Candy Crash


Rui Rocha,

Peço desculpas antecipadas. Sei que este post não vai ser bem recebido por muitas pessoas. Mas, em algum momento, alguém tinha que denunciar uma situação que me parece de gravidade extrema. Os taxistas jogam Candy Crush. Nos transportes públicos toda a gente joga Candy Crush. O Director de Auditoria da empresa onde trabalho foi apanhado a jogar Candy Crush enquanto se discutia o relatório de não conformidades do departamento de Controlo de Gestão. No aeroporto, toda a gente joga Candy Crush. Não tenho certezas, mas é possível que o Artur Soares Dias estivesse a jogar Candy Crush quando o Mangala deu com a mão na bola. Vamos ser sérios. Isto é uma epidemia. A dependência do Candy Crush só pode provocar graves consequências. Corremos o risco de viver numa sociedade de alienados que deixam cair o mundo à volta enquanto tentam passar mais um nível. Isto tem de parar e já. Faço aqui um apelo desesperado a essa horda de dependentes do Candy Crush. Por favor, cresçam! É tempo de perceber que jogar Candy Crush não pode ser o projecto de vida de ninguém. Por muito que vos custe, é preciso cortar a ligação com o Candy Crush e despertar de novo para a vida. Viver implica vontade de vencer novos desafios, abertura para novas aventuras. Perdoem-me, repito, se estou a usar de excessiva franqueza. Mas parece-me óbvio que chegou a hora de passarem para o Temple Run.

19 comentários em “Candy Crash”

  1. o Mangala deu com a mão na bola

    Ele não deu com a mão na bola. Ele saltou com os braços levantados e a bola, cabeceada de curta distância, foi-lhe embater no braço. É claro que isso pode ser interpretado como sendo falta (e é costume interpretar dessa forma) mas, objetivamente, ele não deu com a mão na bola.

  2. Pois… pois… isso é muito fácil de pedir. Mas já estou no nível 7.925.432… não posso abandonar agora.
    Prefiro pagar mais IRS, IMI, IVA, dar o meu subsídio de Natal até ao ano 2510 do que deixar de jogar…
    Nem pense nisso!

  3. “Life is a MMOG”
    (MMOG: massive multiplayer online game).

    Googlei esta frase, mas ainda não tinha havido nenhum Descart(ável) moderno que a tivesse proferido. Lá se foi a citação… sim, porque quando é o próprio a dizer, a coisa passa por banal.

    Esses SP (single player) já permitem algum confronto social, do género “o meu nível é maior que o teu”, mas confronto directo online é outra coisa.

    Digamos, quando a Isabel II entrou neste MMOG foi como filha do rei… ok, mas e se tivesse entrado como filha duma vendedora do Bolhão?
    A pontuação seria a mesma?

    Pois é, o pessoal quando entra nos MMOG é convencido a ficar – aos novatos nem dizem que há outros Mundos. Abstenho-me de aplicar à frase inicial.

    Passo a explicar, uma vez entrei num MMOG… isso sim, pode ser coisa altamente viciante, porque há pessoal que é filho de vendedor do Bolhão de dia, mas à noite é Imperador num MMOG.

    Bom, primeiro há que gerir uma cidade, depois várias, depois evitar que elas sejam destruídas por outros. Conseguem-se uns acordos de vizinhança regionais… e a ilha vive em paz. Só que há mais umas dezenas de ilhas… anteriores, prontas a invadir a tua. Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.
    Sem hipótese… chegaste há uma semana, e tens pessoal a acumular exércitos há meses, para dar cabo de ti – “join or die”.
    Só que eles não te avisam que aquilo é só o Mundo 69 e se esperares, vai abrir o Mundo 70 onde tudo começa de novo…
    Abre o Mundo 70, lá estás tu a dar cabo daquilo tudo e toda a gente a querer fazer aliança contigo, para quê? – Para lixar os novatos que vêm a seguir.
    Tem uma piada parva…

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