
Esta reportagem da revista The Economist já tinha sido o tiro de partida. Agora a Moody’s vem logo atrás iniciando o processo de descida do rating da França. Neste momento os mercados consideram que a moeda única foi um embuste e que nenhum país do sul da Europa, nem sequer a França, tem capacidade para isoladamente pagar as dívidas que contraiu. Como não parece que os países do Norte, com a Alemanha à cabeça, tenham a mínima intenção de assumir essas dívidas, seja através de eurobonds, seja por outra via qualquer, é evidente que todos estes países irão cair como peças de dominó. E a sua queda no abismo ocorrerá, independentemente das inúmeras medidas de austeridade que todos os dias lançam sobre os seus cidadãos, em ordem a ficar bem vistos perante os mercados. Os mercados não se tranquilizam com a austeridade. Tranquilizam-se sabendo que há dinheiro disponível para pagar aos credores. E esse dinheiro só existirá enquanto a troika o emprestar. É por isso que cada vez mais me convenço que o euro tem os dias contados, pelo menos na sua actual versão.

Falta acrescentar que nem a própria Alemanha está a salvo. A dívida pública da Alemanha não é nada pequena. A Alemanha tem-se safado à custa dos outros – porque a crise do euro leva a uma fuga de capitais em direção à Alemanha, que é vista como o porto de abrigo seguro. Se não fosse essa fuga de capitais, a própria Alemanha poderia ver-se à rasca. E ver-se-á, mais cedo ou mais tarde.
Acabaram-se os periféricos… Agora periféricos são eles. Devagarinho, sem pressas, o objectivo está a ser cumprido. O fim do Euro e como consequência o fim desta Desunião Europeia.
É intuitivo, concordando-se outrossim com Luis Lavoura.
1.- O Estado Social (distribuidor de educação, saúde e prestações em dinheiro) só vive com crescimentos do PNB acima de 2%;…a França tem cerca de 0,5% e a Alemanha 0,9%…
2.- O pessoal envelhece e dura mais; a saúde é coisa cara…
3.- Três quintos da Humanidade vêem as suas condições de trabalho e de vida a melhorarem…
4.- Três quintos da humanidade não pedem ao Estado “coisinha” quando existe um “act of God” (tornado, tempestade, etc);…
5.- É a ideia de risco que comanda a vida e não uma linha contínua na mesma pauta, a emitir o mesmo som, ou côr, e onde muitos metem palavras como direitos ou desejos;
6.- A ideia de felicidade imediata empobrece civilizações seja de alma seja de corpo.
7.- Numa sociedade civil madura, as ideias de altruísmo ou de filantropia aparecem com olhos na cara, e não com um balcão com um vidro a servir de separador.
Amanhã, não sei se chove, mas se chover, levarei guarda-chuva, caso contrário…não.
Sem pretender chamar a mim qualquer vislumbre de visionário ou de profeta, basta a razão, há três anos a esta parte afirmei que a situação acabaria como agora se apresenta. Ou seja, que a estratégia dos ditos mercados – que é bastante conveniente aos americanos, a braços com sua independência face aos chineses e japoneses, por causa da sua dívida, e com alguns países do médio oriente a usar o euro como transacção para o petróleo (foi o caso de Saddam e do desgraçado da Líbia) – visava empurrar com a barriga a iminente queda da moeda americana e, consequentemente, a hegemonia desta divisa.
Também disse que, depois da Grécia, Irlanda e Portugal, viria Espanha, Itália, França e por último a Alemanha caíria de joelhos (a Inglaterra anda a fingir que está tudo bem). Estamos nesta fase!
A única solução, para que não caiamos todos numa embrulhada do arco da velha, passa por a Europa definir uma nova moeda, desta feita a apartir do BCE, com este a emiti-la a injectá-la também nos mercados, que funcione em paralelo com o Euro, até que este, oportunamente, seja retirado dos mercados.
A saída do Euro, sem mais, levaria à política de cada um por si. E cada um por si, isoladamente, é o que interessa à estratégia desses ditos mercados, que até têm o beneplácito dos americanos.
Creio que o mais que não vai dito neste comentário é bem entendido.
Ou nos salvamos juntos ou morremos juntos. A Europa só voltará a ser um “player” na cena internacional se permanecer unida. Se a Europa cair o mundo tremerá nas suas entranhas.
A única solução passa por a Europa definir uma nova moeda, desta feita a a partir do BCE, com este a emiti-la e a injectá-la nos mercados, que funcione em paralelo com o Euro, até que este, oportunamente, seja retirado dos mercados.
Que solução curiosa. Como é que desta forma se resolveria o problema das enormes dívidas contraídas por alguns países?
Para não entrar em grandes considerações e delongas, sugiro que se debruça sobre o plano real que Fernando Henrique Cardoso levou a peito, e a efeito, no Brasil.
Quando às dívidas: será que o Luís Lavoura ainda acredita nos países dos bons rapazes? Elas jamais serão pagas, pelo menos na sua totalidade!
