Desplantes


José Maria Gui Pimentel,

Sei que já vem tarde, mas só agora li as sequelas da famosa altercação entre Teresa Caeiro e Alfredo Barroso, que começou quando aquela tratou este por “senhor Alfredo”. Durante o debate, Mário Crespo protagonizou uma moderação em que conseguiu a habilidade de simultaneamente evidenciar a sua larga experiência (não perdendo a calma) e a sua tendência para o ridículo (tentando, qual educador, que os seus pupilos fizessem as pazes em directo). Dias depois, no Expresso (o segundo palco do combate) lançou, no seu estilo sempre diplomático, uma ferroada a Alfredo Barroso: “o surpreendente é que um homem deste calibre tenha consentido em se deixar ofender por não ter sido interpelado por um título académico”. Crespo, na sua candura não percebe, ou finge não perceber, que o que interessa não é o meio por que o insulto é feito, mas sim o objectivo de insultar. A maioria dos insultos pode ser quase um elogio se dito amigavelmente, e aposto que, por exemplo, se Teresa Caeiro tivesse tratado o seu adversário pelo aparente mais simples “Alfredo”, este não se teria indignado. Por outro lado, se Barroso tivesse respondido ao artigo de Mário Crespo tratando este, por exemplo, por “o gordo” Crespo ter-se-ia logicamente indignado, não obstante tratar-se meramente de um juízo de facto.

Um pensador, pois claro


Sérgio de Almeida Correia,

Eu já o tinha em várias categorias, incluindo na do “contraditório”, sendo que algumas delas me foram sugeridas por ele próprio depois de ter lido um texto dele na nova Penthouse. Mas nesta é que eu ainda não me tinha lembrado de o catalogar: a dos pensadores.

Pensador para mim era um Sócrates, um Platão, um Séneca, um São Tomás de Aquino, um Adam Smith, um Popper, um Sartre, um Ortega Y Gasset, sei lá, um Unamuno, um Levi Strauss, um Manuel Laranjeira, um Antero…

Agora também lá tenho o Mário Crespo.

O que vale é que no Natal estamos sempre a tempo de alargar os descritores.