Os adeptos do acordês, não contentes com a caça às supostas consoantes mudas, disparam agora contra as consoantes sonoras. Entre tais caçadores, para espanto de alguns, figura o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Lendo o penúltimo dos seus discursos reproduzido no portal desta instituição, tropeçamos logo na terceira linha com a inenarrável expressão “vários deles tinham contatos esparsos recíprocos” (o destaque a negro é meu, com a devida vénia).
Se a ideia era afastar leitores, devo dizer que o objectivo foi plenamente conseguido pela parte que me toca. Não passei da terceira linha, não fosse levar com outro disparo deste chumbo tão grosso. E até me arrependi de ter ido tão longe. Ficam os leitores avisados para não cometerem o mesmo erro que eu.

Também já tropecei no “setário” (por “sectário”).
… eh eh, essa não cola.
Bom discurso e bom link para Harold Pinter: L0
http://www.youtube.com/watch?v=PH96tuRA3
Em compensação, vejo por aí escrito “contracto” a torto e a direito. É o que dá estar sempre a mudar as regras da língua, só cria confusão.
Poças ou possas, Ana!
As contracções são coisas muito complicadas:
http://www.infopedia.pt/lingua-portugues a/contracto
Valha-me Deus, alguém me ilucide. Please.
Ah! E enquanto insistir nesta bodega, a Porto Editora não me vende nem um mata-borrão, lhes garanto.
Fátima, aí é que está o busílis: a palavra existe com as duas grafias, mas em contextos diferentes. “Contracto” refere-se a contracção, “contrato” refere-se a contratação. Em acordês passam a escrever-se da mesma maneira, “contrato”, o que só complica e faz aumentar a confusão.
(já agora, esperando que não se zangue comigo, é “elucidar” e não “ilucidar”. foi uma gralha, certamente)
🙂
De maneira nenhuma, eu é que agradeço!
Foi certamente. Às vezes escrevo depressa demais e só depois é que dou fé da asneira, o que não quer dizer que não tenha sérias dúvidas várias vezes.
Principalmente não tendo formação específica em “línguas”, vejo-me, e agora mais do nunca, a vacilar entre uma ou outra expressão.
O caos foi instalado, sem dúvida.
Costumo dizer que tenho uma quarta classe bem feita. Será?
Ana,
também já vi pessoas a escrever “contracto”, assim como “conflicto”, e tudo na ânsia de não escrever “acordês”. Depois sai asneira mascarada de erudição, tipo “hombro”, como usou (mal) antes de 1911.
Mas eu concordo com o Pedro Correia, embora pelos motivos opostos: não se entende porque motivo a palavra “contacto” consta no vocabulário do ILTEC.
As únicas pessoas que pronunciam aquele /c/ mudo são aquelas que também pronunciam o /c/ mudo do “contracto” que Deus tem.
Inenarráveis!…
E a pobre RTP continua até à exaustão “veja se sabe esta…”
O Manu Chao dizia “infinita tristeza”. Eu digo: infinita pobreza!!!
Lembro-me que no outro dia recebi uma mensagem pelo skype onde se lia: Não terá impato.