Calma e sacrifício


jmmcc,

A Assembleia da República fez saber que algumas despesas aprovadas para este ano são agora menores do que foram no ano passado e que já tratou de reduzir uns oito vírgula qualquer coisa por cento ao que previa gastar. Fico comovido com a poupança.

A ministra da Educação anunciou que vai ver onde pode cortar gastos sem prejuízo do ensino (que talvez não seja possível prejudicar mais). Estou emocionado com a disponibilidade para ver se consegue poupar algum.

A ministra da Saúde garantiu que irá evitar despesas obrigando as farmácias a indicar nas receitas aviadas os preços de medicamentos alternativos e que as horas extraordinárias nos hospitais terão de descer cinco por cento. Sinto os soluços que me embargam a voz perante esta determinação.

Os tribunais vão deixar de comprar água engarrafada. Escorrem-me as lágrimas por este gesto de bondade.

 

Tenho a certeza de que o silêncio de todos os outros sobre cortes orçamentais e almoços, limousines e motoristas, fundações e institutos, empresas municipais e prémios de gestão, conselheiros e sobrinhos, governos civis e adjudicações directas, etc., só não divulgam as suas medidas de austeridade por modéstia. Rompo em pranto face a tamanhos sacrifícios.

Contudo, apelo à calma de todos antes de aplicarem medidas tão duras. A austeridade só começa a 1 de Julho. Ou 1 de Junho. Ou 1 de Janeiro passado. Ou 1 de Janeiro futuro. Calma, portanto. Até porque Portugal costuma ser o primeiro a sair das crises.

15 comentários em “Calma e sacrifício”

  1. Gosto particularmente no ‘vai ver onde pode cortar’ assim à laia de economia doméstica ‘deixa-me primeiro fazer as contas para ver o dinheiro que me sobra/falta’. Eu já sei onde ela vai cortar…

  2. Se não for a cortar assim, o que não acho mal, até porque vão cortar mais………contrataram 12 motoristas para as pessoas não se cansarem tanto e estarem em condições de dar aulas, refrescando-se com agua da torneira, porque com o inverno que tivemos as barragens estão cheias, então ? Para que é necessário, agua engarrafada, aulas onde se pode aprender alguma coisa ( sobretudo isso, aproveitar os bons professores ), que depois os ministérios se venham a arrepender de não terem cortado mais…..

  3. Pois, já eu, ando a “cortar-me” de medo, João, estou numa situação muito vulnerável mas, ainda assim, não me vou deixar ir abaixo esses “senhores” não merecem… Desculpem a “ligeireza” – estou farta deles..;))

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