Na IL conto não poucos amigos por proximidade ideológica, e destes alguns também pessoais. A Carlos Guimarães Pinto junto admiração porque cansou-se de, anos a fio, tecer considerações em blogues e redes sociais, tendo dado o salto (aliás com brilhantismo) para a política partidária, passo certamente mais difícil do que prosseguir uma carreira profissional que a actividade política não é ou, quando seja e não havendo corrupção, inçada de inconvenientes.
Quem vai para a política partidária abdica de uma parte da sua liberdade: os partidos são máquinas de conquista e manutenção de poder e isso não é compatível com dizer-se o tempo todo o que realmente se pensa porque se podem afastar uns eleitores sem cativar outros, criar fracturas irremediáveis dentro do próprio partido, ferir estratégias de alianças, e ainda porque com frequência se mostra necessário ceder e recuar no acessório para preservar o essencial.
Se o partido for um de poder (e que lá esteja ou pareça vir a estar) tem lugares para distribuir e isso coloca uma surdina na dissenção. Se não for, ela vem de divergências doutrinárias, que umas vezes agravam e outras simplesmente recobrem ambições de protagonismo, mais virulento se houver disputa de lugares elegíveis, por exemplo de deputado. E como raras são as pessoas, e por maioria de razão os políticos, que sejam tão boas como se julgam, fica aberta a porta a umas guerrilhas invariavelmente ácidas, e invariavelmente enjoativas.
É isso que se está a passar na IL, com contornos que ignoro (por exemplo, que diabo leva o líder a afastar-se, conservando todavia o seu lugar no Parlamento, o que é que realmente separa os candidatos a substituí-lo, e por que razão CGP não é candidato), e é um filme já visto in illo tempore no CDS.
In illo tempore, digo: Entre liberais e conservadores, ultramontanos e wokes, europeístas fanáticos e nacionalistas passadistas, sem esquecer detentores da marca registada da verdadeira democracia cristã, nunca houve falta de motivos para manobras e facadas. Faz parte e é por vezes espectáculo divertido ver egos insuflados, Mirabeaux de aldeia, ideólogos de mesa-de-café, oportunistas sortidos e aparelhistas incidentalmente com notórias dificuldades no domínio da gramática e do senso.
Ninguém acha que com esta convulsão a IL tem alguma coisa a ganhar, mas ela tem o selo da inevitabilidade: os partidos na orla do poder são lugares intranquilos. E de dissensões ideológicas é bom nem falar, que liberalismos há alguns, completos com o breviário de receituários diferentes e todos servidos de gurus citáveis, sendo que ficam de fora questões que não são predominantemente de ordem económica, onde a margem para divergências é ainda maior.
A IL pescou, pela sua natureza, sobretudo no CDS e no PSD, além de na abstenção (por ser novidade); e o outro partido de direita, o Chega!, recrutou no mesmo campo, além de no dos indignados virtuosos e sumários – quando houver dissensões sérias serão furibundas, que por lá doutrina e consistência não há muita mas a agressividade sobra.
Em suma: seria possível imaginar um país, que não é o nosso, em que o espectro partidário fosse do Chega! até ao PSD, as várias declinações de marxismos clássicos (como o PCP) ou reciclados em bandeiras de causas progressistas (como o BE), ou ainda o mastodonte do conúbio com o capitalismo dirigido (como o PS e, em parte, o próprio PSD) reduzidos à condição de seitas. O que temos, porém, é um país solidamente ancorado à esquerda, o que aliás explica que, não obstante a chuva de milhões sem precedente histórico salvo talvez o ouro do Brasil, o país esteja teimosamente na cauda do desenvolvimento – de onde os novos partidos o querem tirar, em particular a IL, que tem para esse efeito um programa mais consistente, que todavia retoma escopos já defendidos há muito e que frequentemente imagina inovadores.
Julgaram que fazer melhor do que o velho CDS era não apenas possível mas relativamente fácil e um partido novo, por o ser, ficava ao abrigo das vicissitudes que, aqui e em toda a parte, regem as vidas dos partidos.
