
Sempre me considerei eurocéptico, mesmo quando políticos, como Pacheco Pereira ou Freitas do Amaral, que hoje dizem da União Europeia o que Maomé não disse do toucinho, faziam intensamente campanha pela ratificação do Tratado de Maastricht, como é óbvio sem referendo, porque as elites iluminadas nunca querem ouvir os cidadãos. Para mim a União Europeia nunca passou de um processo para conseguir que os Estados pequenos fossem absorvidos pelos grandes, e que estes por sua vez se subordinassem ao eixo franco-alemão. Neste momento, esse objectivo foi plenamente conseguido. Quando o Presidente da República, num verdadeiro acto de vassalagem, vai a Berlim pedir que não haja sanções a Portugal, fica-se a saber quem verdadeiramente manda na Europa e como as instituições europeias não passam neste momento de um verbo de encher.
É por isso compreensível que o Reino Unido neste momento esteja a equacionar seriamente a saída da União Europeia. A acontecer, não será novidade nenhuma. A Gronelândia também já saiu num referendo, levando a que nessa altura a então CEE tivesse perdido metade do seu território. Mas a Gronelância é uma pequena economia, cuja saída não teve grande impacto. Já o Reino Unido é a quinta economia do mundo e a sua saída terá um impacto devastador, não apenas para a Europa, mas também para o mundo em geral. Mas apesar disso, o povo britânico está profundamente dividido, com os jovens a encarar seriamente a saída, enquanto que os mais velhos optam pela continuação.

Pessoalmente, se fosse britânico, não votaria pela saída do Reino Unido da União Europeia. Em primeiro lugar, o Reino Unido conseguiu um opt-out numa série de matérias, incluindo a não participação no euro, o que leva a que a participação na União Europeia lhe seja mais benéfica do que prejudicial. Se saísse, ficaria na mesma posição da Noruega, que tem que adoptar todas as directivas europeias para comerciar com o espaço europeu, mas não participa no processo de decisão. Por outro lado, há partes do país, como a Escócia, que são fortemente contrárias à saída, pelo que, a concretizar-se esta, poderia conduzir a breve trecho à dissolução do país.
Mas o povo britânico é muito cioso da sua independência, e a verdade é que a União Europeia está há muito tempo transformada numa organização que só serve à Alemanha, que goza calmamente dos seus excedentes, enquanto o resto da Europa todos os dias definha. É por isso fácil à campanha do Brexit continuar a apresentar o estatuto especial britânico como um caso de dominação, como se vê no cartoon abaixo.

O que se deve, por isso, perguntar é o seguinte: Se os ingleses, apesar de todo o estatuto especial que conseguiram, se vêem como meros vassalos europeus, o que dirão então os portugueses? Seja qual for o resultado do referendo, é bom que o mesmo sirva para se perceber que a União Europeia tem que levar uma grande volta. Como está, não pode continuar.

