A formação do Estado Islâmico (EI) no Iraque a Síria resulta do erro americano de invadir o Iraque em 2003 e destruir o regime de Saddam Hussein, decisão da administração de George W. Bush agravada pelos sucessivos erros da ocupação, sobretudo a desmobilização do exército iraquiano e o afastamento dos membros do Baath, o partido da ditadura. Bush acreditava ser possível criar uma democracia no Iraque e prosseguiu uma estratégia míope, desdenhando as dúvidas dos seus aliados. Em suma, os políticos perderam uma guerra iniciada sem motivo válido.
O Estado Islâmico, ou Califado, resulta de uma década de luta constante, que deu origem a uma organização de guerrilha de eficácia nunca vista, capaz de enfrentar exércitos modernos. O Iraque ficou partido em três entidades: curdos, xiitas e jihadistas sunitas. O EI será capaz de resistir a uma coligação de vizinhos (que aliás não parece possível, pois teria de incluir Bachar al-Assad e o Irão) e os aliados ocidentais não tencionam enviar tropas para o terreno. Seria um suicídio político. Combater o EI com objectivos limitados ameaça criar uma década de conflito sangrento e pode incendiar o Médio Oriente.
O fanatismo religioso é uma ideia velha, tão antiga como a civilização. Neste caso, o que parece ser novo é o facto de haver pessoas educadas em sociedades seculares e modernas que aderem às novas brigadas internacionais da jihad islâmica. Os fanáticos da guerra santa querem criar uma teocracia semelhante à que existiu no início do Islão, no século VIII. Esta ideia messiânica representa um recuo de 1200 anos na História da humanidade, a recusa dos direitos humanos, do estado de direito, da república, do espírito científico e da liberdade individual. O que mais surpreende é haver centenas, talvez milhares de jovens educados em sociedades ocidentais que aceitam esta brutalidade. Como explicar os milhares de combatentes islâmicos que foram fanatizados em ruas semelhantes àquelas onde vivemos? Como explicar os jihadistas que saem de famílias quase iguais às nossas? Desta vez é diferente: a teoria do choque de civilizações parece insatisfatória.

Vamos lá lembrar várias coisas incómodas ao autor.
Para começar deixamos falar Biden o Vice Presidente de Obama:
Em 2010 – estamos 4 anos depois:
“I am very optimistic about — about Iraq. I mean, this could be one of the great achievements of this administration. You’re going to see 90,000 American troops come marching home by the end of the summer. You’re going to see a stable government in Iraq that is actually moving toward a representative government,” said Biden.
“I spent — I’ve been there 17 times now. I go about every two months — three months. I know every one of the major players in all of the segments of that society. It’s impressed me. I’ve been impressed how they have been deciding to use the political process rather than guns to settle their differences.”
Agora vamos falar das palavra de Obama em 2011 – 3 anos de hoje :
But we’re leaving behind a sovereign, stable and self reliant Iraq with a representative government that was elected by its people. We’re building a new partnership between our nations and we are ending a war not with a final battle but with a final march toward home. This is an extraordinary achievement,”
Então a culpa é de Bush.
Depois como esperado, porque o texto teve um objectivo, ignora o que se passa no mundo Islâmico.
Ignora Síria e Assad
Ignora a Líbia e Kadafi
Ignora o Mubarak e o Egipto
Ignora a Tunisia
A Tunísia e o Egipto por pouco não caíram na Guerra Civil, continuando os atentados. A Líbia e a Síria estão em Guerra Civil, qualquer destes 4 regimes muito eram muito mais sólidos que o Iraque de Saddam que só controlava parte do próprio País.
A Argélia teve esta fase nos anos 90.
Mas atendendo à censura jornalista já ninguém se lembra.
Ou seja Síria, Egipto, Líbia, Tunisia foram obras de Bush…
nem falemos do Yemen ou Boko Haram em Africa…Deve ter sido também culpa de Bush.
Provavelmente a Argélia também foi atendendo aos objectivos do autor.
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Ficámos ainda esclarecidos – o autor acusa Bush logo não se pode admirar da mesma bitola ser aplicada – que o autor considera as guerras anti-coloniais um erro pois existiriam os 1,5 milhões de mortos provocados pela luta contra o colonialismo de Portugal.
E comparar Assad, Saddam com o Estado Novo é como comparar Gengis Khan com o Marquês.
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“O fanatismo religioso é uma ideia velha, tão antiga como a civilização. Neste caso, o que parece ser novo é o facto de haver pessoas educadas em sociedades seculares e modernas que aderem às novas brigadas internacionais da jihad islâmica.”
Não há nada de novo. Milhões de educados, civilizados aderiram ao Comunismo que matou muito mais que o Islão extremista.
Pelas Universidades Europeias tínhamos – e ainda temos – apoiantes Maoístas, Marxistas a que os correlegionários matavam por alguém ter penteado burguês, censuravam arte burguesa, imprensa livre.
As intolerâncias eram diferentes os métodos similares.
Tudo gente educada.
Lembremos também o Nazismo.
Movimentos Totalitários – por definição querem controlar/coartar vastas liberdades dos humanos . São movimentos Ideológicos – românticos – de purificação social.
E quem os cria são pessoas superiormente educadas porque são uma construção intelectual.
Eu diria que está na altura da classe dominante do Ocidente fazer uma inspecção crítica ao seu pensamento quase único, designadamente às tretas sobre o mérito que têm criado tanta exclusão, uma vez que a esquerda parece incapaz de propor alternativas promissoras.
