Carta da minha sobrinha-neta Flora, escrita em 2100, enviada pela máquina do tempo que ela mesma inventou, na sua primeira experiência. A carta apareceu-me hoje assim, manuscrita, na minha secretária:
«Querido tio, gostava que aqui estivesses, para poderes ver o meu mundo, tão diferente daquele que imaginaste. Não posso dizer que somos todos mais felizes do que no teu tempo, pois isso seria exagero e mentira, mas vivemos numa sociedade que, apesar dos seus defeitos, é mais justa do que aquela que conheceste, mais rica e progressiva, mais otimista e segura. Somos mais sábios? Não me parece, mas sabemos mais coisas, o que não é o mesmo. Os problemas da tua época não têm a mesma forma na minha, mas persistem neste tempo alguns dos defeitos menores da nossa espécie, a inveja, desprezo, medo, ambição e os chamados erros humanos em geral, que resultam das fraquezas correntes e que seria apesar de tudo uma grande pena perderem-se pela inevitável e progressiva modificação da nossa natureza. É talvez o problema que mais nos apaixona: até que ponto queremos manter a natureza humana, prolongar a vida, aumentar as nossas capacidades mentais e físicas, incluir uma parte maquinal nos nossos corpos, viver em comunidades de consciência alargada, entre outras amplas possibilidades tecnológicas que dificilmente poderias entender. Os meus pais ensinaram-me a gostar e cuidar de pessoas e assim vivi todos estes anos, já não vou mudar, embora me preocupe a longevidade e, claro, tudo farei para atrasar o meu próprio envelhecimento e a miséria da decadência. Tenho 82 anos, o que nesta época ainda é ser jovem, por isso viverei mais umas décadas. No ano em que nasci, em 2018 (lembras-te quando me pegaste ao colo?) sei pelos teus apontamentos que imaginaste um futuro com viagens mais velozes, energia abundante, gente em demasia, crises sociais e poderes oligárquicos. No fundo, olhavas para a tua realidade e pensavas como ela iria evoluir através de mais do mesmo: haveria aviões, mas mais rápidos, computadores mais pequenos, pessoas mais saudáveis, conflitos com mais fogo-de-artifício, um capitalismo mais selvagem. Não aconteceu exactamente assim, houve saltos súbitos e mudanças profundas, sobretudo quando acabaram os combustíveis fósseis e descobrimos a forma de viajar entre as estrelas e de construir autómatos capazes de fazer todo o trabalho mecânico. Não, não concluas que somos indolentes e preguiçosos, dispomos de um exército de escravos robóticos, mas cada indivíduo pensa em ser útil e, na realidade, vivemos uns para os outros, mergulhados em fantasias e na busca da felicidade, já nos libertámos da ideia de utilização finita de recursos (usamos sempre menos do que está disponível), explorámos outros sóis na galáxia e levámos connosco o esplendor da vida, com nova compreensão da mortalidade e melhor entendimento do universo. Tudo aquilo que entre nós te poderia horrorizar (as experiências de mente colectiva, por exemplo, ou a minha máquina do tempo), possui também alguma coisa de milagre; as nações diluíram-se e as culturas misturaram-se, não há fronteiras (excepto em alguns locais que escolheram manter-se isolados), temos mais liberdade e tolerância. Pensarias porventura que, para as nossas idades, somos infantis, ingénuos e demasiado irreverentes, certamente ficarias surpreendido com a sofisticação artificial e algo pedante das conversas que mantemos à hora do chá. Talvez te fizéssemos rir e talvez nos ríssemos de ti, meu tio-avô, que estás tão sério neste velho retrato da tua meia-idade, uma imagem diluída que tenho à minha frente e me leva, através da espessa névoa que cobre o oceano do tempo, a vagas memórias da tua existência.

Nos anos que me restam o que mais gostava de assistir era a chegada do Homem a Marte e o avanço no conhecimento do Espaço /Quântica. Qualquer coisa que nos fizesse novamente sonhar
Epá,Luís, se me publicar os comentários ao menos que mos corrija para bom português, se faz favor . …cada vez escrevo pior….o Teco foi-se…
Mas que carta tão agradável! É bom ter boas notícias do futuro. Envie as minhas felicitações à sua sobrinha!
Eu cá também gostava que o “Homem” das novas tecnologias/smartfones e etcs, fosse de vez para Marte, levasse com ele tudo, especialmente a energia venenosa que brota do smartfones e outras que queimam a vida dolorosamente a cada um! Que se fosse de vez!
Sou a Graça Matos. Estive todo o dia aflita a enviar mails. mas penso que já estão bloqueados. A minha perna, onde não sei quantos se ligam, já se encontra dormente de dor e a pesar-me toneladas. Estiva a fazer a minha vida quase de rastos. . Quando escrevo, como me estão a ver, ainda fazem pior e, começa a insistir nos focos de energia e fazem a per latejar e a barriga fazer barulhos, a gozarem-me. Isto da perna já dura há 15 dias. É uma inovação das experiências deles; não deixa de ser um escárnio desumano… Se puder ajudar eu agradeço, pois nada os demove. Penso que nem têm medo. Não publique, mais pelo seu blog, do que por mim, mas agradeço-lhe muito que tenha em conta o que estiver ao seu alcance e, desde já, lhe agradeço o que tem batalhado por mim.Grata sempre.
Continua tudo cada vez pior.24 horas p/ dia .face bloqueado.
Continua tudo igual. Trafico do corpo humano.
De dia e de noite, tudo igual. Face bloqueado por conta dos mesmos. Smartfones, mais do que um , ligados à perna esquerda, dia e noite. Neste momento que escrevo, apontam a minha mão , ao computador, para deixar de escrever. Vai ficando quente e de seguida dormente. Acontece vezes sem conta.