Casado, único titular


Rui Rocha,

Quer dizer então que os Excelentíssimos pretendem diluir metade dos meus subsídios para eu não sentir com tanta violência o aumento dos impostos que se destinam, entre outras finalidades meritórias, a financiar a Fundação Mário Soares, o INATEL e os pacholas que o Vítor Ramalho lá meteu, o Carnaval da Madeira, a árvore de Natal interactiva do Costa e do Leonel, a instalação do gajo dos dióspiros que bateu com a cabeça numa figueira em Guimarães, as senhas de presença do Jorge Sampaio, os custos de manutenção do Galambódromo de Beja, a sobreposição de cursos inúteis nas Universidades e Institutos Superiores públicos que infestam o país, os trezentos e não sei quantos munícipios absolutamente necessários ao desenvolvimento harmonioso do território, os tachos dos boys no aparelho da Segurança Social, na Saúde e no IEFP que o Bilhim afirma que não existem, o AUDI A5 do Zorrinho, o BMW do Pedro Vespa Soares, os negócios do Duarte Lima pagos pelo Estado, o título honorífico  de campeões do mundo das PPP financiadas pelo BES com o dinheiro que o Lula sacou do Brasil, a nacionalização do BPN e as férias do dias Loureiro em Cabo Verde, a tinta para o cabelo do Borges, os concertos do Carreira, do Abrunhosa e do Quim Barreiros no dia da elevação de Cabeço de Vide a parvónia, o relvado sintético do campo de jogos de Fronteira, os milhões dos pareceres que permitem ao Júdice andar a armar-se em parvo, a reforma da Esteves quando ainda tinha idade para concorrer a financiamentos como Jovem Agricultora, os F16 para uns tipos porreiros fazerem de conta que são o Tom Cruise e perderem um teco-teco que desapareceu misteriosamente algures sobre Vilar Formoso, a cidade das selecções, os jardins interiores e os mármores da Parque Escolar, o Magalhães sem teclas que o Toino vai vender na esquina da Rua do Loureiro, os 100 mil euros para o torneio de Golfe comemorativo do centenário da República, as caricaturas do António no Metro? Pois muito bem. Agradeço a preocupação e comunico que vou tomar medidas adicionais à prevista diluição. No início de Janeiro, segue carta para a minha entidade patronal informando que sou casado e único titular dos meus rendimentos. A Adélia dirá o mesmo à entidade patronal dela. O efeito imediato é a retenção na fonte baixar durante o ano de 2013. Depois, em 2014, acertaremos contas e o Estado receberá a totalidade do imposto devido pelo ano de 2013. Se cá estivermos. Mas, até lá, o dinheiro fica deste lado. E eles que vão diluir e reter prá casa do Carvalho mais velho. Sim, esse: o Manuel Carvalho que mora aqui na casa ao lado. 

30 comentários em “Casado, único titular”

  1. Vais é pagar, ali, como manda a lei, afinal andaste a viver acima das tuas possibilidades. Agora pagas, e mai nada.

    1. Não se esqueça, portuguesacoreano, que estamos a viver numa ditadura económica e financeira, que nos está a ser imposta pela alemanha. E que, para que essa ditadura pudesse ser implementada, o capitalismo utilizou a arma mais eficaz: “dar” dinheiro aos países, fingindo ajuda-los a dinamizar cada um, a sua economia, e porporcionar aos seus habitantes o nível de vida que ha muito sonhavam.
      Depois, os bancos, limitaram-se a seguir a mesma apoligia. Na altura do “crédito fácil” se um promitente contratuante, desabafasse com o banco a dúvida de ter no futuro, condições para satisfazer o compromisso que pretendia assumir, o gerente de conta lançava uma gargalhada intimidante, do tipo – estás parvo pá, a economia é sempre a subir e se hoje ganhas 1.000 euros, para o ano estrás a ganhar 10.000, ou mais!
      vivia-se uma época em que não recorrer ao crédito, era perder a oportunidade para “prosperar”, era quase crime de lesa-pátria.
      Aqora é que apareceram aí uns fadistas de peito inchado e cachiné ao pescoço, a convencer a malte, que fomos uma cambada de inconscientes, de val-de-vinos, que andou a estoirar o guito em putas e em vinho-verde.

      1. Estava usando um pouco do meu mau habito: a ironia. Creio que estamos em sintonia, só tenho um reparo a fazer ao seu comentário; acreditar em dinheiro dado, é mais grave do que acreditar no Pai Natal. Os fundos comunitarios foram mal governados, e essa culpa não é dos países do norte, é “nossa”.

