1. Com a aproximação das eleições, multiplicam-se os artigos de opinião, as sondagens, os “memorandos” das campanhas e as notícias eleitorais. Não é difícil ficar à toa perante tanta informação. Recomenda-se prudência na leitura dos artigos opinativos (especialmente nos EUA, onde são francamente imparciais) e na interpretação das sondagens – evitando leituras particulares desta ou daquela sondagem. Os dados mais importantes parecem-me ser as “tendências gerais” das sondagens e as decisões estratégicas (públicas) das próprias campanhas.
2. E como estamos nesses dados? Vimos uma corrida estável até ao primeiro debate (com vantagem clara de Obama), momento em que Romney conseguiu projectar a imagem de candidato credível e em que Obama surgiu fragilizado. Desde então, as sondagens mostram uma recuperação de Romney, que conduziu a um empate técnico nos números “nacionais”. Romney alargou a sua “área de influência” (Pensilvânia e Wisconsin, por ex.) e a campanha de Obama foi obrigada a concentrar os seus esforços no Midwest (deixando para segundo plano o Sudoeste e Estados como a Flórida e a Carolina do Norte).
3. O equilíbrio e a incerteza são a nota dominante, mas neste momento continuo a achar Obama ligeiramente favorito, por diversas razões. Falta um debate que à partida lhe é favorável (foca-se na política externa, um dos pontos fortes da sua Presidência). Obama tem mais soluções no Colégio Eleitoral, nomeadamente porque no Midwest as sondagens resistem à incursão de Romney (vide Ohio, Wisconsin, Michigan e Iowa). Obama beneficia ainda da estupenda organização no terreno que montou em 2008. E os mercados electrónicos (mormente o Intrade), que permitem avaliar a reacção imediata da percepção geral do público aos eventos diários, continua a ver Obama como favorito (61,3%).
4. Dito isto, não se deixem enganar pela cobertura jornalística portuguesa. Esta será uma das eleições mais renhidas da história americana. É que as referidas vantagens de Obama são compensadas por outros dados favoráveis a Romney: a desilusão do eleitorado com as promessas da Administração; o desalento da base Democrata; o entusiasmo da base Republicana; o profissionalismo da “máquina” organizativa do GOP; e uma campanha de Romney “em crescendo”. Cuidado com as apostas!

“foca-se na política externa, um dos pontos fortes da sua Presidência”
Suponho que agora Guantanamo já não conte não é?
Demonstra mais uma vez como os jornalistas manipulam.
Tirando Bin laden não há ponto forte algum, pelo contrário, só erosão da confiança, confusão e um embaixador morto num ataque morteiros e rpg’s com Obama e o seu staff a dizer que foi por causa de um vídeo no youtube.