

Vejo as capas de ontem dos dois mais prestigiados diários brasileiros, aqui reproduzidas, e questiono-me o que dirão delas os diáconos de lá ao depararem com manchetes dedicadas à tragédia do Covid-19: «No maior salto da pandemia, país perde 1.726 em 24 horas», titula bombasticamente a respeitável Folha de S. Paulo. «País tem recorde de mortos e SP [São Paulo] deve entrar em fase vermelha», escreve com estrondo o conspícuo O Estado de S. Paulo.
Como os diáconos costumam alinhar pelas mesmas cartilhas, dirão certamente algo muito semelhante ao que já afirmou o nosso Diácono Remédios em recente carta aberta no Público. Coisas como esta: «Não podemos aceitar o apontar incessante de culpados, os libelos acusatórios contra responsáveis do Governo.» Ou esta: «Não podemos aceitar a ladainha dos números de infetados [sic] e mortos que acaba por os banalizar.»
A propósito disto, aproveitei para me actualizar consultando os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde referentes a Estados com mais de um milhão de habitantes. Portugal, infelizmente, é o quinto com mais casos do novo coronavírus e o sexto com mais óbitos à escala planetária. O Brasil surge em 25.º na primeira estatística e em 22.º na segunda. Por mal que eles estejam, e estão, em termos proporcionais estamos pior. Porque a população do Brasil é 20 vezes superior à portuguesa.
Razão suficiente – e acrescida – para continuarmos a fazer cá o que a Folha e o Estadão fazem, com a competência que lhes é reconhecida.

Por mal que eles estejam, e estão, em termos proporcionais estamos pior.
(1) A população portuguesa é muito mais idosa que a brasileira, e só por esse facto é de esperar que Portugal tenha mais mortes.
(2) Temos mais mortos, mas será que isso significa que estamos pior? Eu diria que, muito provavelmente, estamos de facto melhor. Porque os que morreram eram quase todos pessoas muito idosas, dependentes e que custavam um ror de dinheiro à sociedade, em termos de gastos da Segurança Social. Aligeirados deste lastro, a Segurança Social e o sistema de saúde ficarão, nos tempos mais próximos, um pouco menos sobrecarregados de despesas e tratamentos inúteis.
Tanto dislate em tão poucas linhas.
Fez bem em manter-se anónimo.
Ahahahhh … é mesmo, Pedro Correia.
Lê-se e não se acredita.
Caso para dizer, carregando no eufemismo, “há anónimos para tudo”.
Direi mais, Fátima: há anónimos e há asnónimos.
Bingo!
Muito bom.
Neste blogue chamado “delito de opinião”, quem tenha uma opinião mais delituosa é castigado por ela.
Só opiniões respeitadoras, à maneira do diácono Remédios, são bem aceites.
Por vezes aparece um diacuninho. Como tu.
Não é verdade. Quer eu quer outros leitores fartamo-nos de discordar aqui com os mestres do estaminé — eles próprios com sensibilidades variadas. O Pedro até é dos que atura maiores provocações e comentários malucos.
É tipo o Liam Neeson a fazer de Zeus nos remakes do Kraken
Não estou a dar graxa. É tal e qual.
Aturo, aturo…
Comentários malucos??
Karedo, há cá desses?
o balio e o Ventura tiveram um filho, e ele veio comentar no D.O.
Já só falta vir com a teoria de que “isto era tudo para matar velhinhos e poupar na segurança social”. Em contrapartida não explica os gastos imensos na saúde, na economia e pasme-se, na segurança social para atender ao desemprego.
“O Brasil surge em 25.º na primeira estatística e em 22.º na segunda. Por mal que eles estejam, e estão, em termos proporcionais estamos pior. Porque a população do Brasil é 20 vezes superior à portuguesa.”
Portanto, só existe tragédia na proporcionalidade e não de facto?
Pergunte ao vento que passa.
Já respondeu.
Eu só gostava de saber o que é que qualquer país ganha em provocar o pânico social.
Não vejo outra explicação que não seja incutir o medo nas pessoas para poder governar sem qualquer oposição.
