É claro que não faltará por aí gentinha maldosa a criticar o estilo do Senhor Presidente. Vejamos então um clássico:
Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança.
Percebe-se? Mais ou menos. Não é claro. Falta ali a palavra futuro. Só esta daria consistência ao pensamento de Dante. Sem essa precisão cirúrgica, o leitor poderia ser levado a pensar que se trata da esperança do passado ou até do presente. Imaginemos agora que a Divina Comédia tinha sido escrita não pela pena errática de Dante, mas pela mão segura e inspirada de Cavaco:
Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança do futuro.
Pois é o que digo. O pensamento torna-se límpido. E até colorido e refrescante. O próprio ritmo da frase é outro. E assim, a todos aqueles que estão mortinhos por comentar este post dizendo que Cavaco podia ter feito mais com menos (isto é, mais correcção na utilização da língua com a palavra futuro a menos), digo que poder podia, mas que não era a mesma coisa. No fundo, não seria tão divina a comédia.


Rui, Dante e o PR num mesmo post, não sei … acho, ou melhor, não digo o que acho, mas deixa-me que te diga que apreciei o requinte do post. E cereja da última frase.
Eu sei, eu sei, Ivone. É um inferno pró Dante. Mas, que diabo, ele que fizesse mais com menos.
Se Portugal não produzir mais não há maneira de as pessoas voltarem a ter o que tiveram devido ao crédito.
É a nossa única esperança do futuro, Lucky.