E eu fiadinho que, depois de avaliar as previsões meteorológicas, era através dos sindicatos que os trabalhadores decidiam as greves…
Sempre a aprender
Paulo Sousa,
É uma legítima jornada de luta! Só pessoas mal intencionadas é que dirão que se trata de um complemento ao Fim-de-semana Alargado Geral.
Para os mais empenhados neste protesto, deixo alguma informação que certamente será útil.
ESTADO DO MAR:
Costa Ocidental: Ondas de noroeste com 2,5 a 3,5 metros,
diminuindo gradualmente para 1,5 a 2 metros.
Temperatura da água do mar: 16/17ºCC
Costa Sul: Ondas inferiores a 1 metro.
Temperatura da água do mar: 19/20ºCC
Dados IPMA
Os sindicatos recomendam cuidado com os níveis de radiação. O tempo pode estar encoberto, mas a radiação está sempre lá. Não há que fiar! Para os trabalhadores que estejam empenhados em levar a sua acção reivindicativa durante as horas de maior incidência solar e em segurança, aqui fica também a gama completa de protecção para grevistas. Trabalhadores de todo o mundo, protejam-se! 25 de Abril, sempre!

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Esta publicação da PSP na sua página do Facebook pode causar algumas dúvidas.
Postal dedicado aos que ainda têm dúvidas de que nos tratam como crianças.
![21907341_1Icbf[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21907465_gi9fI.jpeg)
Uma espreguiçadeira ao sol, calor, água fresquinha, o som das ondas a marulhar uns metros abaixo… O livro aberto em cima da barriga molhada era um excelente indicador de total relaxamento e de preguiça também.
Primeiro ouvi o grito. Depois o choro. Em seguida as vozes dos comentadores da insipiência que se avolumavam. Sentei-me meio arrelampada tentando focar a figura que corria na minha direcção com a criança nos braços, que chorava e gritava copiosa e desalmadamente.
Peixe-aranha, diz ele com a respiração entrecortada. Foi um peixe-aranha. Peguei-a no colo. O André do concessionário já tinha ido pelo nadador-salvador. Posso ver, neta? Não! Não mexas! Dói! Dói muito, conseguia perceber-se balbuciado por entre o pranto incontrolado.
O salva-vidas chegou rapidamente, já equipado com um recipiente com água muito quente. Falou-lhe mansamente e depois de uns goles de água fresca pela garganta e rosto, conseguiu que se acalmasse um pouco e explicou como seguir à risca as instruções de pé in – pé out. Estiveram neste preparo uns bons 20 minutos. Só depois conseguimos ver o arranhão e o inchaço. Parecia ter pegado de raspão!
A neta estava sentada no meu colo, embrulhadinha que nem um rebuçado mole e lambuzado, sequiosa e a recompor-se do SPT de todas as emoções.
Já não dói tanto, neta? Dói um bocado, mas tenho mais é uma sensação esquisita no pé. É natural, todo aquele calor de escaldão para sair a toxina, deixaram-te o pé, que já estava inchado, um bocadinho dormente.
Sabes avó, não sei como o peixe-aranha me mordeu. Eu estava distraída a brincar com o avô à beira-mar e não o vi chegar, mas não percebo como é que me mordeu sem eu o ver. Por exemplo, se um cão ou um gato me mordessem o pé, eu tenho a certeza que via, a não ser que fossem invisíveis. Bem, o peixe-aranha não é invisível, mas engana a vista. Enterra-se na areia apenas com os olhos de fora… E com a boca também avó, senão como é que pode morder? Pois, a questão é assa mesmo. O peixe-aranha não morde. Olha, avó, a ti não sei, mas a mim mordeu-me bem. Sabes que os peixes têm barbatanas? Sei. A barbatana dorsal é aquela que abre em leque na costas. Esse peixe, que é um patifório da pior espécie e tem uma espécie de veneno chamado toxina na barbatana, enterra-se na areia com a dita cuja aberta de modo a poder ser facilmente pisado por um pezinho incauto que ande a cirandar pela beira-mar. Eu não andava a cirandar, andava a molhar o meu avô e não fiz mal ao peixe-aranha para ele me picar. Pois não, calhou. Estavas a passar pelo sítio em que ele estava escondido e pisaste-o na altura em que ele tinha a barbatana aberta. Então foi mesmo por acaso. Foi, foi mesmo coincidência. Mas sabes, avó, “essa coincidência foi mesmo muito dolorosa e causou uma estranha impressão”.
E eu tenho a impressão que a minha neta nunca irá parar de me surpreender, coincidência ou não.
Amanhã acaba o Verão.

Marcelo Rebelo de Sousa
Pois está, e não são precisos estudos para o saber. A mim basta sair da praia e escaldar os pés todos no processo.
É um facto, nos últimos anos sinto a areia muito mais quente muito mais depressa que quando era pequena. Ou tinha pezinhos de amianto, ou não sei. Talvez haja estudos sobre os pés de crianças dos anos 80 e a areia da praia.
Já nem é só a areia do fim da praia, nem é preciso ser um grande areal. O sol aquece e a areia ferve com ele. Se vou descalça queimo-me, se calço chinelos às vezes a areia mete-se entre eles e um dos dedos, um tormento até os poder tirar.
Sair da praia pode ser uma dor, o que podia ser poético mas não é. Não deixo de ir, naturalmente, mas dói.