        1. Compreendi perfeitamente que ironizava, portuguesacoriano.
          O sentido do meu comentário, não pretendeu ser específico, mas sim, generalista.
          Quanto à “crença” acerca do dinheiro “dado”, muita gente, naquela altura, a tomou como séria.
          Não podemos esquecer-nos que tanto os políticos como os bancos nos tentaram convencer que assim era.
          Aqueles que tiveram um pouco mais de visão e conseguiram manter a coerência de raciocínio no meio de toda aquela avalanche de apoios e subsídios e o diabo a sete, são aqueles que hoje conseguem manter os tomates intactos… os outros, estão com “eles” entalados.

          1. Pois, guardaram os tomates nos offshores e da noite para o dia declararam insolvência.

  2. Como mesmo assim, não mencionou muitos e importantes destinos que o nosso “arame” alcança, presumo que esteja numa onda de poupar tinta ao computador.
    Eu, pacóvio e crente nos valores éticos e de missão que norteiam as forças armadas, ainda esperei por uma revolução e pela criação de um governo provisório que começasse por varrer todos esses e mais aqueles desmandos que não mencionou e depois de colocar tudo nos eixos, marcasse eleições.
    Depois… “caí na real” e disse de mim para comigo: ó Tótó, mas andas a dormir, ou acreditas realmente que o pai natal é um velhote de barbas que distribui presentes pelos meninos? Então ainda não percebeste que os gajos das forças armadas, mamam da mesma teta? Não vês os generais e os brigadeiros e os coroneis, etc. a chegar às paradas militares em topos-de-gama com motorista e alguns, acompanhados de ordenanças? Não sabes que o país não está em guerra? Não consegues imaginar que se esses tipos dessem um passo no sentido de correr com esta xularia toda, também secava a mama para eles?
    Ai caráças… andas a dormir, meu!

    1. A Esteves, Isabel… pode parecer à primeira vista que não é uma , mas sim várias, que não estiveram. Mas não. A Esteves, é aquela mocinha lingrinhas, afectada, que la do alto assento etéreo onde se senta, sentencia: senhor deputado, queira por favor terminar a sua imtervenção!

        1. Por acaso, é mesmo maldade. E até houve aqui no blog justas críticas a essa invasão da privacidade. Mas a gente “andamos” mesmo maldispostos. Sorry.

  3. Nas cartas às respectivas entidades patronais indaguem da possibilidade de receberem em numerário e se esta vos for negada, apresentem-se ao balcão do vosso banco a levantar o graveto a cada dia de pagamento. Por sí acaso!
    Aliás, entre adiantá-lo ao governo ou emprestá-lo aos banqueiros a juro zero, venha o diabo e escolha!

    1. Seguiria a sua sugestão com todo o agrado, Pedro, não fosse o caso de, para fazer o transporte do “graveto” do banco até à minha residência, ir necessitar de alucar um TIR. Imagina em quanto é que isso me iria ficar?

  4. Em grande, Rui!

    Vão-se mas é todos refundir, vão trabalhar, que nunca fizeram mais nada na vida senão viver às custas de quem trabalha. Estamos pelos cabelos de sustentar tanto chulo, tanto ladrão!!!… Eles sim, vivem muito, mas muito acima das nossas possibilidades!

    (Galambódromo? Pronto… já me pôs bem disposta… )

  5. Sempre que referir a Fundação Mário Soares convém referir sempre, mas sempre mesmo, a Fundação Social Democrata da Madeira (que até está sob alçada criminal).
    Assim só naquela…
    e a ponte Vasco da Gama que já foi paga, no mínimo, 6 vezes
    e as reforma do Jardim e associados em acumulação lá na Madeira
    e…

  6. Fui fazendo que sim com a cabeça a tudo, até… alto lá! Cabeço de Vide não foi elevado a parvónia, que isso já era. Agora, por via de umas pedras misteriosas, foi elevado a Martónia.

  7. Simplesmente, obrigado pelo desabafo; pela paciência na numeração séptica, fossa que se perpetua, infinita..para gáudio de uns e fado de outros; outros que somos nós; invisíveis e ináudiveis.

    “Ai Portugal Portugal, de que é que Tu estás à espera?”

    “É tudo feio, tão feio, tão feio, feio, tão feio, tão feio”

    Abraço.

    David

  8. Confesso que me fartei de rir com a dos F16 a perderem o “teco-teco”… looool bem apanhado. Só mesmo neste país é que se gastam fortunas a “escoltar” o teco-teco carregado com droga. Não fosse ele perder-se e não aterrar no local previsto

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