No caso do Iraque, é bastante evidente que a América não tem intenção de enviar tropas para o terreno, o que aliás seria um brinde oferecido aos radicais do Estado Islâmico (eles não querem outra coisa). O EI está a tentar perturbar o fluxo de petróleo, cuja produção se encontra sobretudo no Curdistão e no sul do Iraque, mas o radicalismo tentará também ser uma ameaça aos regimes autoritários da região. Até que ponto a monarquia saudita é estável? Os curdos continuam a controlar a parte mais apetecível do petróleo iraquiano e os pontos de saída parecem por enquanto seguros, mas os ocidentais estão claramente à defesa.
Os imperialistas ingleses da Era vitoriana diziam que não tinham aliados, mas apenas interesses. Os americanos deviam um dia deixar-se de grandes discursos sobre a defesa de alianças e dos valores da democracia e da moral, assumindo com simplicidade aquilo que sempre fizeram, que foi defender os seus interesses. Tentando perceber o que é conveniente para a América (e para o Ocidente), podemos analisar um pouco melhor os vários conflitos que se agravam no Médio Oriente. Tudo o que afecte o fluxo de petróleo terá de ser travado. Tudo o que enfraqueça o governo iraquiano de maioria xiita terá de ser evitado, pelo que Washington precisa de estabelecer uma comunicação com Teerão, que será cada vez mais um importante parceiro conjuntural. A Arábia Saudita é uma perigosa incógnita, como veremos porventura nas próximas peregrinações a Meca. Os regimes tradicionais da região devem encarar a radicalização com especial medo, o que implica não ser esta a melhor altura para falar em revolução árabe. E, no entanto, sem uma abertura nestes regimes, sem um pouco mais de justiça, o descontentamento das populações só alimentará os radicais.

Mais uma vez, concordo inteiramente. Não só na questão dos interesses americanos como na necessária frase final.
Boa semana
Não creio ser fácil o balanço Luís. Os EUA certamente que sabem não ser necessário entrar com falsos moralismos para o exterior. Os aliados nas capitais sabem bem o que os EUA fazem e que interesses têm enquanto que as populações que por eles não têm simpatia também não têm ilusões (as que têm simpatia não interessam para a discussão, estão já cooptadas).
O problema é a opinião pública americana, com a qual o governo americano (seja ele de que cor for) tem de executar um complicado número de equilibrismo. por um lado manter equilíbrio entre mostrar-se capaz de defender militarmente os interesses americanos e proteger as vidas dos soldados. Por outro o equlíbrio entre defender os ideais americanos (como sejam entendidos à esquerda e à direita) e os interesses (idem).
Não creio que os problemas americanos sejam a opinião pública mundial ou o apoio imediato de outros governos. Estes acabam, mais cedo ou mais tarde, por ajudar os EUA (um pouco o inverso da frase de Churchill sobre os EUA acabarem por seguirem o caminho correcto no final). O problema é sempre vender à opinião pública americana a necessidade de colocar tropas num conflicto (mesmo que apenas aéreas) e garantir o apoio dos dois ldos das bancadas no congresso.
Creio que eles, o EI, lutam por princípios e contrariam interesses. Creio que a revolução ocidental passará por lutar também por princípios se quiser defender seus interesses. Só legitimados por princípios os ocidentais conseguirão garantir seus interesses naquela região.
Como tal, há que deixar cair os monarcas do deserto.