Cavaco corrige Dante


Rui Rocha,

 

É claro que não faltará por aí gentinha maldosa a criticar o estilo do Senhor Presidente. Vejamos então um clássico:

 

Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança.

 

Percebe-se? Mais ou menos. Não é claro. Falta ali a palavra futuro. Só esta daria consistência ao pensamento de  Dante. Sem essa precisão cirúrgica, o leitor poderia ser levado a pensar que se trata da esperança do passado ou até do presente.  Imaginemos agora que a Divina Comédia tinha sido escrita não pela pena errática de Dante, mas pela mão segura e inspirada de Cavaco:

 

Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança do futuro.

 

Pois é o que digo. O pensamento torna-se límpido. E até colorido e refrescante. O próprio ritmo da frase é outro. E assim, a todos aqueles que estão mortinhos por comentar este post dizendo que Cavaco podia ter feito mais com menos (isto é, mais correcção na utilização da língua com a palavra futuro a menos), digo que poder podia, mas que não era a mesma coisa. No fundo, não seria tão divina a comédia.

 

4 comentários em “Cavaco corrige Dante”

  1. Se Portugal não produzir mais não há maneira de as pessoas voltarem a ter o que tiveram devido ao crédito.

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