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josegomesandre,

Desde há alguns dias, e até às eleições, a SIC Notícias tem apresentado um “Especial Eleições EUA”, em jeito de diário, com comentários, sondagens e análise do estado da corrida. Sempre à uma da manhã, em emissões de 15 minutos. Esta noite vou ter o prazer de estar no programa, a convite de Martim Cabral.

Obama vs. Romney: como estamos?


josegomesandre,

1. Com a aproximação das eleições, multiplicam-se os artigos de opinião, as sondagens, os “memorandos” das campanhas e as notícias eleitorais. Não é difícil ficar à toa perante tanta informação. Recomenda-se prudência na leitura dos artigos opinativos (especialmente nos EUA, onde são francamente imparciais) e na interpretação das sondagens – evitando leituras particulares desta ou daquela sondagem. Os dados mais importantes parecem-me ser as “tendências gerais” das sondagens e as decisões estratégicas (públicas) das próprias campanhas.

 

2. E como estamos nesses dados? Vimos uma corrida estável até ao primeiro debate (com vantagem clara de Obama), momento em que Romney conseguiu projectar a imagem de candidato credível e em que Obama surgiu fragilizado. Desde então, as sondagens mostram uma recuperação de Romney, que conduziu a um empate técnico nos números “nacionais”. Romney alargou a sua “área de influência” (Pensilvânia e Wisconsin, por ex.) e a campanha de Obama foi obrigada a concentrar os seus esforços no Midwest (deixando para segundo plano o Sudoeste e Estados como a Flórida e a Carolina do Norte).

 

3. O equilíbrio e a incerteza são a nota dominante, mas neste momento continuo a achar Obama ligeiramente favorito, por diversas razões. Falta um debate que à partida lhe é favorável (foca-se na política externa, um dos pontos fortes da sua Presidência). Obama tem mais soluções no Colégio Eleitoral, nomeadamente porque no Midwest as sondagens resistem à incursão de Romney (vide Ohio, Wisconsin, Michigan e Iowa). Obama beneficia ainda da estupenda organização no terreno que montou em 2008. E os mercados electrónicos (mormente o Intrade), que permitem avaliar a reacção imediata da percepção geral do público aos eventos diários, continua a ver Obama como favorito (61,3%). 

 

4. Dito isto, não se deixem enganar pela cobertura jornalística portuguesa. Esta será uma das eleições mais renhidas da história americana. É que as referidas vantagens de Obama são compensadas por outros dados favoráveis a Romney: a desilusão do eleitorado com as promessas da Administração; o desalento da base Democrata; o entusiasmo da base Republicana; o profissionalismo da “máquina” organizativa do GOP; e uma campanha de Romney “em crescendo”. Cuidado com as apostas!

Escolher cerejas


josegomesandre,

Cherrypicking: é como os americanos chamam ao acto de seleccionar, a partir de um conjunto muito variado, uma sondagem particular favorável ao nosso argumento ou interesse. Assim como, perante uma taça com muitas cerejas, escolhemos as mais apetitosas. O resultado daquele acto é, naturalmente, pouco científico, impedindo uma análise racional sobre a tendência de um determinado evento político. A cobertura da eleição presidencial americana tem sido marcada por actos constantes de cherrypicking. A imprensa continua a divulgar as sondagens que mais interessam à sua narrativa (e já nem falo dos blogues!), esquecendo todas as outras publicadas no mesmo período. Nas últimas semanas, ora surgem referências a vantagens claras de Obama (7 pontos) ora a um empate técnico. Uns preferem as sondagens estaduais para anunciar Obama como o mais-que-provável-vencedor. Outros agarram-se à Rasmussen para descrever uma luta titânica.

 

Tudo isto é verdadeiro. E tudo isto é falso. Estes intervalos são naturais, pois há diversas sondagens diárias nos EUA. Com tantos dados, podemos contar a história que quisermos. A imprensa tenderá a narrar uma história emocionante, para manter vivo o interesse da opinião pública, mas uma análise séria deve procurar olhar para a média ponderada das sondagens, a única forma de decifrar a objectiva tendência da corrida. É menos emocionante, claro. Não é divertido anunciar que a disputa deste ano tem-se mantido relativamente estável, com ligeira vantagem de Obama, reforçada nas últimas semanas, por factores ainda a determinar (eu aposto em Convenção Democrata e erros tácticos de Romney). Com tantas narrativas de altos e baixos, os leitores ficarão provavelmente surpreendidos ao verificar que Obama lidera as sondagens desde Novembro de 2011 (!) (média RCP).

Follow the leader, er, well… Obama


Rui Rocha,

A Gallup segue diariamente a taxa de aprovação de Obama pelos eleitores americanos:

 

Pelo visto, dos últimos oito Presidentes, apenas Bill Clinton apresentava um resultado pior, sendo certo que, como se sabe, este último não valia, por aquelas alturas, um charuto: 

 

Querendo, pode acompanhar a evolução aqui. Não é uma actividade muito estimulante, mas sempre tem mais interesse do que acompanhar as primárias republicanas.

Primárias Republicanas


josegomesandre,

Um resumo das contendas no Iowa e New Hampshire? Romney venceu em ambos os Estados e consolidou o seu estatuto de favorito. Tem consigo os independentes e os Republicanos moderados, e até boa fatia dos conservadores, que já perceberam ser Romney o melhor posicionado para enfrentar Obama. Os adversários e os media da Direita “Tea Party” continuam a apontar-lhe falhas, mas não têm aparecido adversários à altura. Só um cataclismo eleitoral poderia afastar Romney da nomeação.

 

Notas mais exaustivas no Era uma Vez na América, onde com Nuno Gouveia e Alexandre Burmester acompanho de perto a política americana.