A forma como as universidades mais recentes incorporam as praxes académicas, adaptando-as à sua realidade, é um fenómeno interessante. Na Universidade Lusófona, por exemplo, também há rasganço. Tal como acontece em Coimbra, os participantes atiram-se ao estudante com unhas e dentes e este fica todo esfarrapadinho, contorcendo-se conforme pode para tapar o mais possível. Todavia, e aqui encontramos já alguma marca de adaptação e originalidade, na Lusófona o rasganço só acontece uns anos depois de concluída a licenciatura e a cerimónia não tem lugar no Largo da Porta Férrea, mas em plena Praça Pública. Ou no Expresso e no Correio da Manhã. Apesar das diferenças, e mesmo tratando-se de uma praxe algo violenta, é curioso notar que os doutores, sejam eles de Coimbra ou da Lusófona, aparentam submeter-se-lhe com assinalável entusiasmo, como se esta fosse uma etapa fundamental no caminho da procura do conhecimento permanente.
O rasganço
Rui Rocha,