A saúde fica a perder pois vão criar-se problemas psicológicos cujos resultados são completamente imprevisíveis.
As crianças vêem o seu desenvolvimento cognitivo ameaçado pela dificuldade de interacção social.
A economia colapsa pois está impedida no seu funcionamento.
Que raio de visão é esta em que a cura de um doente mata mais que a própria doença?
Incutir medo para governar sem oposição, sem dúvida, o que é meio e objectivo de sucesso fácil, atendendo ao povo que somos. Isso e esconder descaradamente uma verdade gritante (e que não o deixa de ser, por ser esta doença coisa nova e de muito rápido alastramento, nem põe nem causa o continuado e inestimável esforço de tantos – que em qualquer caso não creio que venham a integrar os condecorados num futuro 10 de Julho -; factos que não se discutem): décadas de má gestão do SNS e sua incapacidade de enfrentar o imprevisto. Aliás, já com o previsto é o que se sabe. Ano após ano.
A receita está testada e funciona: sempre que necessário forçar-se-á o país a adaptar-se ao SNS. Aquele a servir este. Rebentar a economia (que sempre sofreria e muito, também não se contesta isso; aliás que me recorde só mesmo a sra. ministra da agricultura via inicialmente, nesta pandemia, uma oportunidade a aproveitar) e culpabilizar reiteradamente o cidadão, é o caminho.
Melhor, é uma benção ideológica: um povo economicamente ainda mais na mão do estado, conformado na sua miséria; um estado liberto (liberto de facto e sem contestação minimamente séria) do respeito pelo devido processo a seguir na limitação de liberdades ou direitos elementares; um povo amedrontado e submisso perante uma elite, uma vanguarda, de líderes incontestáveis, mentes esclarecidas, quase heróicos, e o pretexto para fazer renascer o sonho de pôr ricos a pagar crises, são coisas que se enquadram perfeitamente no pensamento de quem nos pastoreia e de quem com com maior ou menor entusiasmo os continua a apoiar. Venha a bazuca.
Costa
Ainda bem que o Passos Coelho não conseguiu rebentar com o SNS, senão eu queria ver como é que ” os da linha da frente ” resolviam o problema.
Infelizmente é o SNS que temos, o que está mal é condicionar um país inteiro a esse SNS e não ter feito uma requisição civil ao serviço de saúde privado, para evitar precisamente a situação onde nos encontramos agora, em que as doenças do foro psicológico estão a atingir níveis alarmantes.
Venha então a bazuca, pois parece que é só isso que falta para acabar com esta palhaçada.
décadas de má gestão do SNS e sua incapacidade de enfrentar o imprevisto
Se esse fosse o cerne da questão, então só em Portugal é que se incutiria o pânico social.
Na verdade, o que se verifica é que o pânico e medidas draconianas se verificaram em muitíssimos países do mundo – incluindo em muitos que, supostamente, têm excelentes serviços de saúde, em muitos casos de gestão privada.
Portanto, isto nada tem a ver nem com o SNS português, nem com a sua alegada má gestão. Países como a Suíça ou a Nova Zelândia foram tão draconianos como Portugal, e tiveram tanto pânico social como Portugal.
“Portanto, isto nada tem a ver (…) com o SNS português…”. Fico assim esmagado, fulminado, encolhido a um canto, reduzido à vergonha, perante a lição recebida. Em todo o caso, vou ousar balbuciar algo – uns disparates seguramente – em minha defesa.
Portugal não terá o exclusivo da reiterada ineficiência, e dolo na sua má gestão, da actuação da coisa pública. Saúde ou outra. Mas poderemos isso sim reivindicar destacado lugar numa classificação sob esse critério. O cerne da questão não estará apenas aqui, nem o afirmei. Mas está também aqui: num serviço de saúde pública cuja abnegação e competência – as pessoas da tal “linha da frente” – se não questiona, mas cuja capacidade é cronicamente insuficiente. Ano após ano, governo após governo, cor política após cor política e na mais benigna das situações. Quanto mais numa situação como esta que se vive. A base já era má, o esgotar de capacidades foi mais fácil.
