Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (65)
Pedro Correia,
«A realidade é tudo aquilo que recusa desaparecer mesmo quando deixamos de acreditar nela.»
Philip K. Dick (1928-1982)
11 comentários em “Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (65)”
Escolha mais do que justa, Pedro. “The Man in the High Castle”, “A Scanner Darkly” (o meu preferido), “Do Androids Dream of Electric Sheep?” e “Ubik” merecem figurar em qualquer lista de leitura do século XX – e não é por acaso que a obra literária de Philip K. Dick é uma das mais adaptadas ao cinema (com o formidável “Blade Runner” a destacar-se, mas “A Scanner Darkly” e “Minority Report” também são filmes acima da média). Assinala-se este ano 30 anos sobre a sua morte tão prematura.
Nesta eu também entro a comentar, porque sou um grande fã do Philip. Li há pouco tempo o “Time out of Joint”, que é uma obra fantástica. Meu preferido é o “The Man in the High Castle”, mas há muito por onde escolher. Nobel mais que merecido 🙂
Tens razão, José: dele há muito por onde escolher. Philip K. Dick foi alvo do habitual (e inaceitável) preconceito do Comité Nobel contra a chamada literatura popular em geral e diversos géneros literários em particular – com destaque para o policial e a ficção científica. Os rótulos são redutores: os grandes escritores – como PKD – ultrapassam em muito as etiquetas a que alguns tentam associá-los, sem sucesso.
Pois é, Pedro: a fantasia, a ficção científica e o policial ficaram sempre, e literariamente falando, na “ponta do corno” (expressão muito usada da minha terra e da qual gosto muito). Felizmente, para os leitores – que, em última análise, são quem importa – as coisas não são bem assim.
Zé, se ainda não leste, lê “Ubik”. Os twists finais são extraordinários.
Tenho seguido a série. A maior parte dos nomeados até agora estave sempre bem acima da distinção do Nobel (o dinheiro dá jeito, eu sei). O nº 100, adivinho, será Borges, que sempre disse que preferia estar na Pléiade e que não ter o Nobel era uma velha tradição nórdica. A verdade é que o Nobel da Literatura se tornou num prémio politizado com pouca relevância literária. Os melhores escritores, os de proa, os experimentais, os que puxam a língua e as formas da narrativa para a frente, raramente foram contemplados. E parece-me bem como está. Pareceria muito mal se de repente o Nobel da Lit começasse a ter que ver com mérito literário.
Borges ficaria muito bem a encerrar. Mas já passou por cá: foi o número 28. delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4665694.html
Concordo genericamente consigo, o que aliás me levou a lançar esta série. Isto apesar de reconhecer que vários dos contemplados tinham e têm mérito literário inegável – de Faulkner a Camus, de Hemingway a Bellow, de García Márquez a Vargas Llosa.
Escolha mais do que justa, Pedro. “The Man in the High Castle”, “A Scanner Darkly” (o meu preferido), “Do Androids Dream of Electric Sheep?” e “Ubik” merecem figurar em qualquer lista de leitura do século XX – e não é por acaso que a obra literária de Philip K. Dick é uma das mais adaptadas ao cinema (com o formidável “Blade Runner” a destacar-se, mas “A Scanner Darkly” e “Minority Report” também são filmes acima da média). Assinala-se este ano 30 anos sobre a sua morte tão prematura.
(tinha de ser eu a comentar esta escolha, não é?)
Eheh. Nada que me surpreenda, João.
Nesta eu também entro a comentar, porque sou um grande fã do Philip. Li há pouco tempo o “Time out of Joint”, que é uma obra fantástica. Meu preferido é o “The Man in the High Castle”, mas há muito por onde escolher. Nobel mais que merecido 🙂
Tens razão, José: dele há muito por onde escolher. Philip K. Dick foi alvo do habitual (e inaceitável) preconceito do Comité Nobel contra a chamada literatura popular em geral e diversos géneros literários em particular – com destaque para o policial e a ficção científica. Os rótulos são redutores: os grandes escritores – como PKD – ultrapassam em muito as etiquetas a que alguns tentam associá-los, sem sucesso.
Pois é, Pedro: a fantasia, a ficção científica e o policial ficaram sempre, e literariamente falando, na “ponta do corno” (expressão muito usada da minha terra e da qual gosto muito). Felizmente, para os leitores – que, em última análise, são quem importa – as coisas não são bem assim.
Zé, se ainda não leste, lê “Ubik”. Os twists finais são extraordinários.
Esse ainda não li, João. O primeiro que li dele foi ‘Cosmic Puppets’. E fiquei logo agarrado…
Tenho seguido a série. A maior parte dos nomeados até agora estave sempre bem acima da distinção do Nobel (o dinheiro dá jeito, eu sei). O nº 100, adivinho, será Borges, que sempre disse que preferia estar na Pléiade e que não ter o Nobel era uma velha tradição nórdica. A verdade é que o Nobel da Literatura se tornou num prémio politizado com pouca relevância literária. Os melhores escritores, os de proa, os experimentais, os que puxam a língua e as formas da narrativa para a frente, raramente foram contemplados. E parece-me bem como está. Pareceria muito mal se de repente o Nobel da Lit começasse a ter que ver com mérito literário.
Borges ficaria muito bem a encerrar. Mas já passou por cá: foi o número 28. ml
delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4665694.ht
Concordo genericamente consigo, o que aliás me levou a lançar esta série. Isto apesar de reconhecer que vários dos contemplados tinham e têm mérito literário inegável – de Faulkner a Camus, de Hemingway a Bellow, de García Márquez a Vargas Llosa.
Sem dúvida. Creio que a politização do prémio se tornou mais evidente nos últimos anos.
Hoje, num artigo do The Guardian sobre os prémios Nobel, um comentador dizia o seguinte a propósito do prémio de Literatura:
“The list of writers that have won the Nobel Prize in Literature is second in prestige only to the list of writers that haven’t won it.”
Bingo.
Direi mesmo mais: bingo!