Cadernos de um enviado especial ao purgatório (43)


Luís Naves,

O caso Tecnoforma visa destruir o principal capital político de Passos Coelho, a sua imagem de honestidade. Embora o primeiro-ministro tenha esclarecido as questões ligadas à denúncia anónima e as dúvidas sobre a exclusividade parlamentar, há quem ainda não esteja satisfeito. A denúncia era falsa e o processo foi arquivado. Sem novas informações, esta história está morta. O primeiro-ministro demonstrou de forma convincente que cumpriu as regras da exclusividade parlamentar a que se obrigou quando recebeu um subsídio. Passos Coelho é aliás um político pouco habitual, sem sinais exteriores de riqueza e que tem resistido aos interesses que dominam o regime democrático.

Ontem, enquanto ouvia o debate parlamentar, lembrei-me de uma história pessoal: estive na Guiné-Bissau em 1998, como repórter, e gastei muito dinheiro numa guerra onde não se passavam facturas. Na altura, não podia provar despesas de centenas de contos. Sou uma pessoa remediada, não tenho sinais exteriores de riqueza e o meu pai ensinou-me a não ficar sequer com um tostão que não seja meu. O jornal devolveu-me o dinheiro e não posso esquecer o chefe de redacção e o director que nem hesitaram em aceitar a minha palavra.

As pessoas honestas não podem ser confrontadas com situações onde tenham de provar a sua honestidade. O princípio aplica-se no caso Tecnoforma, onde foram esclarecidas as suspeitas que até agora surgiram. É por isso grave que o primeiro-ministro não tenha direito à presunção de inocência. É dramática a exigência de que prove a sua honestidade através da devassa pública e da abdicação de um direito individual. Se triunfar a demagogia, não haverá pessoas de qualidade na política. E sem pessoas de qualidade na política, o que teremos é a promiscuidade com os negócios, exactamente aquilo que toda esta retórica afirma combater.

14 comentários em “Cadernos de um enviado especial ao purgatório (43)”

  1. Para haver tipos desonestos e corruptos como o Passos é preciso outros iguais, como o Naves, para o apoiarem.

  2. são luís das naves, hem?
    ou você é assim um tanto a dar para o lado dos santinhos, quando toca a avaliar uma determinada facção política cá do burgo, ou então quer fazer dos outros santinhos, para não chamar outra coisa.
    vou partir do princípio que o seu caso é um daqueles que é um tando a dar para o santinho quando se trata de avaliar uma determinada facção política cá do burgo, para não o insultar por me estar a tomar por santinho, ó são luís das naves.

      1. você também é daqueles que acha que aquela citação “à mulher de césar não basta ser honesta, tem que parecer ser honesta” se aplica a outros que não alguém que é primeiro ministro deste burgo, que constantemente chama a atenção daqueles que ele governa para deixarem de ser comodistas e preguiçosos beneficiadores de subsídios e defende até à náusea que esse primeiro ministro esteja sobre forte suspeita de ter usufruído e abusado de tudo isso e aos costumes diga nada. o homem enquanto deputado trabalhou afinal ardua e gratuitamente para uma organização não governamental governada pela tecnoforma, com subsídos eurpeus, e depois de ser deputado foi trabalhar para a administração da tecnoforma, ardua mas não gratuitamente.

        vocé é cá uma peça (da engrenagem). vivemos no paraíso franciscano: temos uma coisa entitulada de presidente da república que diz que no mundo e arredores não há ninguém mais honesto que ele, que para isso teria que nascer duas vezes, e temos agora este coelho de honestidade certificada pelo são luis das naves.
        abençoados somos, assim seja.ámen.

        mais dúvidas aqui, como vê.
        http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/nao-estou-esclarecido-6725971