A experiência está a mostrar que não é assim. Donde, a alegada morte do CDS talvez tenha sido uma declaração precipitada. Felicito-me por não andar a correr atrás das gajas novas no povoado e me conservar fiel a amores velhos – a experiência sobreleva-se bem a alguns atavios.

o ps tem brilhantes dias
Só me faz confusão, sendo IL tão liberal por que raio andam todos vestidos/apresentáveis com a mesma fatiota: camisa de gravata, mas sem a gravata e aberta à dias e verão.
Carlos Guimarães Pinto é alguém que provavelmente seria vencedor no seu círculo eleitoral. A sua capacidade de análize, concorde-se ou não, prestigía qualquer discurso sobre política.
Como ele, dentro e fora da Assembleia da República, conhecidas e apreciadas figuras de vários quadrantes políticos provavelmente seriam também vencedores nos seus círculos eleitorais.
O actual sistema eleitoral para deputado na AR explica o desprestígio da instituição. Como bem refere reduz todos a simples figurantes actuando -por vezes em tom de falsete- como porta voz do respectivo partido. Uma caricata tragédia humana em directo.
Bastava um sistema eleitoral uninominal e certamente a AR, e a vida política neste País, seria outra.
O Reino Unido tem um sistema uninominal e veja as figuras que se fazem no parlamento deles: simples figurantes actuando -por vezes em tom de falsete – como porta voz do respectivo partido. Uma caricata tragédia humana em directo. Belíssima descrição do parlamento britânico.
que diabo leva o líder a afastar-se
Velhice, muito simplesmente. Repare que, com 61 anos, é o mais velho líder da oposição (excetuando Jerónimo, que não é exemplo para ninguém). Na Europa toda, raramente líderes da oposição têm tal idade. Com 61 anos, João Cotrim quer começar a, lentamente, reformar-se, abandonando pouco a pouco os trabalhos. Parece-me normal e adequado.
Ademais, num partido que é, predominantemente, jovem, João Cotrim parece deslocado como porta-voz.
conservando todavia o seu lugar no Parlamento
É um lugar para que foi eleito e que tem a obrigação de desempenhar até ao fim.
É como um médico ou um advogado quando fica idoso: pouco a pouco, começa a deixar de fazer certos serviços em certos locais, permanecendo no entanto noutros. Não abandona tudo de uma vez, mas vai abandonando o que é mais trabalhoso e chato.
o que é que realmente separa os candidatos a substituí-lo
Ideologicamente, creio que nada. Em termos pessoais, naturalmente terão as suas ambições.
por que razão CGP não é candidato
Perguntaram-lhe isso há dois dias no telejornal da RTP 2, às 21:30. Vá lá ver a resposta que deu. Basicamente disse que, no estado atual do partido, as suas capacidades não são as mais adequadas para o liderar.
Nem se percebe por que motivo CGP deveria regressar. A IL não é como a Rússia, em que Putin e Medvedev trocaram de cadeiras. CGP teve um tempo como líder, agora já não. Antes de CGP houve outro líder (Miguel Ferreira da Silva), o qual também não se vai (julgo eu!) candidatar (embora continue a ser membro da IL).
Freitas, o afundador
Um coffee break para dizer:
Sua reflexão espelha que se usam modelos antigos para realidades diferentes. O problema que hoje se vive nas nações só parece ser ideológico. A ideologia é somente a máscara que a economia usa para fingir que se participa num destino (in)comum.
A ocidente brada-se pela democracia versus autocracia exactamente para permitir lançar uma cortina de fumo sobre a falência de modelos que permitiram que nações fossem exauridas de suas liberdades de planificação em benefício de outros interesses supranacionais.
No que respeita a liberdade económica, uso como exemplo as taxas inflacionárias que hoje se registam sem que se aborde uma das razões fundamentais da existência destas.
Quando os USA imprimem dólares – e fazem-no constantemente – para adquirir alimentos e energia, eles criam não só disrupções nos canais de fornecimento destes produtos como também geram inflação de forma global. Porquê? Porque a moeda padrão do comércio internacional é o US dólar.
Pretendo com isto dizer que a ideologia é o argumento falido de uma sociedade falha de mecanismos próprios para inverter uma situação externa que parece, e só parece, ser do foro interno.
