1. Também estaríamos a criticar o governo se tivesse concedido a tolerância de ponto.
2. Nas rádios e televisões, presidentes de Câmara, comerciantes e responsáveis por desfiles carnavalescos garantem que a inexistência da tolerância de ponto na Terça-Feira de Carnaval é má para a economia. Bom – para a das localidades em que vivem, com certeza. Para a do país, se esquecermos eventuais vantagens de mais um dia de trabalho, é irrelevante: o dinheiro ficará noutros bolsos, certamente não mais ricos, e será gasto noutras coisas. A menos que alguém consiga provar que o nosso Carnaval, essa imitação pindérica do Carnaval brasileiro, traz milhares de turistas estrangeiros ao país.

Atão não tráz??!!
Chartesrs… todos os dias… às centenas… pó Allgarbe, pá Figueira pr’Ovar, até já fizeram um éroporto em Loures…
E mais!!!
Não nos podemos esquecer do efeito. O carnaval contribui para a manutenção do equilíbrio mental do pipal. Aquilo funciona como exorcisação dos males, dos medos e das chuvas… e os médicos e a indústria farmaceutica têm oportunidade de sacar mais algum… devido às questipações cas boazonas que desfilam descascadas no corso, apanham…
Se calhar até devíamos construir aeroportos em Ovar, em Torres Vedras e na Mealhada, Bartolomeu. Quanto às “boazonas” (taditas, com a pele arrepiada de frio), não sei se não geram mais ânsias do que descontracção.
Portanto, o que não é para exportar é para queimar. O mercado interno é irrelevante. É isso?
Não. Mas não vale a pena brandir o argumento da economia para defender a manutenção da tolerância de ponte. O dinheiro continua cá e será gasto noutras coisas.
Errata: tolerância de “ponto”, claro. Que originava uma bela ponte.
Mas nesse caso está a considerar “economia” apenas o que contribui para o balanço externo, e a ignorar a importância do papel dinamizador e redistribuitivo da actividade interna.
“Redistributivo” no sentido em que pessoas da classe média e média-baixa transferem dinheiro para outras pessoas da classe média e média-baixa? Como referi no post , é evidente que, para os comerciantes das localidades onde há desfiles, há receitas que não entram. Mas se calhar ganham os comerciantes das zonas de onde iriam os visitantes (por exemplo: alguém de Santa Maria da Feira almoça em Santa Maria da Feira em vez de ir almoçar a Ovar), ainda que provavelmente de forma menos concentrada no tempo. Ou então as pessoas constituirão poupança, o que também é positivo.
Seja como for, a principal crítica a uma medida como esta é ser anunciada a poucas semanas, quando nas localidades que investem nos eventos estes são preparados com muitos meses de antecedência, com investimentos importantes. E quando a isso, não há racionalização que resista.
OK, aí admito haver razão para desagrado. Como, aliás, na questão das escolas (embora os pais já estivessem à espera de ter os filhos em casa na Segunda e na Quarta). Mas o bom senso já recomendaria conter gastos (o que sucedeu em alguns casos, segundo creio). E o fim-de-semana tem dois dias – podem fazer um desfile ao Sábado. E/ou, quando há cobrança de bilhetes, aumentar um pouco o preço destes.
Como será gasto noutras coisas, se grande parte já foi gasto?
cr: o dinheiro que os visitantes das localidades onde se realizam desfiles gastariam será gasto noutras coisas. O dinheiro que as organizações – e autarquias – gastaram, obviamente que está gasto. Para prejuízo delas e benefício de outras entidades (em princípio, indivíduos e pequenas empresas). Para o país, o balanço também será razoavelmente neutro.
Caro JAA:
Estou plenamente de acordo consigo o que me faz confusão (sinceramente já nada me espanta) os moralistas da treta que agora estão contra à posição do Governo são os mesmos que criticavam os anteriores executivos de banalizarem as tolerâncias de ponto. Ao ouvir Louçã sinceramente a única reacção que tive foi dar uma gargalhada pois ou o dito se passou da “marmita” ou então deve estar noutra onda.
Carlos: uma das nossas especialidades é arranjar algo para criticar. Sempre. Quanto ao Louçã, o Rui Rocha já escreveu o que eu penso um bocadinho mais abaixo.