Cabeçada no poste


eventhorizon,

Há na blogosfera algumas pessoas, porventura mais adeptas do “aportuguesamento” de tudo o que é expressão estrangeira, que não escrevem posts, mas sim postes. Já tinha reparado nisto há algum tempo, mas nunca tinha falado sobre o tema. Falo agora: ó meus amigos, um poste é isto:

Aquilo que escrevem não é um poste (que diabo, um poste não se escreve!), mas sim um post (em inglês), ou, se quiserem uma tradução gratuita, um artigo. Podem chamar-lhe crónica, também – dá à coisa um ar mais importante. Eu sei que estas coisas são tramadas, que as terminologias vêm todas em inglês, que raramente há traduções directas. Mas se blog passou a blogue de forma mais ou menos pacífica, não será por isso que post passará a poste. Em caso de dúvida, há sempre o itálico.

39 comentários em “Cabeçada no poste”

          1. Pormenorizando, Ana, o facto é que o termo vem do tempo em que os operários soviéticos começaram a perceber o logro em que tinham embarcado. É que, do lado de cá, até os trolhas já iam trabalhar de carro. Daí o trolleycarro…

          2. LOL

            (olha, esta é outra apropriação abusiva dos ingleses: neste caso de uma instituição espanhola muito antiga: as Lolas!)

  1. Posta acho feio. Pois se até a posta de carne nós mudamos para bife!

    Quanto aos postes, fez-me lembrar a história do outro que, ao andar a primeira vez de comboio, espantado com tudo e maravilhado com a velocidade com que os postes, que via da janela do seu deslumbramento, “correrem” na direcção oposta, comentou:
    _ No regresso volto de poste.

  2. Eu uso e recomendo: posta.

    É bem português, deriva do verbo postar: colocar, pôr.

    É da família de já longa tradição na nossa língua pátria: «Bilhete postal», «Carta Postal», «Posta restante» (não a é a da cerimónia….), código postal, postal…. derivativos comuns às línguas latinas. O post inglês é que é daí derivativo e não o inverso.

    1. Pessoalmente, não gosto de posta (só no prato), mas reconheço ser bem melhor que poste. Até porque os autores dos postes nunca especificam se é de baixa ou alta tensão.

  3. Artigo ou crónica, são termos que não traduzem a natureza de um post , pela simples razão que pode haver posts ” que não são nem uma coisa nem outra. Dou um exemplo, um título uma foto e uma legenda bem articulados, pode funcionar em linguagem blogosférica como um post , mas dificilmente poderá ser considerado um artigo ou uma crónica… [penso eu de que …:))]. Postal, como sugere o Pedro Correia, parece-me muito bem.

      1. Pois. Mas como o Gabriel refere mais acima, o termo inglês é que deriva do latim, não o contrário. Pelo mesmo motivo acho um disparate lermos palavras de origem latina, como média ou micro, à inglesa (‘mídia´ou ´maicro’).

        1. Depende. Eu não discuto que a palavra inglesa post derive do Latim, até porque sei rigorosamente nada de Latim (infelizmente). Mas o uso que lhe dou acabou por derivar do inglês, e não do Latim; como tal, acaba por soar melhor post do que “postal” ou “posta”. E todas estas designações soam incomparavelmente melhor que “poste”, naturalmente.

          “Maicro”? Por favor. Ambos os exemplos parecem-me muito bem em português, sem haver qualquer necessidade de os dizer “à inglesa”.

          E antes que alguém o diga, tenho a perfeita noção de que este comentário é incoerente.

  4. Poste? Qual poste?! Aquele a quem o António Silva pedia lume? (ou era o Vasco Santana?). É que desse poste eu gosto, que é que quer, fiquei amiga dele.
    Agora ‘poste’ ou ‘posta’ por post… nunca!
    Prontos, até o meu portátil crashou com o susto! Ou então é defeito dele: eu inicializo, printo e tudo bem e assim. Mas às vezes quero logar e não consigo, apetece-me logo deletar tudo! Pecébe?! Ok, vou debugar isto!

  5. Eu comecei a escrever “poste” porque o registo do meu blogue (aham) era, como dizê-lo?, humorístico. E agora a coisa entranhou-se-me. Não sai nem com lixívia. Mas nisto da língua sou absolutamente prescritivo. Acho que toda a gente menos eu devia ser obrigada a não escrever “poste”.

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