Cinco breves notas de viagem (2)


Sérgio de Almeida Correia,

  

De repente, ao longe, surge nítida no horizonte uma imponente parede branca. De um lado as montanhas da Jónia, no meio um vale fértil, e do outro lado, protegendo a memória de Hierápolis, a deslumbrante luz do Pamukkale.

Quando se molha os pés nesta água morna que sai do ventre da montanha e corre límpida e cristalina por aqueles terraços calcários, quando se percorre a extensa passadeira de madeira que a acompanha até ao Necrotério, antes de se avistar a assombrosa Porta de Domiciano, com os seus três arcos e duas torres, enfim, quando do alto daquela massa imensa de travertino se mergulha num final de tarde simples e tranquilo, é difícil que alguém não se sinta esmagado, que não fique emocionado. Eu não sou excepção.

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