Música recente (117)


escafandro,

Japanese Breakfast, álbum Soft Sounds from Another Planet.

Em 2013, Michelle Zauner, vocalista da banda Little Big League, regressou a casa, no Oregon, para tratar da mãe, doente com cancro. O projecto Japanese Breakfast nasceu dos temas então compostos, mas Psychopomp, o primeiro álbum, foi apenas lançado em 2016, já após a morte da mãe. O álbum tinha uma sonoridade lo-fi e misturava ritmos e emoções, fugindo – assumidamente – a sentimentalismos excessivos. Soft Sounds from Another Planet é a evolução lógica: menos lo-fi, mais trabalho de estúdio; menos ligações a um acontecimento específico, mais projecto em fase de amadurecimento.

Música recente (116)


escafandro,

Terry, álbum Remember Terry.

O segundo álbum do quarteto australiano apresenta mais uma mistura de pop, indie e psicadelismo, em modo low-fi. São canções que poderiam ser cantadas à volta de uma fogueira no meio de lugar nenhum – se à volta de uma fogueira no meio de lugar nenhum fosse fácil arranjar electricidade.

 

(Não, não percebo o vídeo. Juro que, pelo menos da minha parte, não é publicidade encapotada.)

Música recente (115)


escafandro,

Haim, álbum Something to Tell You.

Há inteligência e bom gosto na música das Haim, mas confesso um problema com a maioria dos temas: gosto imenso deles durante o primeiro minuto, um pouco menos no decorrer do segundo, tenho fortes dúvidas no terceiro e já não os suporto ao quarto. A tendência das manas para repetirem refrões ad nauseum, em ritmo e/ou oitava ligeiramente diferente, terá algo a ver com o assunto. Ou então o defeito é meu.

Música recente (113)


escafandro,

Broken Social Scene, álbum Hug of Thunder.

Há meia dúzia de anos, na Sala 2 da Casa da Música, rodeado por cerca de uma dezena de companheiros, entre os quais uma Lisa Lobsinger loura, descalça, ligeiramente imaterial (o meu cérebro já não é o que era, mas há visões indeléveis), Kevin Drew, vocalista principal e centro de gravidade dos Broken Social Scene, descobriu que as calças o apertavam. Sem hesitar, despiu-as e fez grande parte do concerto em boxers (cinzentos). Como outras bandas canadianas que enchem o palco de gente e de som – The New Pornographers, Arcade Fire dos primeiros tempos -, os Broken Social Scene são uma demonstração de harmonia nascida das diferenças – ou mesmo do caos aparente: há instantes em que a unidade da música parece ir desintegrar-se, mas tal nunca sucede. No álbum que lançaram há exactamente uma semana – o primeiro após a digressão que passou pela Casa da Música -, colaboraram 15 elementos, entre os quais Leslie Feist (yay). Hug of Thunder terá menos instantes de caos controlado do que outros trabalhos, mas, na luta contra o desânimo que sempre constituiu a coluna dorsal da sonoridade dos BSS, trata-se de um marco fundamental. Aos lamentos e protestos (em Protest Song, admite-se que We’re just the latest in the longest rank and file that’s ever to exist in the history of the protest song), sobrepõe-se a noção de que é necessário redireccionar os interesses das pessoas e reforçar o conceito de comunidade. Sem deprimir ou moralizar, antes incentivando e dando esperança: os maus tempos hão-de passar.

 

(Adenda: o tema que dá título ao álbum – vídeo abaixo – é desde já uma das minhas canções do ano.)

Música recente (112)


escafandro,

Os Quatro e Meia, álbum Pontos nos Is.

Houve cá na casa quem os tivesse descoberto há perto de um ano; contudo, apenas no final do mês passado ficou disponível o primeiro álbum d’Os Quatro e Meia (o nome advém da circunstância, bastante digna de registo, de um elemento da formação original ser significativamente mais baixo do que os outros quatro). Este tema parece-me muito adequado ao Verão, mas receio que o vídeo cause problemas ao tal meu colega de blogue (perdoa-lhes, Diogo: eles descobriram os óculos de sol e as miúdas com peito avantajado.)

Música recente (110)


escafandro,

Cigarettes After Sex, álbum Cigarettes After Sex.

A sonoridade adequar-se-á mais às noites de Inverno, e ouvir os dez temas de seguida pode revelar-se uma experiência repetitiva, mas existe muito que apreciar no primeiro álbum da banda de Greg Gonzalez, nascida em El Paso em 2008 e tornada conhecida através da Internet. Para os não fumadores (como eu), a languidez da música e imagens como kisses on the foreheads of the lovers wrapped in your arms são mais do que suficientes para apreender o espírito da coisa.

Música recente (106)


escafandro,

Lorde, álbum Melodrama.

Uma surpresa aos dezassete anos de idade, uma confirmação aos vinte. Na música como noutras artes, há imensa gente tentando descrever as ansiedades, as raivas e as desilusões experimentadas no final da adolescência e na transição para a idade adulta. Lorde está entre as pessoas que melhor o conseguem fazer. Melodrama é um álbum mais maduro do que Pure Heroine. Isto torna-o menos surpreendente, mas também mais completo. Ao longo dos 11 temas, passa-se da descoberta à reclusão, da alegria à tristeza, da irreverência à decepção, sem quaisquer indícios do histrionismo que o título poderia deixar antever.

Música recente (102)


escafandro,

Pumarosa, álbum The Witch. 

Passando sobre algumas letras em registo new age, trata-se de um primeiro álbum surpreendentemente maduro. Detalhe revelador: vários temas prolongam-se para além dos seis minutos, uma raridade em época de atenção fragmentada, um risco que poucas bandas novas se atreveriam a correr. Os resultados são excelentes, como se pode constatar no vídeo abaixo, de um tema avançado pela primeira vez em 2015 (que o álbum tenha demorado tanto tempo a chegar só pode constituir um sinal de perfeccionismo).

 

Música recente (99)


escafandro,

The Mountain Goats, álbum Goths.

Os Mountain Goats são basicamente John Darnielle, que, desde 1994, já lançou 16 álbuns. Vários abordam recordações da juventude, mais ou menos ficcionadas. Goths contém uma série de histórias sobre inadaptados tentando encontrar um lugar no panorama gótico das décadas de 1980 e 1990. O décimo primeiro tema intitula-se For The Portuguese Goth Metal Bands. Mesmo prestando atenção à letra, ainda não entendi bem porquê.