O Homem Invisível


Rui Rocha,

A propósito da aparição de Passos Coelho em campanha, registe-se que o embaraço do PS não é só o de Sócrates ser um ex-líder inapresentável em público. Na própria lista de Pedro Marques há um homem invisível. Os outros candidatos socialistas aparecem em arruadas, em encontros, falam, existem. Já o nº 3 nunca se vê, tamanha é a vergonha.

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Entretanto, na gruta socrática


Rui Rocha,

Sócrates: Alors, pá. Mostra lá os resultados das audiências. Deve ter sido um massacre.

Silva Pereira: Lá isso foi.

Sócrates: Deixa cá ver… Va te faire Paulô Futre!!!!

Silva Pereira: Tentei avisar-te…

Sócrates: Isto é do Car…rilhô. Plus une semaine comme ça e ainda acabo a apresentar o Preço Certo. Em escudos.

Silva Pereira: Deixa lá, Zé. A culpa não é tua.

Sócrates: Claro que não. Il te donne para cada uma. De quem é que achas que é?

Silva Pereira : É da apresentadora.  Não é que as pessoas prefiram os comentários do Marcelo. Gostam é da Judite.

Sócrates: Pois é. De qualquer maneira, temos de fazer quelque chose.

Silva Pereira : Podias aconselhar uns livros.

Sócrates: Não te armes em crétin. Ganhei aversão à leitura desde os tempos dos parâitres do Tribunal de Contas.

Silva Pereira : E se fizesses uns números de ilusionismo.

Sócrates: Isso dos números e do ilusionismo era com o Teixeira dos Santos… e não vou dar ao gajô o gosto de me deslier o telefone dans la trombe.

Silva Pereira : Sim, até porque o gajo era capaz de o fazer literalmente… Podias serrar um gajo ao meio em directo.

Sócrates: Tinha de ser um gajô sem colomne vertebral para ser mais fácil…

Silva Pereira : O Lello?

Sócrates: Est capable de donner… E se depois não conseguir colar o gajô outra vez?

Silva Pereira: Isso é o menos. Ninguém ia reclamar…

Sócrates:  Hmm. Vamos tomar nota dessa. Portanto, quero uma coisa com mais impacto.

Silva Pereira: Já te disse que só em francês é que pourtant vale como adversativa, certo?

Sócrates: De efeitos imediatos. E sucesso garantido.

Silva Pereira: Distribuir magalhães?

Sócrates: Melhor ainda.

Silva Pereira : Não, não estás a pensar em…

Sócrates: Estou.

Silva Pereira : Não eras capaz…

Sócrates: Sabes que sou… No próximo Domingo vou distribuir aumentos aos funcionários públicos. O Marcelo vai ficar a ver bateaux.

Enfiar a carapuça


José Maria Gui Pimentel,

Maria Flor Pedroso: “Foi preciso passar para a oposição para o ver da quinta fila da bancada do Partido Socialista a aplaudir Francisco Louçã?”

Pedro Silva Pereira: “…não…vamos lá ver…bom…sim, numa situação pontual”

(…)

MFP: “Mas há uns meses seria inimaginável ver PSP a aplaudir Francisco Louçã.”

PSP: “Não, desculpe, eu aplaudi nesse debate, como faço sempre, o Secretário-Geral do Partido Socialista…”

MFP: “Claro que sim, não estou a dizer que não aplaudiu…”

 

in Maria Flor Pedroso, edição de 7 de Outubro, Antena 1

Fora o árbitro


Rui Rocha,

Assim, não há paciência que aguente. As regras estão sempre a mudar. Já não bastava serem alteradas depois do jogo. Agora, os critérios são modificados enquanto a malta está a gozar a toleranciazinha de ponto e o fim-de-semanazinho prolongado. Bom, bom era no tempo do Constâncio. E razão tinha o Sócrates que não queria pedir ajuda externa. E o Silva Pereira que criticou os que duvidavam da transparência das contas públicas. Uma cambada, é o que é. Veja-se que a troika só está cá há duas semanas e o défice de 2010 já vai em 9,1%. Imaginem só onde isto irá parar se os tipos decidirem cá ficar muito tempo. Um escândalo, esta mania do rigor.