No segundo texto da sua coluna, Alberto Gonçalves considera idiota a indignação com a Faixa de Gaza enquanto houver jihadistas a degolar curdos no Iraque. Ele usa mesmo esta expressão, idiota. O segundo texto da coluna (Onde fica a Embaixada da Letónia?) usa o método retórico da ironia para defender a tese de que há graus de mal e não faz sentido a crítica aos graus menores enquanto persistem os maiores.
Hoje assisti a um assalto na minha rua, um matulão a bater numa velhinha e, quando pensei em intervir, moderei a indignação e pensei nos curdos degolados por jihadistas; a velhinha ficou maltratada, mas julgo que fiz bem em não travar o assalto, por causa dos jihadistas que degolam curdos.
Aliás, aposto que nas próximas semanas Alberto Gonçalves deixará de escrever, por falta de material, ou teremos muitas colunas sobre jihadistas. Nem compreendo que se indigne com Marinho e Pinto, no primeiro texto da sua coluna, tendo em conta que Marinho e Pinto é um mal menor. Os russófonos da Letónia são discriminados? Quem quer saber disso? É apenas um país da União Europeia e, entretanto, no Iraque, há jihadistas a degolar curdos.
Os colunistas de jornal que gostam de policiar o pensamento dos outros têm noção clara das prioridades sociais e tratam os assuntos apenas quando eles atingem a relevância conveniente, que lhes permita confirmar as conclusões pré-fabricadas dos seus textos. Quando for mais difícil manter a argumentação, então haverá sempre um jihadista a degolar curdos.

O autor do post falhou completamente na interpretação do texto do A.G..
Blá blá…, e no entanto degolam.
O que AG quis chamar a atenção foi para o clube profissional de manifestações anti-Israel que, apesar de contar com poucos membros activos e de só esporadicamente se manifestar, pode contar sempre com a atenção desproporcionada dos media. Desgraçadamente para outras causas “nobres”, as manifestações a favor/contra não têm o mesmo media-appeal.
A liberdade de opinião -julgo que fundamental, tem desses inconvenientes: As agendas proprias de cada comunicador, que nos pede que o filtro seja nosso, isto se não queremos ser como o “corno”- o ultimo a saber.
O que não tem solução é serem sugada nessas agendas tambem as “noticias” muito convenientes : J.Kerry espiado pela secreta alemâ.. Hamas nega-se a fazer a paz..rockets caem perto de escola e já fizeram um morto desde janeiro…mortos no Iraque das forças invasoras americanas subiram para 4321 …(iraquis 432187)
Alberto Gonçalves é um espertalhão, que apresenta sempre argumentos válidos mas criteriosamente selecionados para aparentemente demonstrar o que lhe convem, mas sem que a demonstração jamais fique completa – ela é apenas sugerida ao leitor, para que ele fique convencido de que leu uma demonstração quando na verdade leu um non sequitur.
Uma dele de que me lembro foi a dizer que não há povo palestiniano, dado que os palestinianos de 1920 se consideravam a si mesmos como “sírios do sul”. Um argumento certamente verdadeiro mas que não demonstra nada, a não ser o facto mais que sabido que, na geografia árabe, a região conhecida por “Síria” abarca não apenas o país desse nome, mas também o Líbano, Israel e a parte habitável da Jordânia…