Ceci n’est pas un post (11)


Ana Vidal,

 

Toco, teço e entrelaço

com dedos de descobrir

Lanço redes num abraço

à flor da pele me desfaço

na vertigem de sentir

 

Tudo é matéria, se é tempo

de epidérmicas razões

Danço num sopro de vento

rasga-me cada tormento

gelam, queimam, as pulsões

 

E todavia, invisível

eterno e primordial

corre o rio do intangível

imperioso, indefinível

matriz de tudo, afinal.

  

(Imagem: René Magritte)

8 comentários em “Ceci n’est pas un post (11)”

  1. A sério:
    É um poema muito diferente do trevial. Um poema que dá gosto ler, porque obriga a reler. Raia o genial porque podemos dançar num sopro de vento. Declamaria este texto acompanhado ao piano por Pedro Burmester.

    A brincar:
    É um poema que não serve para ser cantado pela Katia Guerreiro…

  2. Acompanhado ao piano pelo Pedro Brumester ou cantado pela Katia, este poeminha ganharia asas, João.
    Mas obrigada pelas palavras “a sério”, que ele não merece.

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