Cenas favoritas de filmes (4)


enlil,

 

Pelo menos desde que em 1588 ofereceram a El Greco uma parede da igreja de São Tomé de Toledo e ele a preencheu com o céu e a terra, ligados pela morte e o milagre, até aos murais de Diego Rivera, que os pintores, só os mais confiantes, ousam representar o universo inteiro de modo que possa caber num olhar. Isto dito sem ver, parece mentira ou insensata vaidade, mas ponham-se diante do que eles fizeram e digam que não sentem a arte de pôr o mundo na palma da mão.

No cinema não cabem tamanhas enormidades. Pela sua natureza o cinema está condicionado ao movimento, mesmo que se dedique a inventar as suas realidades. E porque no cinema movimento e realidade são a mesma coisa, ambos cosidos pela narrativa, a ele é impossível uma imagem total que nós possamos pôr em ação com o simples poder do nosso olhar.

A isto não se conformou o perverso Hitchcock. De tal modo que decidiu a propósito de um nada da intriga de “North By Northwest” (Intriga Internacional”) passar do cosmos ao caos como se fosse um deus a reinventar o big bang primordial. O resultado foi talvez a mais lógica e delirante sequência de toda a arte do cinema.

 

PS – infelizmente não há como inserir este excerto de “North By Northwest” senão através do link:

http://fliiby.com/file/690838/q1fy0ev36p.html

4 comentários em “Cenas favoritas de filmes (4)”

  1. …um bing bang vivido por um protagonista de gravata e convenientemente “attired” como convém a um súbdito de sua majestade..antecipando (ou baseando-se?) aquele outro cujo nome é bond, james bond.

  2. Hitchcock, o cineasta do medo. Suscitado das formas mais inesperadas. Esta cena antecipa de algum modo os ataques dos pássaros dois filmes depois. À margem de qualquer racionalidade, indiferente à pura lógica. Aqui funcionam o instinto e as emoções básicas. Talvez por isso sintamos este criador de tantas cenas inesquecíveis sempre tão próximo de nós.

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