Do ginásio. Regresso ao Futuro


cosenosapo,

Fui aos 10 anos para a ginástica rítmica. Nada de competições, era tarde para isso. Eu queria era saltitar com fitas e arcos, e fi-lo em grupo pelo pais. As Besuguinhas, chamavamo-nos. Depois a minha professora foi para o Benfica e a classe desfez-se. Comecei a andar pelas aeróbicas, steps e localizadas até à faculdade. Depois disso só voltei a um ginásio por 2003, mas não durou muito. Retomei uns anos mais tarde e voltei a parar até agora que, quero crer, é para manter.

Isto é um post a mim, se pudesse falar com a eu de 15 anos.

 

“Querida tu (eu)

 

Agora os ginásios são diferentes. Mais que isso, chamam-lhes health clubs e trata-se um pouco disso mesmo. 

Usam-se os balneários e não é só para trocar os ténis por sapatilhas ou pontas tomam-se banhos, secam-se cabelos, aplicam-se cremes. Os ginásios são melhores, mas também há gente a circular de todas (e quaisquer) maneiras no balneário, abstrai.

Sabes quando vês quem agarre o calcanhar em vez do peito do pé nos alongamentos? Vais estar assim, lamento. Há esperança, podes voltar ao antes, mas uma ou outra aula ainda o farás assim. Tem coragem e enfrenta o mundo de mão no calcanhar temporariamente.

Pasma: ainda tens bastante flexibilidade, mas esquece definitivamente a perna esquerda à frente numa espargata, mantém-a direita e corre bem. Tudo ok com as mãos ao chão e a cabeça nos joelhos com as costas direitas, já não é mau. A postura continua a ser importante, a expressão podes deixar cair, já não estás em Torres Vedras de fita rosa a esvoaçar. Por outro lado, vais preferir aulas de grupo e coreografias, podes sempre usar um sorriso. 

Há pessoas de todas as idades, gostos e géneros. Há aulas para todos. Ao molho e fé em Deus. Vais quase enlouquecer quando as pessoas não sabem colocar-se em xadrez para optimizar o espaço na aula. Vais ficar azul com as pessoas que guardam lugar para outra que nunca mais chega numa aula. Vais rir das tricas e intrigas de aulas trocadas (os horários são rotativos, não é bestial? vais achar que sim, contra quase toda a gente). Inspira e vai rindo. Escreve posts em blogs (vais gostar disso). 

Vais nunca perceber a descoordenação das pessoas, como é que na rua andam movendo o braço contrário à perna, e no step sobem com o do mesmo lado? Nisso e acertar passos com braços não terás problemas. Vais querer fazer tudo o que são aulas de danças e saltos. Não serás tough a dançar como imaginas que podes ser. Mas não desistas! Trabalha o fôlego. Respira. Vai correr mais vezes. Eu sei que não vais, mas fica dito.

Há mais instrutores como o Rui, descansa. E mais bem dispostos até. Há opções para quem inicia as aulas e vais achar que para ti são só mesmo para quando estiveres prestes a cair para o lado. Há músicas que não terás no mp4 (depois vês o que é) mas delirarás dançar em sala. E há (os mesmos) instrutores que dizem “estamos no Brasil, mostrem os cocos”, vai-te mentalizando que não podes ser transparente por mais que treines o “sou um vaso ming sou um vaso ming sou um vaso ming”. Cora se tiver de ser, mas não pares, mexe-te.

A verdade é que…


José Maria Gui Pimentel,

…estou-me positivamente nas tintas para a maioria das gafes dos políticos, sejam estes de que partido forem.

 

90% são meros faits divers. Como meio de avaliar a qualidade de um político enquanto tal são, na melhor das hipóteses, irrelevantes, na pior, contraproducentes. E, se umas vezes dão para rir, outras nem isso. Numa altura em que o mediatismo é levado ao extremo e os políticos são constantemente chamados a fazer declarações perante perguntas – por vezes disparatadas – sem preparação, seria de esperar que se percebesse que as calinadas são inevitáveis e que pouco reflectem a opinião de quem as diz. É muito fácil nessas circunstâncias qualquer um de nós dizer um disparate não reflectido ou uma frase mal articulada.  

Strauss-Khan dixit?


Ana Vidal,

A notícia é da Lusa – imagine-se a importância – e o i, é claro, pegou-lhe de imediato. Compreende-se: vender jornais, nos tempos que correm, justifica (quase) tudo. E não é só isso. A Europa transformou-se numa fonte de dramas económicos sem graça nenhuma e há que manter, ao menos de vez em quando, a opera buffa em palco a bem da nossa sobrevivência mental. Mas enfim, já nos insultam tanto a inteligência com o dia-a-dia que escusavam de impingir-nos notícias idiotas deste calibre como se fossem sérias. Não só o “estudo” não tem pés nem cabeça, como até mete os ditos pelas mãos nas conclusões, porque afinal quem parece ficar a perder nos kamasutras são os moderados em relação aos extremistas de ambas as barricadas ideológicas, se é que elas ainda existem.

 

Ou então foi Mr. Strauss-Khan quem encomendou a sondagem, para manter em alta a sua preciosa fama de Casanova. O que também se compreende, já que as ambições políticas lhe sairam furadas por excesso de líbido.