Passagem de Nível


tralhasdavida,

“Mas na metrópole há cerejas. Cerejas grandes e luzidias que as raparigas põem nas orelhas a fazer de brincos. Raparigas bonitas como só as da metrópole podem ser. As raparigas daqui não sabem como são as cerejas, dizem que são como as pitangas. Ainda que sejam, nunca as vi com brincos de pitangas a rirem-se umas com as outras como as raparigas da metrópole fazem nas fotografias”.

 

(Dulce Maria Cardoso, em O Retorno)

bla bla


Patrícia Reis,

 

I am what I hide … a mulher leu a frase, era bom saber que quem criou o álbum no Pinterest o classificou como citações de merda, literalmente. Um consolo. No meio da merda encontram-se algumas verdades e a verdade, pensa a mulher, tem uma agenda reduzida.

José Tolentino Mendonça


Patrícia Reis,

Por gerações, a perseverança indicou uma prática de vida, o estilo moral de quem se mantém fiel ao seu caminho e às suas convicções, sabendo que isso tem um custo previsível: a turbulência e a aspereza das viagens de verdade. A perseverança queria dizer não abandonara meio a obra começada, mas insistir com todas as forças para levá-la a cumprimento. (…) A arte da perseverança não é um combate de certos dias de certas ocasiões: é, sim, um combate de todas as horas e de todas as etapas do que percorremos. E é um combate interno (consigo, contra si e por si) para manter, no tempo, quer a duração, quer a intensidade do que prometemos: uma tarefa, um desejo, um compromisso, uma palavra, uma amizade ou um amor.

 

(excerto do texto publicado na revista do jornal Expresso)

Passagem de Nível


tralhasdavida,

“(…) os graffitis exigiam que os ricos fossem comidos, postos na cadeia ou exterminados por meio de aumento dos impostos. Embora às vezes me parecesse boa ideia, eu esperava que a revolução não acontecesse enquanto eu fosse vivo. Não queria que os ricos desaparecessem antes de eu ter oportunidade de, pelo menos durante algum tempo, ingressar nas suas fileiras”.

 

David Sedaris em “Eu falar Bonito Um Dia”

Oscar Wilde – De Profundis


Patrícia Reis,
Ao serem libertados, muitos homens levam consigo a prisão, escondem-ma no coração como uma desgraça secreta, e por fim, como pobres coisas envenenadas, deixam-se cair num buraco e morrem. É uma pena que tenham que fazê-lo e é errado, terrivelmente errado, da parte da Sociedade, forçá-los a isso. A Sociedade apropria-se do direito de inflingir castigos espantosos aos indivíduos, mas também tem o supremo vício da vulgaridade, e não compreende o que fez.

pois


Patrícia Reis,
“Há dois tipos de pessoas que dizem a verdade: as crianças e os loucos. Os loucos são internados em hospícios. As crianças, educadas.”

Jean Paul Sartre