        1. Neste comentário há erros factuais e um pressuposto errado. Os erros factuais são a “forte suspeita de ter usufruído e abusado” e o “trabalhou afinal árdua e gratuitamente para uma organização”. Não existe qualquer suspeita (a que existia foi arquivada) e a segunda frase não está correcta, por muito que o deseje, pois não existe trabalho regular nem remuneração, mas apenas pagamento de despesas. Pelos factos até agora conhecidos, não houve qualquer irregularidade, portanto trazer a senhora César à conversa faz parte de um linchamento político em que a excelente esposa romana não tem à partida qualquer hipótese de ser considerada inocente.
          Em relação ao são luis das naves estamos perante um pressuposto errado: trata-se de uma tentativa de ironia que tenta restringir o meu direito à opinião atribuindo-me uma fé que não tenho. Acontece que não sou religioso nem sou católico, não tenho por isso qualquer reclamação de santidade. O resto é o meu nome, que deve ser respeitado.
          Toda a gente tem direito a ter dúvidas e existe liberdade de expressão, mas os factos têm de estar correctos. Se o ódio e a demagogia conduzirem este processo, então Portugal está muito mais barata tonta do que me parecia estar.

          1. meu caro, o seu nome merece o respeito que você merece. porque você é o seu nome e o seu nome você será.
            não me venha com respeitinhos respeitosos e não me venha com essa de quem não aceita o que quem manda diz, o faz por ódio.
            repare no seguinte: você é um felizardo que esteve numa guerra com ajudas de custo e outros na guerra estiveram e por isso pagaram e continuam a pagar. mas sobre isso vai certamente escrever na sua séria dos fracassos.

          2. Sobre o Costa não há suspeitas, o homem é mesmo aldrabão, e não respeita as regras:

            http://observador.pt/2014/09/28/seguro-apresenta-queixa-contra-costa/

            Está claro que foi “um erro”, coisa pouca, passar a manhã do dia das eleições a enviar sms aos eleitores apelando ao voto em si próprio, é coisa que costumamos ver apenas em certas democracias mais evoluídas.
            Se o Tozé perder, que é o mais certo, tem aqui uma excelente oportunidade de impugnar as eleições, e lá têm de aguentar o Coelho mais uns meses no governo, porque por este andar o PS só deve ter líder e candidato a 1º ministro lá pró Carnaval.

  3. Como é que isto tudo começou? não foi com a noticia que Passos Coelho “recebeu 150 mil contos” quando era deputado em exclusividade, entre 1995 e 1999? alguém já apresentou alguma prova disso? não, mas os que já o tinham pendurado na ponta de uma corda na praça publica, acham que ele tem que provar que não recebeu esse dinheiro, e até querem que ele abdique do sigilo bancário para provar que não aconteceu aquilo que os que o acusam não conseguem provar, e além disso andam a enganar a opinião publica com aldrabices.
    Bonito.

  4. Não posso estar mais de acordo consigo. ´Mas estas nossas criaturas da esquerda picuinhas que, nos tempos dos desgovernos do Sócrates, nunca abriram o bico contra os desmandos do dito cujo… que, como é sabido, é dono de um impressionante rol de acusações enquanto primeiro-ministro. Esta malta da esquerdalha baixa não tem, realmente, emenda.

  5. Estou plenamente de acordo com o que afirma na primeira sentença. Não há necessidade de lhe retirar a honestidade quando politicamente (governativamente) não lhe resta capital. Mas ainda que lhe restasse não concordo que se use o que de todo não se pode provar para deitar alguém abaixo.
    Mas mais, não se pode julgar uma época pelo olhar de outra.

  6. Naves: a diferença entre si, na Guiné, e o Coelho na ong é que V., que é honesto, lembra-se desses dinheiros sem factura, e ele esqueceu-se.
    A si,bastou-lhe a palavra – ele precisou de uma PGR para confirmar.

    E veja lá bem se entendeu o que se passou – o arquivamento não implica falsidade da denúncia. Pode não estar tudo prescrito, alias.

  7. O fim da denuncia foi conseguido :desmascarar a imagem “impoluta” de PC.
    Como não se quer realçar o que verdadeiramente interessa – o que fizeram e como operararm tecnoformas, partex…para torrarem tantas milhoes de euros em mascaradas, ong… o circo terminou bem, com tudo conseguido.

  8. O arquivamento não foi por a denúncia ser falsa, isso é uma mentira. Isso parte logo de um pressuposto errado.

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