Portugal foi vassalo da Inglaterra, sem direito a voto, desde o tempo do Marquês de Pombal até à entrada na CEE. Chegou mesmo a ter um governo inglês dentro do país. Veja-se a recepção que Salazar fez à jovem “imperatriz” Isabel II. Agora é vassalo, com direito a voto, da Europa. Parece-me uma melhoria.
Que voto temos na questão das sanções?
Independentemente da questão de saber se temos ou não temos direito de voto, não há dúvida de que xico tem razão numa coisa – não há grande diferença entre sermos vassalos da Inglaterra, como fomos, e sermos vassalos da Alemanha, como somos.
Mas há uma diferença no tipo de vassalagem: éramos vassalos da Inglaterra na nossa política de Negócios Estrangeiros, agora somos vassalos da Alemanha sobretudo na nossa política interna.
Há-de explicar se é da política externa ou da interna ter um governo liderado por um súbdito inglês, e a imposição de uma guerra civil para colocar no trono um rei que abdicara em favor de outro reino.
O mesmo que tivemos em tudo o resto: votámos a regra quando foi desenhada.
Temos assento no Conselho, nos vários Conselhos de Ministros (incl. Ecofin), no BCE, no Eurogrupo, e temos representantes no Parlamento que elegeram a Comissão sob proposta do Conselho.
A instituições da União Europeia não padecem de falta de democracia, padecem de falta de interesse por parte de eleitores, cidadãos, bloggers, jornalistas, etc que levem à responsabilização dos eleitos.
esta afirmação, retirada do texto, é o cerne da questão:
porque as elites iluminadas nunca querem ouvir os cidadãos.
Sem perceber quase nada … meramente por instinto
votaria na saida da UE. Ao ponto em que nos encontramos
todos … pior é impossivel. A Europa sofre de uma doença
prolongada e de cegueira . Uma tristeza.
Tenho andado bastante optimista nestes últimos tempos. Este optimismo deve-se ao facto de estarem garantidas as sardinhas para o arraial no Santo António, pois as quotas aumentaram.
É óbvio que o nosso António tinha de ser chamado à colação na matéria que verte. Pois também este, à falta de humano ouvido que o escutasse, decidiu ir pregar aos peixinhos.
Nesta matéria, depois de tanto o que já preguei por aqui, permita que me dedique agora a afiar os dentes para o 13 de Junho que se aproxima.
Nem a saída do Reino Unido me fará desistir da sublime degustação de umas sardinhitas acompanhadas de uma saladita de pimentos e de um belo pedaço de broa.
Quanto à Alemanha, nem o superavit lhes proporcionará conforto. A Europa vai mudar. E o nosso PR tem de saber o que é prioritário. Jamais aplicarão sanções a Portugal. Ele deve conduzir seus esforços noutro sentido, isto é, como exemplo, na injecção urgente de capitais para as áreas do transporte ferroviário e desenvolvimento dos interfaces de acesso aos nossos portos.
O problema é que os incompetentes que ordenam nesta UE que já não se sabe o que é, são um bando de incompetentes, irresponsáveis e incapazes que ainda não conseguiram ver que ou se tornam competentes, responsáveis e capazes ou provavelmente iremos assistir à queda desta estabilidade que durou setenta anos e aí, nem os fortes escapam. Freitas e Pacheco acreditaram na CEE e muito bem. Onde está a CEE? É aqui que está o busílis da questão, a que ninguém responde nem ninguém fala porque outros, mandam nisto tudo e outros gostam que esteja assim. Não é só o eixo franco-alemão, são as agências de rating, os grandes grupos económicos e outros grupos e que a UE de incompetentes, irresponsáveis e incapazes convêm que seja assim. Enquanto isto acontece outros há que continuam impávidos a assistir ao desmoronamento de algo que foi idealizado e sonhado por Homens, para que a Europa fosse um exemplo para a humanidade.
Caro Menezes Leitão, pelo que tenho lido na imprensa britanica são os idosos que representam a maioria dos adeptos do brexit e os mais jovens o bremain. Onde leu o inverso!?
O cartoon deve querer referir-se a um putativo cepticismo de cada um dos representantes etários aí desenhados!! Talvez!!
Quem está violar o acordo feito livremente pelas partes? É Portugal não é a Alemanha.
Mas temos a retórica populista que somos “vassalos”.
Isto de um acordo que assinámos livremente.
Se o autor obrigar alguém com quem acordou algo a cumprir os seus termos está a tornar essa pessoa um vassalo?
Com este tipo de populismo promove-se a destruição sociedade e da confiança necessária à sua sobrevivência defendendo a violação dos acordos com retórica de vitimização tribal.
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Se não querem uma moeda estável(comparativamente) e preferem ter défices ainda mais altos, imprimir dinheiro sempre que haja défice , ou seja sempre, e ter inflação de 50, 100% só têm de sair do Euro.
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Mas não, querem os benefícios do Euro sem os custos do Euro.
Defendam o Portuguexit em vez de usarem a vitimização.
E depois teremos o jornalismo marxista tuga a comandar a impressão de moeda.
Com resultado Venezuelanos.
Devia ser pribído escrever uma frase sobre vassalagem, dívida,austeridade … sem logo de seguida escrever outra sobre quem atirou o País para essa triste situação.
Refiro-me obviamente aos impunes partidos PS e PSD e respectiva iluminada classe política há 40 anos a gerir este regabofe.
Com o mesmo processo político esperar outro, melhor, resultado é insanidade.
É tempo de nomear os erros e os autores.
Chega de lamúrias inconsequentes.
Não pode esperar que a cultura dos almoços grátis se denuncie.
O Regime do 25 de Abril teve estes almoços grátis:
– Baixa dívida e finanças controladas pela Ditadura permitiram durante décadas aos sucessivos Governos gastar dinheiro do que o país produzia.
Passámos de dívida de 15% para 60% sem que aparentemente tenha havido custos directos pois a confiança dos mercados não foge esse valor de dívida. As coisas mudaram quando se saiu daí.
Todos os governos gastaram mais do que colectaram.
Se isto não é populismo não sei o que é.
– Baixos impostos da Ditadura permitiram sucessivos governos aumentar os impostos.
– Subsídios da CEE e União fizeram entrar milhões de ECUs e Euros em Portugal
– Natalidade elevada e mortalidade elevada na Ditadura permitiu prometer reformas luxuosas sem haver relação alguma com as mudanças na sociedade.
-O Neoliberalismo ao combater com sucesso a inflação permitiu juros baixos, que foram tornados ainda mais baixos por intervencionismo político, favorecendo o crédito com juros ultra baixos.
Tudo isto deu muito maus hábitos ao complexo jornalista-politico e por consequência à cultura geral dos portugueses que vai mudando naturalmente com o que ouve, lê.
Agora nada será como dantes:
Existe mais competição , os Africanos e Asiáticos felizmente deixaram de estar presos pela teia Marxista automaticamente deixando de fazer-se de vitimas e passando a crescer e enriquecer.
A Demografia impede o populismo das reformas só contanto os melhores anos.
A Alta Dívida impede o populismo dos défices.
E a falta de paciência da Europa que paga as contas começa a cortar nos subsídios.
E há muito mais a acontecer.