O pânico e as medidas draconianas, generalizados, também os não questionei, quanto a essa sua generalização, naquilo que escrevi. Até sugeri um enquadramento, no caso português, que você seguramente tomará como uma teoria da conspiração (mas por alguma razão, que não minha conspiração, o poder entendeu por exemplo classificar como morte por Covid19 todas aquelas em que a vítima tivesse o vírus, fosse ele ou não a causa da morte: foi a primeira vez que vi um poder não procurar amenizar – bem pelo contrário – um desastre ocorrido sob seu turno). Assim vivemos o embate pleno da primeira vaga (e, não se ignore, outros viveram essa primeira vaga antes de nós, ou com maior severidade) e depois – gozando o sol e praia portugueses – aguardámos em atitude de cigarra, invocando como bom estado laico um “milagre português”, a segunda. Perante a qual ficámos como perfeitos alvos imóveis. Ou seja, ao pânico e às medidas draconianas que a surpresa e a inexperiência poderiam justificar, no início, juntou-se má liderança quando uma segunda vaga já era mais do que garantida. E já que refere sistemas de saúde “em muitos casos de gestão privada”, eu junto, no nosso caso e quanto a essa gestão, preconceito ideológico a essa má liderança. A essa reiterada má liderança. A essa obstinada má liderança quando, por exemplo, se paralisam sectores do comércio, ou se proíbe a venda de uns produtos ou serviços e se permite a de outros, sem outra verdadeira explicação que não o “porque sim”, quando em lugar de os manter, ou até alargar, se reduzem horários de funcionamento de espaços tidos como essenciais, levando à concentração da sua procura, e simultaneamente se reafirma o dogma da não transmissibilidade do vírus em ambientes como os transportes públicos. Quando se vê e ouve um primeiro-ministro dizer, mal contendo a sua raiva, que o presidente da república o “proibiu de proibir”.
Tem, isto também tem a ver com o SNS português: se ele fosse à partida mais robusto, os danos, que nunca evidentemente deixariam de ser pesadíssimos, sê-lo-iam menos. Nem que pouco menos. E aquilo a que chama “pânico social” não teria campo tão fértil para se espalhar.
Tem a ver com o SNS. Mas a montante, antes mesmo dele, tem a ver com a governação deste desgraçado país.
Costa
Ás 2ª, 4ªe 6ª os portugueses foram umas compeltas bestas porque não confinaram suficientemente no Natal o que levou a números vergonhosamente altos.
Às 3ª, 5ª e sábados nota-se que no Brasil e nos Estados Unidos onde os governos se opusereram ao confinamento têm menos mortos per capita que Portugal, donde se infere que mais vale não confinar.
Ao domingo dizem o que Deus manda.
Seria bom sair desta esquizofernia barulhenta.
Pois, a crítica ao Governo agora tornou-se “esquizofrenia barulhenta”.
Melhor ficarem caladinhos. Tudo com juizinho. O respeitinho é muito bonito.
Criticar o governo está certo. Não faz é muito sentido criticar porque sim e porque não na mesma frase.
Se acha que o número de mortos subiu porque não se levou o confinamento a sério não pode apresentar como exemplos de boas práticas Trump e Bolsonaro.
Não acho nem deixo de achar.
Quem “acha” são os detectives. Eu não sou detective.
Não, é só incoerente.
Acha?
Poderia ter escrito “pensa” em vez de “acha”, mas a propósito deste post ficava incoerente.
Você ainda está com essa conversa? t/a-atencao-do-diacono-remedios-12423014
Eu já parti para outra:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
Com o fervor governamental que aqui paira… qualquer dia pára-nos um carro preto à porta, pergunta-nos pelo cravo à lapela, e vamos directos para a antónio maria cardoso… Sei lá. Já faltou menos
A antiga PIDE agora é um hotel. Esse trabalho de interrogatórios, tortura e extorsão continuada passou para as Finanças.
Bloco de Esquerda a favor de uma requisição civil
Eis o novo normal
O Bloco vai ser requisitado?
” Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”.
Discurso hoje do presidente Bolsonaro.
Pequeno texto cedido gentilmente por um negacionista bolsonaresco.