Castos e pobrezinhos


cronicasnofeminino,

Começo a ter medo de viver neste país e isto porque tudo mas tudo, rigorosamente tudo, se não foi taxado com impostos, sobretaxas e tributos solidários, poderá vir a sê-lo e tudo o que se tinha como garantido pertence ao passado. Já aumentaram tudo o que podia ser aumentado, ou quase, e quando o povo, de pé ligeiro e estômago vazio, se preparava para esquecer as agruras e descarregar o stress numa sessão tórrida de sexo ou amor, meia hora de alienação total e entrega desalmada, corpos enleados na alcova da intimidade, eis que surge esta nova medida. Voltemos a medir temperaturas, contar dias e a cuscar viscosidades várias à procura da linguagem do corpo, entreguemo-nos à prática, que se não é milenar bem podia sê-lo, do coito interrompido. Quem está a esfregar as mãos de contente é a Igreja Católica. Este Governo vai fazer mais pelos pecadores do que cem homilias na Quaresma. Se não estivéssemos tão mal até julgaria que era um incentivo à maternidade. Já que mal nos deixam comer ao menos que nos deixassem entregarmo-nos a outros verbos acabados em –er. Mas não. Além de pobre e faminto, o povo quer-se bento e casto. Muito bem. Há que pôr o povo na linha, esses badalhocos.

33 comentários em “Castos e pobrezinhos”

  1. As portuguesas – podem ir ao seu posto-médico… (planeamento familiar) e obter de borla as pilulas e outros artefactos que lhes permitem “badalhocar” a vontade…
    É assim que se badalhoca em toda a Europa!

    1. Claro. Até porque Portugal é tal e qual a ‘Europa’ e o povo não tem mais nada que fazer do que perder as manhãs e as tardes no Centro de Saúde à procura de pílulas e preservativos esgotados.

      1. Perde o mesmo tempo quer ir ao seu médico pedir a receita e depois ir aviá-la a uma farmácia…
        Ate a pilula do “dia seguinte” é de borla no tal de “planeamento familiar”….Que não tem lista de espera…e tem “material” em abundancia!

        Repito: É assim em toda a Europa! Contraceptivos grátis /comparticipados só nos postos médicos!

  2. Tanto quanto se sabe a pilula tem distribuição grátis nos centros de saúde, é claro que, seguido o racicinio humoristico do seu post quem se lixa são os pobres que terão de começar a ir aos Centros de Saúde para obter a pilula, porque dantes iam ao médico particular para lhe passar a receita.

    1. Mas não deixa de ser estranho que com esta medida que inclui o corte nas vacinas do VPH e a Hepatite B o Estado vá arrecadar 19 milhões de euros. É capaz de haver gente que a comprava com comparticipação, não acha?

  3. Este post está perigosamente perto da desonestidade intelectual.
    Recomenda-se mais prudência com os devaneios satíricos.

      1. Por que venho cá:
        – ler? Na expectativa de aprender com os outros.
        – comentar? Na esperança de ser útil. O que não significa ser agradável. Não tenho tacto para adulador; e desconfio instintivamente de quem me aplaude.

        Não tenho por hábito usar o pseudónimo para ofender gratuitamente a coberto de um pretenso anonimato (tirando algumas graçolas com os netinhos do socialismo). Interessa-me o que leio, não quem o escreve; e procuro ser objectivo nos comentários, sem arrastar para questões pessoais.

        Não tenho blogue meu, é verdade. Mas será suposto que todos sejam autores? Não poderão alguns ser apenas leitores?
        Percebo que ser autor dá trabalho: nem sempre há imaginação, nem sempre se é feliz nas palavras, nem sempre se tem a razão do seu lado. E estando-se sempre exposto à crítica e à irrisão, nem sempre é fácil distinguir uma crítica justa e merecida duma crítica maldosa e ofensiva.

        Da minha parte, se detectar algum comentário meu que lhe pareça intelectualmente desonesto, agradeço que me chame a atenção.

        Cabe a si decidir se aprova

        1. Mas já pensou que pode criticar sem ser desagradável? É que chamarem o que escrevo de ‘perto da desonestidade intelectual’ não será propriamente a melhor das qualidades e rejeito liminarmente qualquer desonestidade intelectual. Não gostei. Não gosto. É um direito meu, tal como é um seu ler-me e criticar-me mas não nesses termos.

  4. Ah! A fleuma de uma mulher de garra quando lhe salta a tampa 🙂 Muito bom texto. Embora em substância eu subscreva o já dito pelo bruxo. Sabe como é que é, uma pessoa acautela-se, que isto yo no creo en brujas pero que las hay las hay ;).

  5. Também não concordo com o conteúdo do post, o que não impede que goste da forma. Até porque gosto sempre de ver uma mulher de garra a defender o seu direito à “meia hora de alienação total e entrega desalmada”! Mas não podemos ficar eternamente refugiados na nossa condição de europeus atrasados, é preciso avançar para sistemas de apoio que funcionem sem o facilitismo do costume porque “o povo é irresponsável, coitadinho”. O povo não tem de ser bento e casto, tem é de aprender a ser responsável e não esperar sempre que alguém lhe resolva os problemas todos.

    1. O meu ponto não é esse, Ana, o ‘povo’ é apenas uma figura de estilo para todos nós. Se os Centros de Saúde funcionassem bem e não houvesse cortes sucessivos no pessoal e obviamente uma diminuição da qualidade dos serviços, até poderia admitir que, já que estamos como estamos, há que fazer um esforço. Não é o caso.

    1. Acho injusto que deixe de haver comparticipação, tanto no caso da pílula como nos outros. Não é admissível que os medicamentos para a asma e as vacinas deixem de ser comparticipados. Estão a fazer-se cortes cegos em áreas fundamentais. É claro que são precisos sacrifícios, já os estamos a fazer todos, os funcionários públicos já antes desta onda de cortes, mas uma coisa é racionalizar outra é cortar desalmadamente. A pílula foi apenas o leitmotiv que me inspirou ou não 🙂
      Gostei de o ter como leitor. É um prazer poder conversar 🙂

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