Calinada “cultural”


Pedro Correia,

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O primeiro-ministro assinou uma “carta aberta” ao sector da cultura, publicada no Portal do Governo.

Leio essa carta.

Logo na primeira linha, um erro de palmatória: “Nos últimos dias, vários criadores culturais têm-me contatado…”

Assim mesmo.

Um iliterado escreveu, o primeiro-ministro assinou e mandou publicar.

Ninguém reparou, ninguém detectou o erro logo na linha inicial, ninguém quis saber da calinada.

Assim anda a “cultura” com chancela oficial neste país.

46 comentários em “Calinada “cultural””

    1. Mais que discutível, meu caro José Meireles Graça. “Individualmente a cada um” é algo que roça não apenas a indigência estilística mas a estultícia intelectual.
      Presumo que tenha saído do ‘colt’ do assessor “coltoral”.

  1. Provavelmente o que o Sr. PM afirmou é que tem sido “contatado”, ou seja, contactado com muito tato, em tom diplomático.

      1. Aí é que se engana: o acordês serve de desculpa para tudo. Agora cada um pode escrever como lhe der na bola que está sempre certo: ou é pela antiga ortografia, ou é pelo acordo ou fiz confusão. Há sempre desculpa e boa.

      1. Depende de la lengua, ¿verdad?

        “Una anécdota es un cuento corto que narra un incidente interesante o entretenido, una narración breve de un suceso curioso. 
        Una anécdota siempre está basada en hechos reales, un incidente con personas reales como personajes, en lugares reales. No obstante, con el correr del tiempo las pequeñas modificaciones realizadas por cada persona que la cuenta pueden derivar en una obra ficticia, que sigue siendo contada.”
        Buen ejemplo: Puigdemont

  2. Aposto o meu testículo esquerdo em como quem escreveu e quem assinou são rigorosamente a mesma criatura — ambas a única, como ele próprio diria.

        1. No outro dia apostou o direito. Antes o dedo mindinho do pé. É sempre mais seguro cada um apostar aquilo que menos falta lhe faz

  3. Os sousas netos continuam a enxamear as “secretarias” – mormente as da “cóltura”…
    E viva o “torrãozinho de açúcar”…

  4. A coisa agigantasse e temos agora do pior coiso que sempre coisou.
    Suportamos um histórico nauseabundo de baralhar, cagar e andar.
    Socrestados, Encostados e Ferrados será o que somos?

    1. É a República — a pulsão administrativa dos chefezinhos de gabinete para se tornarem capatazes. Mesmo a colagem de um apelido a uma tristonha liderança política funciona como o carimbo de uma repartição.

  5. Cada cavadela cada minhoca e Mr. Correia que não se pronuncia…porque será?

    “A coisa agigantasse e temos agora do pior coiso que sempre coisou. “

    Errado!

    Certo:
    ” A coisa agiganta-se e…”

    Lá está; no melhor pano cai a nódoa!!!

    ehehehe

      1. Mas o Rão construiu a frase no presente do indicativo do verbo ‘Agigantar’. Logo será «Agiganta-se».

        Para usar a palavra, da forma que usou, teria de construir a frase da seguinte forma:
        « Se a coisa se agigantasse, teríamos agora do pior…»

        Eu escreveria assim, mas que se pronuncie quem saiba a fundo ‘Português’…

        1. Minha Senhora, muito obrigado pela lição.
          Acontece que na qualidade de simples cidadão com a 4ª classe feita a 3 pancadas nos anos 50 do século passado, não pretendo acompanhar na escrita pessoas com outro conhecimento e capacidade.
          Sempre na convicção que neste espaço se dá acolhimento a quem de uma forma menos trabalhada pretende expressar as próprias ideias, por aqui continuarei sempre atento à ferramenta corretora que a Sra. D. Maria Antonieta não deixará de colocar à disposição dos menos letrados.
          Tenho sempre presente um pressuposto que me anima:
          Uma vela toda retorcida e chamuscada pode dar tanta luz como outra muito torneada e polida.
          Nem todos podemos ser candidatos e emparelhar com ministros e presidentes. Aproveito também para deixar o meu apreço a Pedro Correia que nunca me molestou por causa da escrita, sem deixar de me dar pancada quando avalia que estou a derrapar na visão da situação que se apresenta.
          Foi um gosto este bocadinho.

          1. Que a Língua seja cultivada e usada apuradamente.
            Mas que nunca o seu desconhecimento seja justificação para mordaças!

            Mas que o Rão deu uma forte calinada e a tentou defender quando o tema era, exactamente, calinadas no Português, lá isso deu, o que legitimou a “no melhor pano”… e a da 4a Classe teria sido bonita se tivesse sido a primeira e única resposta 🙂

  6. Esta história das calinadas só serviu para demonstrar que vivemos num país de virgens. Umas são virgens sensatas e têm a mania que são melhores que as virgens estultas. Mas no fim vai-se a ver e são todas iguais. Ou seja, virgens.
    Ai virgindade, virgindade. Quem ainda a tem chama-lhe sua…
    “And the wise and foolish virgins giggle with their bodies glowing bright.” (https://www.youtube.com/watch?v=2yUN6CsuVPw)

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