Realiza-se a Oriente, na Rússia, a Discussão do Club Valdai; e paradoxalmente assiste-se nesta discussão à apresentação de soluções, já em curso, para contrariar a Ordem Mundial que se concentra nas mãos de uns que lançam a cortina da ideologia para usar a hegemonia económica através do poder em seu favor. E chama-se a isto democracia.
Entretanto o meu amigo autocrata Putin contou-me a seguinte anedota:
Numa família do ocidente uma criança perguntou ao pai porque estava tanto frio em casa. O pai respondeu: por causa dos russos. A criança, querendo saber mais, voltou a interpelar o pai sobre o porquê.
O pai respondeu: porque os russos invadiram a Ucrânia.
E daí?, perguntou a criança.
Tivemos de impor sanções aos russos para que eles tivessem juízo, respondeu o pai.
E a criança pergunta: Pai, nós somos russos?
Ó V. nem necessitava ter arranjado a anedota da criança, assim vai levar uma chusma de putinista no mínimo, podia simplesmente fazer referência à grande manifestação que se realizou em Paris contra o Macron e o aumento do custo de vida.
Para concluir a “big picture” do que está em causa, transcrevo o início de algumas notícias.
“O Ministro da Economia alemão lamentou nesta quarta-feira os preços “astronómicos” exigidos pelos países “amigáveis” à Alemanha, liderados pelos Estados Unidos, para fornecer gás para compensar o fim das entregas russas.” hes-us-for-selling-gas-at-astronomical-p rices/
“Alguns países, mesmo os amigáveis, às vezes recebem preços astronómicos”, disse Robert Habeck em entrevista ao diário regional “Neue Osnabrücker Zeitung” na quarta-feira.
Isso representa um problema”, disse o ministro, que pediu à Comissão Europeia para “conversar” com esses países.”
Aqui:
https://energynews.pro/en/berlin-reproac
“A companhia petrolífera francesa Total Energies disse quinta-feira que seu lucro no terceiro trimestre subiu 43% em relação ao mesmo trimestre de 2021 para US$ 6,6 biliões, beneficiando-se dos preços recordes do gás, que subiram desde que a Rússia invadiu a Ucrânia. otalenergies-announces-6-6-billion-third-q uarter-profit-from-gas/
Em meio ao debate sobre os super lucros das empresas de energia no contexto da crise climática, e enquanto a classe política francesa está debatendo um possível imposto, a Total Energies já obteve mais lucros em nove meses do que no ano passado: US$ 17,3 biliões em comparação com US$ 16 biliões no total no ano passado.”
Aqui:
https://energynews.pro/en/superprofits-t
Nota. A petrolífera Total só aumentou ordenados aos funcionários depois da greve.
Imaginem agora os lucros da companhia inglesa e as americanas. Busquem por informação e verifiquem que os agressores, Inglaterra e USA, tinham todo o interesse em usar a nato em seu benefício.
Entretanto a China e a India acabam de anunciar que o seu saldo comercial atingiu o valor de USD 100 Bi.
O problema dos USA e do Ocidente foi terem verificado que a globalização que tanto preconizavam começou a funcionar a favor da Ásia, por mérito desta. E agora pretendem destruir tudo isto em favor dos USA. Melhor, em favor dos gajos que estão por detrás do puppet Biden que faz de Zelensky outra marioneta.
OBS: Voltarei à propaganda Putinista em breve.
mas até os visados assinariam este post.
excluindo um, acho que dois termos para mim novidade, é mais ou menos fácil a qualquer apontar defeitos ao branco ou ao preto, quero dizer ao dia ou á noite, ao sol ou á chuva,
como posso dizer que ao apontarmos os defeitos nos outros estamos a ignorar os nossos. Se bem que aqui arrisco receber o argumento que é na denuncia que as gajas novas do povoado abrem os olhos.
O que fixei, mas para fora daqui , aplicado a outras realidades : afastar uns sem cativar outros.
Em suma, em vez de andarmos a apregoar que o nosso crónico atraso se deve aos políticos que temos, devemos tão somente aceitar que é por causa do povo que temos.
mais sensato é nao ser categorico …trata-se de pescadinha de rabo na boca
O que quer dizer CDS?
Centro Democrático Social
E isso é o quê?