Sim, Bush filho lixou o Iraque e alterou os equilíbrios então existentes.
Mas convém aqui recordar o pensamento de uma filósofa e mística do século XX, Simone Weil (não, não é essa do parlamento europeu), relativamente aos traços sociais que têm originado as grandes crises mundiais:
«Há sobretudo quatro obstáculos que nos separam de uma forma de civilização capaz de valer alguma coisa: a nossa concepção de grandeza; a degradação do sentido de justiça; a nossa idolatria do dinheiro; e a ausência de inspiração religiosa».
Tudo isto para dizer-lhe, Luís, que o fanatismo não é uma matéria religiosa, pois os kamikaze (vento ou sopro divino) japoneses na segunda guerra mundial também se suicidavam por acreditar nos seus valores, na sua pátria e no sentido de sua morte.
O que hoje se assiste nessa região e noutras regiões do mundo resulta do imperialismo ideológico que o ocidente, a coberto de falsas resoluções na ONU também, falido nas suas estruturas procurou usar para encapotar os interesses energéticos subjacentes e a idolatria do dinheiro encapotada de valores civilizacionais. E esses outros agora usam o que têm à mão para se libertarem disso.
Só lugares-comuns de esquerda repetidos da TV.
o “estado” Islâmico resulta da loucura medieval de regiões onde não há poder secular dinástico e o que existe é normalmente militar e abrutalhado impedindo o estabelecimento de instituições civis fortes. Só o poder civil conduz ao Estado de Direito — a História prova-o. Deese modo o poder religioso institui-se como o pólo normativo que agrega aquela gente toda dispersa pelo deserto, mas seca tudo porque mata o indivíduo e transforma-o num cordeiro inútil. O resto é treta. A culpa não é de Bush nem dos EUA. A culpa até é mais de palermas como Sócrates e socialistas de armário que acreditam na legitimidade geográfica daquele sub-sistema da barbaridade.
Entender o que pensa diferente de mim é uma das minhas linhas base de pensamento -daí um ateu como eu usar de muito do meu tempo livre para entender os muçulmanos quando os visito. E noto nos textos que leio sobre os fundamentalistas uma natural condenação dos actos criminosos, mas ao mesmo tempo uma benevolencia/compreensão com as atrocidades que os Bush e correlegionarios fizeram – não nos EUA mas nos países que invadiram, aos legitimos cidadãos desses países. Percebo que foram feitos pelos mais nobres e altos interesses (petroleo) mas não posso deixar e considerar como um convite para que a revolta, de tanta hipocrisia(no ponto vista deles claro), leve a “justificar” fanatismos intoleraveis, principalmente porque usam fisgas contra catadupas, e ainda mais herois se sentem = e alguns deles sabem com que tabuas os seus inimigos fazem as canoas porque alguns anos atras eram todos amigos e apoiados pelos bushes.É arrepiante a criminalidade mas que seja de vez em quando toda condenada por igual, par mostrarmos que queremos justiça.
O primeiro comentário é meu.
“lixou o Iraque e alterou os equilíbrios então existentes”
Não havia equilíbrios existentes no Iraque. Saddam controlava se tanto metade do território. E nada era estável com combates anuais com xiitas e curdos.
Ser “estável” não evitou que Governos bem mais “estáveis” como a Ditadura nacional-socialista de Assad ou o regime socialista-verde folclorico de Kadaffi terem acabado em Guerra Civil.
Nos tempos de Sócrates a Força Aérea Portuguesa foi mandada exibir-se em honra do ditador.
A Guerra Sunita-Xiita que se desenvolveu entretanto – e é essa a causa maior – parece não ficar registada.
Pois significava que afinal o Ocidente não é tudo e não somos culpados de tudo. O autor sofre de Ocidentalismo auto-imune.
A razão principal porque tal é ignorado é que não se pode usar para a luta de poder no Ocidente. E essa é a maior razão para uma notícia ser escolhida ou não por um jornalista.
Voltámos. E aqui estou.
Sabe o que desestabilizou aquela região para além do petróleo? O facto de Saddam ter iniciado a venda do crude em euro, lá se foi a hegemonia do dólar. Sabia que Kadaffi seguiu-lhe os passos e que também foi recebido por outros tantos idênticos nesta Europa?
Saddam também se meteu a caminho do Kwait porque pensava que o mundo lhe devia dinheiro e o esforço. Sabe quanto tempo durou a guerra Irão/Iraque? Sabe quem a patrocinou?
As doenças auto-imunes são isso mesmo, pertencem a quem as conhece. Sim, referi-me a doenças e doentes.
E relativamente a outros questões nessa mesma região, no caso também o Egipto, recomendo que faça uma incursão histórica e que se situe em particular no momento em que Nasser nacionaliza o Suez e entala ingleses, franceses e israelitas.
E sim, o ocidentalismo de que sofro são as resistências diárias que devo alimentar contra a estupidez e a cupidez que se propaga.
Obviamente, o actual caos na região do Iraque e da Síria tem como origem a invasão do Iraque pelos EUA de Bush (lembram-se das armas de destruição massiva?), a coberto da exportação da democracia e dos direitos humanos (ocidentais, claro!), mas com o objectivo mais do que claro de controlar a produção e os fluxos de matéria prima na região (petróleo) e alimentar a indústria de guerra dos EUA. Clarinho como água. O ocidente está sempre pronto a levar a julgamento os ditadores do Médio Oriente por crimes de guerra e outras ofensas à humanidade, mas levar Bush a tribunal internacional por ter iniciado uma guerra com base numa mentira, isso nem pensar.