Há eleitores que são contra o regime, o sistema ou a generalidade dos partidos, ou que consideram todas estas questões indiferentes. Para estes, a escolha racional é a abstenção. Um outro grupo não está nestas circunstâncias mas, conjunturalmente, não encontra resposta nas propostas eleitorais. Nesta caso, a decisão racional é o voto branco ou nulo. Para que esta escolha seja esclarecida, é preciso que os eleitores saibam que o sistema trata indistintamente estas duas situações e que nenhuma delas conta para o apuramento do resultado eleitoral. A partir daqui, a eleição de domingo apresenta uma característica especial. Para os eleitores que pretendem que o voto conte para o apuramento do resultado eleitoral, existe uma única pergunta fundamental que deve ser respondida: deve Portugal cumprir ou não o acordo assumido com a troika? Tudo o resto, nas actuais circunstâncias, deve ser esclarecido depois. Para os que entendem que não, a decisão racional exclui três partidos: PS, PSD e CDS. Para os que entendem que sim, resta optar por um deles (deixo de fora da análise os partidos sem representação parlamentar pois que tal não prejudica a defesa da tese). Ora, esta opção deve fazer-se a partir de uma avaliação do passado e de uma posição sobre o futuro. No que diz respeito ao passado, o aspecto fundamental a considerar é a governação de Sócrates. Dispenso-me de comentários relativamente a tudo aquilo que pode ser traduzido em números (dívida, desemprego…). Eles falam por si. Foco-me, por isso, em aspectos qualitativos. Neste particular, a governação de Sócrates, baseada na mentira, na ocultação, na manipulação estatística, no adiamento de decisões urgentes, em promessas feitas para nunca serem cumpridas, no facilitismo e na elisão da responsabilidade, representou um retrocesso civilizacional para o país. Tal bastaria para eliminar este PS do âmbito das decisões racionais. Deixemos, todavia, que seja ainda submetido ao teste do futuro. A pergunta será então qual destes três partidos está em melhores condições para cumprir aquilo a que se vinculou. E, mais uma vez, as posições de José Sócrates ao longo da campanha deixam-no na pior posição. Quem assina um compromisso de redução substancial da TSU e vem depois dizer que tem dúvidas sobre o assunto não merece qualquer credibilidade. Existem, assim, várias soluções e caminhos ao dispor dos eleitores. Nenhum deles leva, racionalmente, ao voto em José Sócrates. Por isso, a única forma de decidir pelo PS é prescindir de toda e qualquer racionalidade.
Não há decisão racional que justifique o voto em Sócrates
Rui Rocha,