Afinal o salvador da Europa, vai fazer um aumento de impostos de 25000 milhões de euros, e um corte na despesa de 10000 milhões, e os tais ricos que ele quiz atingir com 75% do IRS para lhe pagarem os desvarios, já foram morar para os países vizinhos, e desses não vê um centimo. Hollande que foi eleito com a promessa de que seria a primeira pessoa capaz (para gloria da França e espanto da Humanidade), de conseguir abrir e fechar uma torneira ao mesmo tempo…(cortesia de manuel.m in 4ª Républica), tem os seus seguidores/admiradores em Portugal. Conversa têm eles de sobra, e parece que compensa: o Tózé e o PS já vão com 36%. Há muitos portugueses que têm a memória muito curta, ou então acreditam em contos de fadas.
Ou o BCE se assume como verdadeiro banco central e passa a financiar os países (e não apenas os bancos) ou então acabou este embuste do euro.
Não se podia ter ficado no meio termo, para haver uma moeda única europeia, tinham que obrigatoriamente haver mais coisas únicas europeias, nomeadamente um orçamento e um governo. E sim os ricos do norte tinham que ser solidários com os pobres do sul, tal como os lisboetas e os portuenses têm que ser solidários com os transmontanos ou com os açoreanos, por exemplo.
Como quem manda verdadeiramente nisto não está interessado numa federação então acabe-se o euro e cada país se defenderá melhor.
Não deixa de ser irónico que o euro foi instituído (nas costas dos cidadãos) como mais um instrumento no caminho para a federação europeia e depois acaba por ser precisamente aquilo que irá destruír o chamado sonho europeu.
Já há muito tempo deveriam estar sem AAA. Só agências de rating simpáticas(leia-se favorecidas pela regulação) deixam chegar a este ponto…
“E a sua queda no abismo ocorrerá, independentemente das inúmeras medidas de austeridade”
Só na mente daqueles que sofrem da doença europeia de que não é possível viver sem défice…
Por isso chamam austeridade ao que não é austeridade: Não existem medidas de austeridade sem superavites.
Até bastava Défice Zero.
“…que é bastante conveniente aos americanos, a braços com sua independência face aos chineses e japoneses, por causa da sua dívida…”
Só mesmo o pensamento neo-mercantilista, misturado com velhinhas comunistas ideias mais uns pozinhos de teorias da conspiração que nos fazem sentir seguros que alguém manda nisto.
Afinal para quem pensa assim a emigração para os que supostamente “ganham”: EUA etc é sempre possível…
Sabe qual é a reserva monetária da China, Japão e também dos países ditos emergentes? Conhece as movimentações dos chineses no que respeita às aquisições feitas, em particular no que diz respeito a matérias primas? Sabe qual é a moeda utilizada para estas transacções? Conhece o valor da dívida soberana por estes adquiridas? Conhece algum desenvolvimento relativo à recente questão sobre a eventual valorização da moeda chinesa, com a oposição dos americanos? Conhece a razão do aparecimento, então, dos denominados petrodólares? Conhece a motivação em torno disto?
Velhinhas ideias comunistas? Ah pois, então os velhinhos comunistas chineses estão a demonstrar como podem usar a seu favor o sistema adoptado a ocidente, com métodos bem mais elaborados e com a paciência que só um chinês tem para esperar pelo momento certo para agir.
Não hesite em responder, para que eu possa expôr o que não foi dito.
Ai ai. Os Americanos ficam melhores se os Europeus ficarem melhores. Os problemas no Euro não ajudam os EUA pelo contrário.
Quanto mais a Europa piorar pior é para os EUA.
E os preconceitos com os chineses continuam:os chineses até foram impacientes há umas décadas atrás por isso é que foram parar ao Comunismo. E a impaciência de Mao e o seu poder total depois levou a 40 milhões de mortos.
Vejo que o meu amigo começa a aproximar-se do que eu referi: “ou nos salvamos juntos ou morremos juntos”. Sim, os americanos já se convenceram que para terem comida no prato é necessário que outros comam. O mercado chinês não é suficiente para o seu crescimento, muito menos na recessão que se avizinha.
Quanto à segunda parte de seu comentário, isso é doutrinação, e eu já estou para além dela.
FMI: Portugal tem de racionalizar (baixar) mais os salários da função publica, as reformas, e as prestações sociais.
Porque sem mexer nisto nunca mais baixa a carga fiscal; o governo, este ou outro qualquer, tem de ir buscar aos funcionarios publicos e aos reformados em impostos, o que não lhes pode tirar nos salários e reformas, porque nem os sindicatos, nem o Tribunal Constitucional estão prái virados. E os privados apanham por tabela.
Seria mais inteligente perder salários e reformas por via do acordo, do que ficar sem o mesmo dinheiro por via dos impostos. Os rendimentos são os mesmos, e a carga fiscal poderia baixar, ajudando assim a economia a crescer.
O Krugmann quando cá esteve, disse que os salários dos funcionários publicos e as reformas, deviam baixar 30%, deixando os Galambas deste país com um sorriso amarelo. Não é só o FMI que o diz.