A rapariga, provavelmente ainda adolescente, caminha pelo passeio na minha direcção. É bonita mas pesa no mínimo vinte quilos mais do que as normas estéticas em vigor recomendariam. Veste uma blusa roxa com duas palavras escritas na zona do peito, em letras formadas por pontos brilhantes: Love Sucks. Sei que a adolescência é um período complicado para toda a gente mas, enquanto passamos um pelo outro, não consigo evitar perguntar-me se, pesando menos os tais vinte quilos, ela a teria comprado. Tão cedo.
(Por outro lado, a juventude é o tempo das proclamações rápidas e definitivas. Apenas mais tarde se percebe que, sim, love sucks, de muitas e diferentes maneiras – mas nem sempre. Love sucks tantas vezes quantas parece maravilhoso. Ou, com sorte e talvez saber, menos uma.)
