Bye Bye, Claxon


Maria Dulce Fernandes,

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Sábado à noite, era noite de Claxon.

Crime, mistério, sexo, muita acção, violência e um sem-número de alusões à nona arte da nossa juventude, esta fantástica série foi gravada em 35mm com pós-produção cinematográfica, provavelmente a pensar no grande ecrã, quando se ficou por 13 fantásticos episódios televisionados.

O país em 1991 ainda não estava preparado para este tipo de seriado dito de antologia.

António Cordeiro protagonizou o anti-herói Claxon, um detective desorganizado que se movimentava nas sombras da noite e nos meandros do submundo do crime na cidade corrupta. Nas suas quase sempre emocionais investigações, contava com a ajuda inestimável da sua secretária Ruby Tuesday (Margarida Reis) e do enciclopédico repórter Rick Planeta (Ricardo Carriço) que o traziam informado e focado nas averiguações.

Com dezenas de participações especiais, Claxon foi uma série fora de série e considerada uma das melhores ficções nacionais de todos os tempos.

António Cordeiro deixou-nos ontem, vítima de doença prolongada.

Até sempre, Claxon

 

Foto retirada do Google

21 comentários em “Bye Bye, Claxon”

  1. A algumas pessoas a morte chega por doença rara. Foi o caso. Não vi Claxon, mas lembro bem o actor. Foi um óptimo profissional.
    Que tenha, enfim, descansado.

    1. É verdade Bea. Foi um excelente profissional. Trabalhou até onde a doença, brutal e incapacitante lhe permitiu. De todos os seus papéis, para mim este é aquele pelo qual sempre o lembrarei.
      Que possa ter encontado a paz.

  2. Do Claxon só me lembro dos carros e guarda-roupa de época, com o cenário e restantes figurantes “modernos”.
    Sempre achei aquilo fraquinho.

    Condolências à família e colegas.

  3. Por desde sempre, ter vivido fora de Portugal, apenas conheci o artista António Cordeiro por alguns dos seus papéis, em algumas das suas inúmeras participações artísticas, a que esporadicamente ia tendo acesso aqui e acolá, através da RTPi – Sim António, serviço público! E delas, formei a opinião de que ele era um bom actor mas até nem por isso, extraordinário…
    Mas se na verdade, ele ate nem era um artista extraordinário, não deixou de ser pessoa extraordinária: ele era a generosidade humilde, da qual não posso deixar de recordar como exemplo, o de se ter prontificado a participar no “filme-tese” do curso de cinema do meu filho, não só sem cobrar nada por isso (o que, por si só, seria revelador do que ele era) mas até sempre se submeteu aos caprichos da direcção artística do meu filho que (e o meu filho que me perdoe o que vou escrever) não poderiam de, para ele um artista adulto e batido, deixar de ser meros caprichos idiotas de um adolescente: por 3 tardes e correspondentes parte dessas noites, ele submeteu-se a tudo isso como um Zé Ninguém, com toda a sua generosidade.
    Hoje, Maria Dulce Fernandes, por este seu “post” descobri que vou ter de carregar mais esse “pecado” o de, enquanto ele foi vivo, não lhe ter agradecido toda a sua generosidade. Sim, ele até o foi para com o meu filho mas tenho a certeza absoluta de que poderia ter sido para com um qualquer outro filho de qualquer um outro pai.
    António Cordeiro era um homem humilde e generoso, para além de ser um artista. Sim, um verdadeiro Homem!

    1. Um bom actor não precisa ser extraordinário, António Vaz apenas precisa fazer um bom trabalho. Presentemente nas telenovelas nacionais, grandes mananciais de audiências televisivas, polulam resmas de canastrões, muitos dos quais nunca tiveram aulas de representação ou sequer colocação de voz. Apresentação não é representação, mas ultimamente parece que sim.

      1. D. Maria Dulce, plenamente de acordo com tudo, ainda hoje vi o programa com Júlio Isidro (RTP Memória), e dá para ver que era um Homem Puro. Curiosamente ando a seguir uma novela da qual ele faz, (Desencontros). Novelas de hoje, são poluição televisiva, só sabem gritar que eu bem os oiço, quando minha Esposa está a ver essas novelas, a mim não me apanham, livra!!!
        Descanse em paz, Sr. António Cordeiro. Sentidas Condolências á Família.

      1. O António Cordeiro era novo. Tinha 61 anos.
        Este fim de semana foi mau para as artes, s o s. Faleceram também Licínio França, José Mascarenhas e José António de Sousa.
        Para a família, amigos e colegas, os meus sentimentos. Um forte e sentido aplauso para todos.

        1. antes de saber a idade, eu já ruminava com os meus botoes masoquistas, que estava a procurar lenha para me queimar, e queimei. Quanto os falecidos andam pela “nossa” idade, alem da tristeza ainda ficamos aflitos.

  4. Nunca consegui dissociar o ator da personagem da série Claxon, mesmo quando passado uns anos fez de vilão em Major Alvega.

  5. Fui colega na faculdade de um primo dele que o mencionou, de raspão, um par de vezes. Fiquei, mesmo com tão pouco, com a impressão de que ele era genuinamente uma pessoa decente (e só isso, hoje em dia, já é muito).

  6. O António Cordeiro pertence a uma das ultimas gerações de artistas no verdadeiro sentido da palavra. Gente que aprendeu a profissão desde cedo, estudou e agarrou as oportunidades pelo talento, esforço, humildade e garra. Precisamente o oposto do que acontece hoje, salvo raríssimas exepções, o “talento” resume-se a caras/corpos que correspondam a estereótipos que a sociedade consome e o “talento” acaba aí. Claxon foi uma série muito á frente do seu tempo, talvez por isso não tenha visto o merecido reconhecimento. Apesar das visíveis limitações orçamentais, o facto é que o António Cordeiro lhe deu o que precisamente falta nas produções de hoje sobejamente orçamentadas, o talento de quem sabe o que faz, sem precisar de ser extraordinário. Que tenha finalmente encontrado a paz que tanto merece.

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