Há na blogosfera algumas pessoas, porventura mais adeptas do “aportuguesamento” de tudo o que é expressão estrangeira, que não escrevem posts, mas sim postes. Já tinha reparado nisto há algum tempo, mas nunca tinha falado sobre o tema. Falo agora: ó meus amigos, um poste é isto:
Aquilo que escrevem não é um poste (que diabo, um poste não se escreve!), mas sim um post (em inglês), ou, se quiserem uma tradução gratuita, um artigo. Podem chamar-lhe crónica, também – dá à coisa um ar mais importante. Eu sei que estas coisas são tramadas, que as terminologias vêm todas em inglês, que raramente há traduções directas. Mas se blog passou a blogue de forma mais ou menos pacífica, não será por isso que post passará a poste. Em caso de dúvida, há sempre o itálico.


Prefiro postal. Nem poste nem posta.
Pedro, eu gosto de posta! Soa a “toma lá e vai buscar” 😉
Posta também é giro. Sobretudo com uma batatinha cozida, cebola, azeite e vinagre. Maravilha.
Posta é uma decorrência lógica do verbo ‘postar’, neologismo que já se vai ouvindo com frequência por aí.
Ainda voltamos à conversa do outro dia com o João Carvalho, sobre a conjugação de “troll”, ou “trole”…!
“Troll” foi uma adaptação abusiva dos ingleses, do nosso belo “Trolha”…
Nunca tinha pensado nisso, mas está bem visto, sim 🙂
Pormenorizando, Ana, o facto é que o termo vem do tempo em que os operários soviéticos começaram a perceber o logro em que tinham embarcado. É que, do lado de cá, até os trolhas já iam trabalhar de carro. Daí o trolleycarro…
LOL
(olha, esta é outra apropriação abusiva dos ingleses: neste caso de uma instituição espanhola muito antiga: as Lolas!)
Posta acho feio. Pois se até a posta de carne nós mudamos para bife!
Quanto aos postes, fez-me lembrar a história do outro que, ao andar a primeira vez de comboio, espantado com tudo e maravilhado com a velocidade com que os postes, que via da janela do seu deslumbramento, “correrem” na direcção oposta, comentou:
_ No regresso volto de poste.
Hehe. Essa está muito boa.
“corriam” e não “correrem”. É o que faz escrever a correr. Para a próxima vou tentar escrever de poste.
:))))
Que graciiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha…
Hi hi hi hi hi hi hi!
:)))
eehehe, não conhecia…
:))
gostei deste post. aliás, costumo gostar dos seus postes
Ainda ontem aloquei uma bela posta. Aloquei-a no prato, depois de grelhada. Era de cherne. Fresquíssima.
Ora, João, um cherne não se come. Segue-se.
Só os de camisa branca e gravatucha monocromática.
Obrigado, Ana.
(E, João, cuidado com essas postas de cherne, não vá sair um presidente da comissão europeia…)
Livra!
Eu uso e recomendo: posta.
É bem português, deriva do verbo postar: colocar, pôr.
É da família de já longa tradição na nossa língua pátria: «Bilhete postal», «Carta Postal», «Posta restante» (não a é a da cerimónia….), código postal, postal…. derivativos comuns às línguas latinas. O post inglês é que é daí derivativo e não o inverso.
Pessoalmente, não gosto de posta (só no prato), mas reconheço ser bem melhor que poste. Até porque os autores dos postes nunca especificam se é de baixa ou alta tensão.
O Gabriel tem razão.
Suponho que o termo correcto em português deve ser «édito».
Mas essas coisas da língua, aqui, não são um exclusivo do posteiro João Carvalho?
-Epá OLHÓ POSTE, OLHÓ POSTE!!
-Qual poste?
PÓÓÓIIIINN*+*+*
Artigo ou crónica, são termos que não traduzem a natureza de um post , pela simples razão que pode haver posts ” que não são nem uma coisa nem outra. Dou um exemplo, um título uma foto e uma legenda bem articulados, pode funcionar em linguagem blogosférica como um post , mas dificilmente poderá ser considerado um artigo ou uma crónica… [penso eu de que …:))]. Postal, como sugere o Pedro Correia, parece-me muito bem.
É exactamente esse o motivo pelo qual eu prefiro o inglês post. Em itálico.
Pois. Mas como o Gabriel refere mais acima, o termo inglês é que deriva do latim, não o contrário. Pelo mesmo motivo acho um disparate lermos palavras de origem latina, como média ou micro, à inglesa (‘mídia´ou ´maicro’).
Depende. Eu não discuto que a palavra inglesa post derive do Latim, até porque sei rigorosamente nada de Latim (infelizmente). Mas o uso que lhe dou acabou por derivar do inglês, e não do Latim; como tal, acaba por soar melhor post do que “postal” ou “posta”. E todas estas designações soam incomparavelmente melhor que “poste”, naturalmente.
“Maicro”? Por favor. Ambos os exemplos parecem-me muito bem em português, sem haver qualquer necessidade de os dizer “à inglesa”.
E antes que alguém o diga, tenho a perfeita noção de que este comentário é incoerente.
e alguns escrevem textos que são mesmos postes de electricidade, até dão choque.
claro que no meu caso é mais pedregulhos.
Poste? Qual poste?! Aquele a quem o António Silva pedia lume? (ou era o Vasco Santana?). É que desse poste eu gosto, que é que quer, fiquei amiga dele.
Agora ‘poste’ ou ‘posta’ por post… nunca!
Prontos, até o meu portátil crashou com o susto! Ou então é defeito dele: eu inicializo, printo e tudo bem e assim. Mas às vezes quero logar e não consigo, apetece-me logo deletar tudo! Pecébe?! Ok, vou debugar isto!
Vasco Santana!
terrível imprecisão… pois claro!
Palavras de que gosto (1): Chloé.
Olha, coincidência, eu também 🙂
Eu comecei a escrever “poste” porque o registo do meu blogue (aham) era, como dizê-lo?, humorístico. E agora a coisa entranhou-se-me. Não sai nem com lixívia. Mas nisto da língua sou absolutamente prescritivo. Acho que toda a gente menos eu devia ser obrigada a não escrever “poste”.