial’?, pus mãos à escrita e fui registando num caderninho virtual estas facadas certeiras nesta língua que também é a nossa Pátria. Seguir-se-ão pois os primeiros cinquenta pontapés na ortografia e na gramática, cinquenta assassinatos violentos, cinquenta bordoadas nesta nossa língua de Camões e de Drummond de Andrade, de Craveirinha e de Mia Couto. E não me interpretem mal, lapsos todos temos, vogais e consoantes trocadas enquanto teclamos furiosamente e levamos a escrita à frente do matraquear furioso pode acontecer a qualquer um, mas o que se segue, será ‘çegue’?, não são lapsos, são dores na alma, setas envenenadas nesta nossa língua de onde vemos o mar. Fiquem atentos.
Cinquenta bordoadas na língua de Camões
cronicasnofeminino,

Excelente ideia, Leonor. Serei um dos muitos leitores atentos desta tua nova série.
Obrigada, Pedro.
Se perdemos o Escudo…. porque não “troçalo” um bom çaralho ou çarilho?
Um grande çarilho mesmo 🙂
Ainda ontem ouvi a professora do meu filho a dizer “d’zóito” em vez de “dezoito”. Quando eu lhe fiz notar o erro, disse-me que era a pronúncia do Sul.
Depois na ráio ouvi falar da “côlidade” e de “côrenta”. Deviam querer dizer “qualidade” e “quarenta”.