Agora que o espectáculo chegou ao fim e se começou a desmanchar a feira, já posso repetir o que digo há anos e nos últimos meses silenciei para não prejudicar ninguém e não correr o risco de me chamarem ave de mau agoiro.
Tenho muita pena de dizê-lo, mas irei continuar a bater na mesma tecla. O mau resultado nacional do PS resume-se a um problema de castas. Não de hoje, nem de ontem. O partido vai ter de decidir se quer continuar a fazer vinho com tudo o que aparece, misturando sem critério e a granel, apresentando uma zurrapa sem alma, sem profundidade, de consumo imediato e sem hipóteses de atingir a maturidade, produzida por produtores envelhecidos, que não se modernizam nem querem que a casa se modernize, ou se quer começar a escolher devidamente as castas, arranjar bons enólogos, renovar a adega para lhe tirar aquele cheiro a mofo que impregna o ar, e apresentar um produto decente, inovador, capaz de ser valorizado e de ser apreciado pelos portugueses sem necessidade de se lhes estar a prometer um salpicão com a fotografia de especialistas em sueca, PPP e futebol de estúdio.
Estar a produzir vinho para concorrer com os pacotes de cartão de Marco António Costa e o marketing de Assunção Cristas e Paulo Portas, feito de porta-chaves, amostras de lavanda e bandeirinhas, nunca me pareceu boa política. Porque a venderem em feiras, com a experiência deles em cervejas e a apresentarem maus produtos valorizados, eles são muito melhores.


Tem razão:
Um dos fundadores do PS, foi o maior vinhateiro de Portugal: Abel Pereira da Fonseca.
Depois de esvaziar porventura uns pacotes de cartão de Marco António Costa ‘boosted’ pelo marketing de Assunção Cristas e Paulo Porta, consegui lembrar-me (de cor) destas linhas singelas:
“Depois de Alcácer-Quibir
El Rei D. Sebastião
(oh, oh, oh…)
Perdeu-se num labirinto
Com seu cavalo real
(oh, oh, oh…)
As bruxas e adivinhos das altas serras beirãs
Juravam que nas manhãs, encerrado num nevoeiro
Vinha D. Sebastião
Pastores e trovadores das regiões litorais
Afirmaram terem visto, perdido por entre os pinhais
El Rei D. Sebastião
Ciganos vindos de longe
Falcatos desconhecidos
Tentando iludir o povo
(uh, uh, uh…)
Afirmaram serem eles
Qu’El Rei D. Sebastião
E que voltava de longe
(uh, uh, uh…)”
Estes resultados são o que melhor se adequam a uma renovação da casta, Sérgio.
PSD perde 17 deputados face a 2011 (onde teve 108) o CDS perde 18 deputados face a 2011 (onde teve 24), pois juntos somam 99 deputados em 2015, e o PS ganha 11 face a 2011 (onde tinha 74) obtendo agora 85. O CDS transforma-se numa força política irrelevante sob o ponto de vista dos deputados das outras forças (PCP com 17 deputados e BE com 19 deputados).
Nota: o resultado baseia-se nas percentagens de deputados alcançados pelo PSD e CDS individualmente em 2011 e segue o critério da proporcionalidade.
Por favor, façamos uma leitura correcta dos números. Isto é matemática e não política.
Correcção: CDS perde 16 deputados. O alinhamento é o seguinte:
81 deputados para o PSD e 8 deputados para o CDS. Total da Coligação em 2015 = 99 deputados.
Juntos em 2011 possuíam 132 deputados. Perdem 33 deputados.
Número de deputados para o PS em 2015 = 85. Em 2011 possuía 74 deputados.
Venham agora falar em vitória da coligação e derrota do PS.
Meus caros a comparação não pode ser feita com as Europeias. As europeias não elegem deputados para o parlamento português.
Nas eleições europeias a taxa de abstenção foi de 66,16%
Peço desculpa, isto é da noitada. Estou a passar números com cálculos de outras operações. Abri a folha de cálculo errada.
É assim:
PSD 80 CDS 19
Ó Camarada Vento
Aquilo não foi um ventinho de bufa… foi um vendaval! ( escala 5 de 1/ 5) Pudera!
O Cesar ( P. do Partido) é especializado e tempestades ao norte dos açores…o homem trouxe a desgraça com ele!
O Presidente da Camara de Lisboa,ja deu o recado!
O problema do PS é querer prometer tudo a todos. O povo detecta a banha da cobra, mesmo que bem camuflada ou radicalizada. Tanto tudologo, que fizeram analises/previsoes para todos os gostos, faziam bem em reverem os seus próprios tarots, para aprenderm algo.